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EMBAIXADOR RUSSO NA ARGENTINA FALA SOBRE CRIME ORGANIZADO E TERRORISMO

05.10.2005 | Fonte de informações:

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Yuri Korchaguin, embaixador russo na República Argentina, ofereceu no dia 5 de outubro um seminário intitulado “Tráfico de drogas, crime organizado, lavagem de dinheiro e terrorismo: novas ameaças mundiais”.

Korchaguin disse que a globalização têm aspectos negativos que se propagam mais rapidamente do que os positivos: criminosos se adaptam e prosperam facilmente na atual organização político-econômica mundial. A solução, porém, não consiste em fechar as fronteiras, mas na cooperação internacional. A Rússia propõe a união de esforços para combater essas grandes ameaças, que afetam todos os países, no âmbito da Organização das Nações Unidas, fórum por excelência para a resolução de questões internacionais.

Segundo o embaixador, a maior fonte de problemas para a Rússia no que diz respeito a drogas ilícitas é o Afeganistão: depois da derrocada do Taliban, a produção de ópio e heroína nesse país cresceu 64%. A Rússia, membro da aliança que ajudou na derrocada do regime fanático e no estabelecimento de um regime laico democrático, propõe um embargo para a venda de produtos químicos usados na fabricação de drogas ilícitas ao Afeganistão, até que a situação se estabilize.

Korchaguin afirmou que a Rússia mantém contatos importantes com países da América do Sul para combate ao crime organizado, com acordos bilaterais com cada país e com o Grupo do Rio, organização que reúne todos os países da América do Sul. Esta cooperação tem sido frutífera, porém o embaixador lamentou o fato de um cidadão russo, comprovadamente culpado de assassinato e roubo, ter obtido asilo na Argentina. Mas afirmou que este era um problema pontual que não afeta a relação entre os dois países. Também desestimou críticas feitas por alguns países à tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai, e afirmou que existe um controle eficiente na região e que esses países não necessitam ser controlados por potências externas para combater o crime organizado.

Pravda.ru expôs ao embaixador o problema que as autoridades russas enfrentam no combate ao terrorismo no Cáucaso, pelo fato de os Estados Unidos e a Grã-Bretanha terem concedido asilo político a terroristas tchetchenos com pedido de captura internacional e provas de seu envolvimento em atentados. Korchaguin falou sobre o grande problema do ocidente no combate ao terrorismo: os padrões duplos. Terroristas que atacam os EUA ou a Europa são imediatamente reconhecidos como tal, mas aqueles que atacam na Rússia são denominados com eufemismos como “guerreiros da liberdade” ou “rebeldes que lutam pela independência de seu povo”. Na imprensa ocidental, inclusive na América Latina ocorre o mesmo: quando os meios se referem aos grandes ataques terroristas dos últimos anos, sempre falam de Nova Iorque, Madrid e Londres, mas nunca nomeiam Moscou ou Beslan, também vítimas do terrorismo internacional.

Criticou aqueles que procuram mostrar a guerra contra o terrorismo na Tchetchênia como uma “invasão”. A República Autônoma da Tchetchênia é parte da Federação Russa, e o conflito que ocorreu lá não se deve a uma luta pela independência (pois a imensa maioria da população é a favor da permanência do território dentro da Federação), mas ao terrorismo e o crime organizado: os terroristas simplesmente querem livrar-se do estado de direito russo para praticar impunemente tráfico de drogas, de dinheiro e de armas, e agir segundo a interpretação mais dura e fanática do islamismo.

Korchaguin afirmou que a Rússia, diferentemente das potências ocidentais, tem uma definição única de terrorismo, se solidariza e apóia as vítimas norte-americanas, espanholas e inglesas, e participa ativamente no cenário internacional para solucionar esta ameaça. E expressou sua esperança de que os EUA e a Grã-Bretanha aceitem afinal o pedido russo de extradição.

A Rússia tem uma importante participação mundial no combate a crimes de escala mundial, e realizou progressos notáveis nos últimos anos, deixando de ser uma região sem estado, sem fronteiras e sem lei, aberta ao tráfico de drogas, de armas, de pessoas e à lavagem de dinheiro. Organizações internacionais importantes, como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e a Interpol corroboram os avanços da Rússia neste sentido.

Carlo MOIANA Pravda.ru Buenos Aires

 
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