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RÚSSIA INSISTE EM ATITUDES UNIFORMES EM RELAÇÃO AO PROBLEMA DO TERRORISMO

08.09.2004 | Fonte de informações:

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Estes trágicos acontecimentos colocaram na agenda do dia a questão de coordenação de esforços da comunidade internacional na luta contra o terrorismo, tendo Serguei Lavrov assinalado nas suas intervenções a necessidade de passar das meras declarações de solidariedade para acções concretas. Trata-se, em primeiro lugar, do melhoramento da coordenação entre os serviços especiais, da troca de informação e experiência no âmbito da actividade antiterrorista, da identificação e desmantelamento dos canais de financiamento dos grupos terroristas, etc.

Em segundo lugar, é indispensável chegar à uma definição concreta e comum para saber quem pode ser considerado como terrorista e o que entender sob a actividade terrorista. Apesar da onda de atentados terroristas perpetrados na Europa nos últimos cinco anos, até hoje não há consenso quanto a esta questão.

O terrorismo não tem fronteiras, nem nacionalidade ou religião, disse Serguei Lavrov no Cairo, Beirute, Telavive e Damasco. É um problema comum aos países árabes, Israel, a Rússia e a todos os outros países.

Moscovo compreendeu isso ainda em 1999, aquando da incursão de um comando terroristas no Daguestão, declarando da tribuna do Conselho de Segurança da ONU que o terrorismo é uma ameaça comum e para o vencer são precisos os esforços de todos. No entanto, os diplomatas russos esforçaram-se durante um mês inteiro para fazer passar pelo Conselho de Segurança a resolução que não só condenava os actos terroristas, mas que ainda obrigava todos os países a assinar as convenções universais referentes ao terrorismo internacional e a criar o respectivo mecanismo de controlo para o cumprimento das obrigações assumidas. De acordo com Serguei Lavrov, a maioria dos países do mundo deu atenção às propostas russas e compreendeu que o terrorismo é um problema comum só depois de 11 de Setembro de 2001 nos EUA, tendo a seguir sido criado o Comité Antiterrorista junto do CS da ONU e proposto à Rússia encabeçá-lo.

É de assinalar que hoje, quando a maioria dos países condena o terrorismo, a comunidade internacional ainda não elaborou uma atitude comum para com este problema, pois acontece que para uns um extremista é terrorista, mas para outros é combatente pela liberdade. O limiar entre os guerrilheiros e os terroristas continua a ser bastante vago para muitos.

Um exemplo mais recente: quando a maioria dos líderes considera os acontecimentos em Beslan como atentado terrorista, uma série de meios de comunicação social ocidentais qualifica os terroristas como rebeldes. Mais ainda, há países que, ao expressar as condolências ao povo da Rússia, ao mesmo tempo concedem asilo político a separatistas chechenos. O mesmo problema enfrentam também Israel e o Egipto, os quais procuram em vão a extradição de militantes de grupos islamistas de alguns países europeus, onde estes se têm refugiado.

A situação apresenta-se como mais difícil nos países onde se registam conflitos regionais, os quais, no ver do chefe da diplomacia russa, estão directamente ligados às ameaças globais, tais como o terrorismo, o tráfico de drogas, a proliferação dos meios de extermínio em massa e o crime organizado. Além disso, os conflitos pendentes são úteis para os terroristas porque lhes oferecem a possibilidade de justificar os seus crimes.

É por isso mesmo que a diplomacia russa vem dedicando tanta atenção aos conflitos regionais e, antes de tudo, ao mais antigo de todos, ou seja, o conflito no Médio Oriente. Os árabes e os israelitas estão muito interessados em que a Rússia desempenhe um papel-chave na regularização deste conflito, tendo todos os políticos, contactados pelo ministro russo, confirmado isso mesmo. Assinala-se que cada uma das partes gostaria de aproveitar a Rússia como um instrumento de pressão em relação à outra. Quanto à Rússia, disseram à RIA "Novosti" fontes diplomáticas, ela vê o seu papel na qualidade de mediador para fazer avançar as propostas, criando um ambiente mais propício para as conversações e não as impondo de modo algum. Por exemplo, Moscovo não pode obrigar os árabes e os israelitas a sentarem-se à mesa das conversações. O que é ainda inútil, como o prova a prática dos últimos dez anos, quando as partes em conflito, ao assinar acordos sob a pressão dos mediadores, acabaram por nunca os honrar. Por isso a Rússia, como vários outros países envolvidos no processo de regularização, apenas apela aos palestinianos e aos israelitas a não recusarem o diálogo e cumprirem os compromissos assumidos. O último diz respeito ao plano de paz, o qual na opinião dos diplomatas russos continua a ser o único documento aprovado por ambas as partes e que apresenta a forma de regularização da situação em todos os pormenores.

Durante a sua digressão, Serguei Lavrov assinalou mais de uma vez que a regularização no Médio Oriente dever ser generalizada, incluindo, para além da vertente palestiniana, ainda as vertentes libanesa e síria, normalizando a situação geral na região. Israel está ciente disso, uma vez que afirma que por trás da maioria dos atentados terroristas perpetrados no seu território estão a Síria e o Irão. Por isso mesmo, os políticos israelitas vêm acompanhando com interesse permanente o desenrolar de cooperação russo-síria e russo-iraniana.

Seguei Lavrov, por sua vez, levou ao conhecimento da parte israelita que as relações de Moscovo com Damasco e Teerão desenvolvem-se de acordo com o direito internacional. Tal diz respeito antes de tudo à cooperação russo-iraniana no sector de energia nuclear, que se desenvolve sob o controlo total por parte da AIEA. O ministro russo adiantou ainda que se chegarem ao conhecimento da liderança russa factos concretos de que alguém presta ajuda a terroristas, estejam onde estiverem, a partir do território da Rússia ou que algum país viola o direito internacional na área da não proliferação das armas de extermínio em massa ou colabora com os terroristas, Moscovo irá fazer todo o passível para pôr termo a tal tipo de actividade. Agora, porém, a Rússia não vê razão alguma para suspender a sua cooperação com os países do Médio Oriente, pelo contrário considera necessário reforçar a cooperação económica e política com este países e antes de tudo no âmbito da luta antiterrorista. Segundo Moscovo tal diálogo é muito oportuno, porque ajuda a comunidade internacional a resistir aos desafios globais da actualidade. Foi este o resultado principal da primeira digressão do chefe da diplomacia russa pelo Médio Oriente.

Marianna Belenkaia RIA "Novosti"

 
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