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A GRANDE GUERRA DA PÁTRIA, PARTE I

08.05.2005 | Fonte de informações:

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Em 8 de maio de 1945, os alemães assinaram a rendição incondicional, dando fim à Segunda Guerra Mundial na Europa, que havia começado pouco menos de 6 anos antes, em 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polônia. Os aliados ocidentais comemoram o fim da guerra no dia 8 de maio, mas os da Europa oriental no dia 9: essa pequena diferença ocorreu porque o plano original era que a rendição alemã só deveria ser divulgada no dia seguinte à de sua assinatura, mas jornalistas ocidentais tiveram acesso à informação antes e a publicaram. Os soviéticos, porém, mantiveram a data original.

Todos os países do continente se envolveram, direta ou indiretamente, na guerra, e poucos foram os que não participaram militarmente. E mesmo países distantes, como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul enviaram tropas e tomaram parte nas hostilidades.

Apenas na Europa, morreram 50 milhões de pessoas. A Alemanha foi completamente arrasada, a União Soviética teve grande parte de seu território europeu destruído, e grande parte das vítimas foram civis. Foi uma guerra de proporções jamais vistas antes, tanto no número de mortos quando em devastação. Fato ainda mais assustador quando se considera que no conflito europeu nem se chegou a usar armas nucleares (como ocorreu no Japão).

Até hoje a Segunda Guerra Mundial é importantíssima: as fronteiras de Europa atual, apesar do fim da URSS e da divisão da Iugoslávia, foram todas delimitadas após esse conflito – pois a URSS e a Iugoslávia tomaram sua forma final em 1945, e suas fronteiras internas foram traçadas na mesma época. A Organização das Nações Unidas surgiram para evitar novas guerras, embora um dos principais países fundadores, aquele no qual se encontra sua sede, seja atualmente o que menos respeita a ONU. E a polaridade e hostilidade entre EUA e URSS também surgem com o fim da guerra: polaridade e hostilidade que ainda subsistem, embora o equilíbrio de poder tenha se alterado drasticamente com o fim da URSS, em desfavor da Rússia, sua herdeira.

Na União Soviética, e ainda hoje em quase todas as repúblicas que a compunham, o conflito é conhecido como Grande Guerra Pátria, e a data de seu término é uma das principais comemorações. O nome pode parecer estranho a muitos, mas é perfeitamente compreensível: a maioria dos países ocupados pelos nazistas lutaram por sua soberania, para manter seu estado independente. Os povos eslavos, principalmente os soviéticos, lutavam não apenas por seu estado, mas por sua existência mesma: pois a vitória de Hitler, que considerava os eslavos como povos inferiores, no mesmo patamar que os judeus, e devendo portanto ser exterminados por completo, significaria o total desaparecimento de polacos, tchecos, sérvios, russos, ucranianos e bielorussos. Em vista disso, o nome de Grande Guerra Pátria se justifica completamente, considerando que pátria é algo muito maior e mais importante que estado, pois envolve a população, a cultura, a etnia, a língua, os costumes locais, as tradições e os monumentos.

Hitler se esforçou por arrasar completamente todo esse patrimônio dos eslavos, e quase conseguiu, se não fosse pela luta heróica desses povos. Polônia, Tchecoslováquia e Sérvia, por serem pequenos e militarmente fracos, não puderam impedir a invasão de seus países, mas mantiveram uma forte resistência e nunca capitularam por completo. A URSS, por ser de longe o maior, mais rico, mais populoso e mais forte dos países eslavos, foi o único que pôde fazer frente a Hitler, e por fim derrotá-lo. O custo, porém, foi imenso, e requereu um sacrifício inconcebível: entre 20 a 27 milhões de soviéticos mortos; ou seja, aproximadamente metade das vítimas de todo o teatro europeu da guerra eram cidadãos de um único país.

Seguir-se-ão nessa semana outros quatro artigos sobre a Grande Guerra Patriótica, suas causas e suas conseqüências, reflexões pessoais de uma pessoa que nasceu mais de 30 anos depois do fim da Guerra, mas que busca apreender sua importância, e também seu horror. Espero que nós e as gerações futuras, que tivemos a sorte de haver nascido depois da imensa barbárie, destruição e sofrimento gerados por essa guerra numa escala jamais vista antes, nunca tenhamos que vivenciar nada de semelhante. Carlo MOIANA Pravda.ru Buenos Aires

 
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