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Intervenção de Iván Márquez ao receber o Prêmio Nacional de Paz

06.12.2016 | Fonte de informações:

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Intervenção de Iván Márquez ao receber o Prêmio Nacional de Paz

 

Promotores do PRÊMIO NACIONAL DE PAZ, Compatriotas:

Desde Havana, Cuba, viemos com a esperança de semear junto a vocês a paz para Colômbia e a entregar-lhes o sonho da reconciliação.

Trabalhamos dia e noite sem cessar para trazer-lhes as tábuas sagradas de um tratado de paz com justiça social para o futuro; para as novas gerações.

Escrito por  Iván Márquez

É nosso desejo, pondo fim à guerra, contribuir com toda nossa força de vontade e convencimento, na luta por alcançar a maior soma de felicidade possível para um povo que tem padecido a pobreza, a miséria, a desigualdade e a exclusão, almejando e ajudando a concretizar vida digna para todos, não violência e não repetição; nada mais.

Se a riqueza natural e espiritual da Colômbia se administra melhor, sem egoísmos nem ganância, teremos pátria para todos. Porém há que deixar a mesquinharia e a indiferença parra pensar no próximo, no ser humano ao qual se lhe escapa a vida nos cinturões de miséria das grandes cidades e nos sulcos de suor e de tristeza de uma terra boa que pode produzir alimento para toda sua descendência.

O Acordo Final de paz é apenas uma porta de entrada para a mudança que as maiorias clamam, e, para preencher de legitimidade este propósito, as partes convocam as forças vivas do país, já ocorrida a referenda, a concertar um Grande Acordo Político Nacional encaminhado a definir as reformas e os ajustes institucionais necessários para atender os desafios que a paz demande, pondo em marcha um novo marco de convivência política e social, que contribua para projetá-la mais além dos séculos, de maneira estável e duradoura.

A paz é um direito síntese, sem o qual não é possível a concretização de nenhum outro direito. Para dizê-lo em palavras mais simples, é o mais elevado de todos os direitos, o Pico Bolívar de nossa Sierra Nevada, sem o qual outros direitos como o da vida, da alimentação, da moradia, da educação, do território... não teriam piso suficiente de sustentação.

A Constituição colombiana estabelece que a paz é um direito e um dever de obrigatório cumprimento. Se sabe, ademais, que a paz é um direito contramajoritário. Não se consulta. Por isso todas as turbulências que tiveram que atravessar desnecessariamente, tanto o processo de paz como o Acordo Final, são o resultado de precipitações políticas, habilmente aproveitadas pelos inimigos da reconciliação que não querem que se destape a verdade nem que se conheçam as causas e os responsáveis pelo conflito.

Sem nenhum ânimo de avivar a tormenta da polêmica, queiramos ou não, pelo fato de estar inserido no espírito e na letra do Direito Internacional Humanitário, nosso recente Tratado de Paz, firmado pelos plenipotenciários das partes a 26 de novembro passado, constitui um Acordo Especial com tudo o que isso implica no interno e frente à comunidade de nações. Não se firma protocolos internacionais para desconhecê-los.

Para levar adiante a paz já referendada, não podemos avançar com passos vacilantes. As esferas do poder do Estado devem marchar em perfeita sincronia com a eficiência e prontidão que o processo histórico demanda.

Em Havana, tanto a Delegação do governo como a das FARC nos jogamos todas para deixar para trás o passado de guerra e de violência política, adotando uma folha de rota, que, se se cumpre, pode nos conduzir para uma nova era de tranquilidade em que as armas serão substituídas pela argumentação política e a disputa de visões de país, com plenas garantias para todos e todas. Podemos dizer, então, para a Colômbia, que cumprimos. E como nos motivaram as multitudinárias manifestações da gente pela paz e a implementação dos acordos nas praças públicas!

Agora, o Acordo Final acabe de ser referendado majoritariamente pelo Congresso da República, e se está à expectativa da implementação de maneira imediata e efetiva, porque não pode a Colômbia seguir projetando ante o mundo a surpreendente imagem de um país enredado em sua própria teia jurídica, que não a deixa alcançar o propósito superior da paz. Nada mais humanitário que acabar uma guerra e fazê-lo aplicando sentido comum e humanidade, em favorecimento da concórdia.

Há 2 horas terminamos uma reunião com o Governo Nacional e o Mecanismo de Monitoramento e Verificação. Após o intercâmbio franco de opiniões se reafirma que o dia "D" se inicia hoje, o qual implica que se deve outorgar plena segurança jurídica para a implementação do acordado; prover todas as condições necessárias para o translado de unidades guerrilheiras para as ZVTN e PTN com condições dignas. Por outra parte, procederão os indultos e excarcerações de guerrilheiros e colaboradores, assim como o trâmite imediato da Lei de Anistia.

Já culminando esta intervenção, não podemos evitar que nossos pensamentos novamente se dirijam agradecidos para os governos de Cuba, Noruega, Venezuela e Chile, que, com sua solidariedade e compreensão, e com o respaldo de seus respectivos povos, nos rumaram pelo caminho da não violência.Para eles, todo nosso afeto.

Depois de tantas vicissitudes e de tão amargos contratempos, sentimos que todos somos ativadores da esperança. Ninguém poderá deter a marcha da Colômbia para o futuro sob a bandeira da paz. Ninguém poderá duvidar do triunfo da reconciliação se atuamos com sensatez.

Muito obrigado. 

 

 
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