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Vôos do homem para Marte poderão começar em 2015

08.11.2002 | Fonte de informações:

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De acordo com os resultados da recente pesquisa de opinião realizada via Internet, 56% dos habitantes da Terra consideram que homem poderá voar para Marte nos próximos 5-10 anos; 26% são da opinião de que o referido prazo corresponde a 10-15 anos; para 14% dos entrevistados o homem só chegará a Marte daqui a 15-20 anos. Apenas 3% dos inquiridos consideram que o referido planeta deverá ser pesquisado somente com a ajuda de aparelhos automáticos.

Pela primeira vez, a ideia do voo tripulado a Marte foi levantada no início da década de 60 do século passado pelos fundadores da cosmonauta soviética, os académicos Serguei Koroliov e Mstislav Keldish. Entretanto, somente no final do século, após as prolongadas missões tripuladas a bordo das estacões orbitais «Saliut» e «Mir» se conseguiu acumular experiência suficiente para encarar a perspectiva de um voo a Marte como possibilidade viável.

O voo do homem a Marte é um plano tão sério e dispendioso que somente um grupo de vários países terá possibilidade de viabilizá-lo. Basta mencionar que o orçamento da primeira missão pilotada somará USD 20 bilhões, sem levar em conta as despesas com a criação de um novo veículo lançador. Assim, a fim de estimular a cooperação dos cientistas russos e ocidentais no quadro da organização de uma expedição pilotada a Marte, ficou decidido instituir o Comité Internacional Científico e Tecnológico, com a participação de 8 representantes da Rússia, 8 representantes dos EUA e 5 representantes da Agência Espacial Europeia.

De 1999 a 2001, um grupo de cientistas e especialistas russos concebeu, com o financiamento do Comité Internacional Cientifico e Tecnológico, o primeiro projecto (preliminar) de expedição pilotada a Marte, cuja documentação, reunida em 13 volumes, abrange praticamente todas as informações sobre Marte: compositor, evolução e possibilidade de preservação de formas antigas de vida naquele planeta. O projecto inclui opiniões de renomeados especialistas russos, entre eles três académicos e dois membros correspondentes da Academia de Ciências da Rússia, a respeito das possibilidades e dos objectivos do voo a Marte.

Quanto aos objectivos, um dos principais argumentos a favor da expedição é a semelhança da Terra e de Marte. Antigamente, em Marte havia mares e densa atmosfera. Os mares desapareceram há cerca de 3,6 bilhões de anos, em consequência de uma catástrofe ecológica. Quanto а atmosfera, essa tornou-se similar а da Terra a 30 quilómetros de altitude. Antes do aparecimento de seres humanos, a Terra também enfrentou catástrofes globais (cerca de cinco vezes), as quais não levaram, porém, ao desaparecimento dos mares e da atmosfera. O estudo das causas e mecanismos de mudança das condições climáticas em Marte, com base nos vestígios encontrados, permitirá prognosticar o futuro do nosso planeta.

Essa circunstância reveste-se de especial importância na época contemporânea, levando em conta as visíveis mudanças no clima da Terra, as quais não se devem, exclusivamente, а influência da civilização. Muitos cientistas acreditam na possibilidade de restabelecer, no futuro, a atmosfera em Marte, tornando aquele planeta adequado para a vida humana. Acontece que a vida na Terra não é tão segura como parece: a possível colisão com um grande asteróide ou cometa poderá levar ao extermínio da humanidade. Deste modo, seria conveniente providenciar um planeta de «reserva». Essa poderá ser uma das mais importantes motivações de um voo a Marte.

Em conformidade com o projecto, as três primeiras expedições serão técnicas e terão como objectivo optimizar a metodologia de voos do homem a distancias tão grandes. O desembarque de cosmonautas no planeta poderá ser realizado a partir da segunda ou da terceira expedições. Os cosmonautas passearão na superfície de Marte de 30 a 60 dias. Sua missão consistirá na criação de condições para a pesquisa do planeta com a ajuda de veículos teleguiados. Em particular, será necessário encontrar água em Marte e estudar a possibilidade de seu processamento e transformação em componentes do combustível utilizado nos propulsores de foguetes, além de ser utilizada para consumo humano.

Cada expedição irá integrar duas naves espaciais. Uma delas, um cargueiro espacial com um peso de descolagem de cerca de 140 toneladas, levará para Marte 70 toneladas de carga, inclusive um veículo marciano e um módulo de descolagem de reserva. Outra nave pilotada, com peso de descolagem de 580 toneladas, levará a bordo um módulo habitacional interplanetário, de 70 toneladas. Ao todo, o programa prever a realização de dez expedições, aumentando, gradativamente, o tempo de permanência dos cosmonautas no planeta.

A tripulação será formada por seis pessoas: piloto-comandante, segundo piloto, engenheiro de bordo, médico, biólogo e geólogo. Em Marte deverão desembarcar, no mínimo, três pessoas. Dois cientistas levarão a cabo pesquisas de campo utilizando o veículo explorador. O terceiro, piloto, ficará de plantão no módulo de descolagem, pronto a levantar voo do planeta. Enquanto isso, as outras três pessoas, entre elas o comandante, o médico e o engenheiro de bordo, permanecerão a bordo do módulo orbital. A capacidade dos cosmonautas de dominar várias profissões é um factor de grande importância. Na opinião de médicos, os cosmonautas da expedição deverão ter de 45 a 50 anos, idade que proporciona a melhor combinação de elevadas condições físicas e estabilidade psicológica. será melhor incluir na expedição somente pessoas do sexo masculino: na opinião dos médicos, mulher não poderá suportar um voo tão difícil.

Os organizadores poderão enfrentar a primeira dificuldade técnica na etapa de construção da nave interplanetária, que será 100 toneladas mais pesada do que a Estacão Internacional Espacial. Por isso, será praticamente impossível fazê-la levantar da superfície terrestre. Em virtude disso, a nave será montada em órbita circunterrestre a partir de módulos, a serem transportados por um veículo lançador de uso múltiplo (A utilização do «Shuttle» norte-americano será inviável devido а baixa capacidade de carga). No momento, não existem veículos lançadores com os parâmetros citados. No entanto, os cientistas acreditam na sua criação no processo de desenvolvimento da cosmonauta.

A expedição «Terra-Marte-Terra» poderá durar de 1,5 ano a 2 anos, dependendo da data do lançamento. Lembre-se que a missão do médico-cosmonauta russo Valeri Poliakov a bordo da estacão orbital «Mir» durou 438 dias. Os exames não acusaram a presença de mudanças patológicas em seu organismo que pudessem impedir o aumento gradativo da duração de voos espaciais pilotados. O problema é que, ao desembarcarem em Marte, os cosmonautas deverão trabalhar em condições da gravidade, cuja força é três vezes inferior а da Terra. Para ficarem preparados deverão, no decurso do vago, passar várias horas por semana trabalhando em condições da gravidade artificial, criada com a ajuda do aparelho centrífugo montado a bordo da nave. É natural que a mesma operação deva ser repetida durante o voo de retorno.

Resta o problema da protecção dos cosmonautas contra a irradiação solar e galácticas, a qual aumentará consideravelmente fora da faixa de irradiação da Terra. Durante o voo para Marte e na viagem de volta, a dose dessa irradiação poderá superar em duas vezes a máxima dose de tolerância. Para garantir a protecção de cosmonautas contra a irradiação está previsto, entre outros, montar a bordo da nave um abrigo contra a irradiação, conceber métodos de protecção electromagnético e utilizar substâncias farmacológicas. Testes de protecção de organismos vivos contra a irradiação ionizante foram levados a cabo por cientistas russos a bordo dos satélites automáticos «Bion». Os resultados dessas experiências dão motivos para esperanças. Os autores do projecto consideram que uma nave pilotada será muito mais segura do que uma sonda (somente uma em cada três sondas lançadas, até а presente data, conseguiu chegar a Marte e cumprir sua missão). Durante os vários anos de funcionamento das estacões orbitais soviéticas e russas, graças а reserva dos sistemas e funções de bordo, não houve uma única ocorrência que impossibilitasse o trabalho a bordo da estacão (excerto dois casos de doença de membros da missão, os quais implicaram a necessidade da sua cessação antecipada). Por outras palavras, a reserva do bloco, e das funções numa estacão de 20 toneladas de peso foi suficiente para providenciar a segurança da actividade dos membros da missão. Uma reserva adicional a bordo do módulo habitado marciano, de 70 toneladas de peso, poderá permitir ainda uma maior segurança aos membros da missão.

Segundo evidencia a prática de voos pilotados, mesmo em caso de surgimento de uma situação imprevista, uma tripulação experimentada poderá sempre encontrar uma solução. Em caso de doença de um dos tripulantes, este irá receber tratamento no espaço. Para isso, um centro médico dotado de um sistema de diagnóstico remoto e de uma sala de cirurgias, estará а disposição do médico de bordo.

Na opinião de especialistas, os voos do homem a Marte poderão começar em 2014-2015.

© RIAN

 
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