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PROBLEMAS E AVANÇOS DA INDÚSTRIA AERONÁUTICA RUSSA

05.09.2005 | Fonte de informações:

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A Agência Russa de Controlo do Funcionamento dos Transportes proibiu os voos dos aviões de longo curso IL-96-300 "devido às numerosas falhas nos sistemas de travagem e hidráulico". Esta decisão que promete enormes prejuízos à companhia Aeroflot, principal transportadora aérea russa, e sérios desconfortos aos passageiros que voam à Sibéria e Extremo Oriente e dali à Parte Europeia do país, foi aprovada inclusive por Boris Aliochin, chefe da Agência Federal de Indústria, e até pelo director-geral da Aeroflot, Valeri Okulov. As razões disso são evidentes, pois apesar dos problemas técnicos, o mais importante é a segurança dos passageiros.

A verdade é que os voos do Il-96 não foram suspensos para sempre: os aparelhos foram retirados para a Fábrica Aeronáutica de Voronej (FAV) para corrigir a grosseira falha técnica que se revelara nos seus chassis. Este facto é bastante ordinário segundo a prática da produção mundial. São conhecidos muitos exemplos em que gigantes automobilísticos como a General Motors americana, a Toyota japonesa e outras grandes corporações retiraram milhares de seus automóveis e outros produtos para corrigir os defeitos da produção. Também o episódio relativo ao Il-96 não teria chamado a atenção se neste avião não tivesse voado o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e se os acidentes deste tipo não tivessem ocorrido com o Il-96 presidencial com uma consequência assustadora. Pela primeira vez durante a visita do Chefe de Estado a Portugal e pela segunda durante o seu regresso da Finlândia quando o chefe de Estado até teve embarcar noutro avião para ir a Moscovo.

No entanto, verificou-se que os acidentes deste tipo acontecem não só com "o principal avião do país". Todas as 16 aeronaves Il-96-300 construídas pela FAV não só para a Aeroflot, mas também para as companhias Linhas Aéreas de Krasnoiarsk e Linhas Aéreas de Domodedovo, e dois deles para Cuba e seu líder, implicavam desta ou daquela maneira algumas reparações urgente, não previstas pelas obras de manutenção. Estes defeitos da produção indicam que existe uma falha no sistema de actividade da indústria aeronáutica russa.

Esta conclusão não é um exagero jornalístico. Tudo foi explicado pelo chefe da Agência Federal de Indústria, Boris Aliochin. Com efeito, apesar de todas as mudanças ocorridas na indústria aeronáutica russa, ela continua a funcionar segundo o "esquema soviético". Os projectistas elaboram os seus projectos de aviões e as fábricas constróem-nos apoiando-se na base nacional de elementos e peças. No entanto gigantes mundiais da indústria aeronáutica como a Boeing e Airbus há já muito passaram a outro princípio da actividade. Estas companhias só elaboram os projectos e montam os aviões, mas todo o "recheio" para eles é fornecido pelas melhores firmas especializadas, inclusive russas. No Boeing-777, melhor avião da época actual, foi usado o titânio russo de Verkhnesaldinskoe e muitos dos elementos da asa do Airbus A-380-800, "estrela" do actual Salão Aeroespacial de Paris, foram projectados por engenheiros russos. Infelizmente, a indústria aeronáutica russa não pode entrar de modo algum na via de cooperação internacional e da divisão internacional do trabalho. A Fábrica Metalomecânica de Balachikha (região de Moscovo) que construiu o "infeliz" bloco UT 151-7 para o Il-96-300 detém o monopólio da produção destes componentes para os aviões russos de longo curso. Portanto a FAV é forçada a instalar nos seus aparelhos "o material que lhe oferecem". E, como se verificou, os reiterados apelos feitos à administração da Fábrica de Balachikha não levaram ao melhoramento da situação. A falta de responsabilidade ou a inconsistência profissional de alguns trabalhadores e seus dirigentes por pouco não provocaram mais uma tragédia. Como afirma Boris Aliochin, esta situação prosseguirá se a empresa e os projectistas deste avião não tiverem a opção. A situação só poderá ser corrigida pela inclusão na cooperação internacional e na divisão internacional do trabalho.

É justamente este princípio que está na base da Companhia Aeronáutica Unida que está a ser formada na Rússia. Foi a este princípio que se referiu o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, no acto de inauguração do Salão Aeronáutico Internacional (MAKS-2005) em Jukovski: "Vemos o futuro do nosso sector aerospacial na cooperação com os nossos parceiros estrangeiros".

Claro que também a cooperação internacional não salva do possível defeito de produção, o que de vez em quando acontece também até em maiores firmas. Mas a empresa ou o consórcio, que recebeu a reclamação de um defeito e que sofreu o respectivo prejuízo devido às suas próprias falhas fará tudo para esta situação não venha a se repetir, pois o cliente tem a possibilidade de arranjar um outro fornecedor. Neste caso, como o prova a experiência mundial, as falhas sistémicas são impossíveis.

Viktor Litovkin observador militar RIA "Novosti"

 
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