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Vitória contra Estado Islamita Aproximou Iraquianos Mais que Nunca

04.12.2018 | Fonte de informações:

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Vitória contra Estado Islamita Aproximou Iraquianos Mais que Nunca

Diante do novo governo eleito através de sufrágio universal em outubro no Iraque, embaixador iraquiano em Moscou, Mansour Haidar Hadi, comenta na entrevista a seguir a vitória de seu país sobre o Estado Ismalita (EI) no final do ano passado, a cooperação internacional e ameacas da organização terrorista de ressurgir em território mesopotâmico, que possui uma das culturas mais ricas da história e um povo que, até as imperialistas "investidas" (invasões, ocupações e guerras) das grandes potências ocidentais pós-I Guerra Mundial atrás de petróleo, convivia harmoniosamente entre si mesmo com as diferenças religiosas (incluindo árabes e judeus).

"Analistas" internacionais, aliás, têm jogado mais gasolina sobre o fogo iraquiano, segundo o dito popular "secando" para que o mesmo EI criado, financiado e armado pelos Estados Unidos, volte a aterrorizar os iraquianos nesta "Guerra ao Terror" projetada bem antes de 11 de setembro de 2001 para ser interminável.

Edu Montesanti: Alguns estão dizendo que a declaração de vitória do Iraque contra o Estado Islamita no final do ano passado foi prematura. Argumentando que o grupo terrorista continua representando uma ameaça profunda não apenas por sua própria perspicácia como movimento insurgente, alguns analistas também afirmam que o governo iraquiano não conseguiu atender as necessidades básicas da população, como por exemplo remediar divisões políticas e sociais além de estabelecer um projeto comum, uma estrutura nacional que unificasse o país, o que, de acordo com esses analistas, prepara o caminho para mais uma guerra civil devastadora à medida que grupos rivais disputam o controle do Estado iraquiano.

Qual sua visão deste cenário, e quanto o grupo terrorista ainda ameaça o Iraque?


Embaixador Haidar Hadi: A declaração de vitória em dezembro de 2017 veio depois de mais de três anos de luta contra a organização terrorista internacional. Essa vitória foi resultado de esforços conjuntos entre as forças de segurança do Iraque, Unidades de Combate ao Terrorismo, Peshmerga Curda, Unidades de Mobilização Popular (UGP), bem como o apoio das forças da coalizão e da Rússia.

Foi uma vitória bem merecida e não prematura, como alguns podem descrever. Custou vidas de iraquianos inocentes e a destruição de nossa infraestrutura, de maneira que o preço dessa vitória foi alto.

O governo iraquiano, na hora de combater o Estado Islamita, executou tarefas importantes de mãos dadas uns aos outros: tarefa militar, que consistia em lutar contra a organização terrorista internacional e suas afiliadas; e a outra tarefa, proporcionar um porto seguro ao grande número de iraquianos deslocados, obrigados a deixar suas casas, fornecendo-lhes necessidades básicas ou alimentos, água, serviços médicos e, mais importante, um lugar para viver.

O governo também ajudou um grande número de iraquianos a voltar para casa depois de serem libertados, bem sucedido com a ajuda da UNAMI [United Nations Iraq].

A luta contra o EI reuniu os iraquianos, e os aproximou mais que nunca devido à ameaça contra o Iraque como um todo. Declarar vitória sobre o EI provou que a guerra civil nunca ameaçou o Iraque e nunca ameaçará, devido à integração da sociedade iraquiana entre árabes, curdos, muçulmanos, cristãos e outras minorias que vivem juntas há centenas de anos.

Edu Montesanti: Também tem sido dito que a próxima guerra do Iraque provavelmente será uma civil entre rivais islamitas xiitas. Qual sua visão disso?

Embaixador Haidar Hadi: A última eleição parlamentar, ocorrida em 12 de maio de 2018, foi bem sucedida, e a formação do novo governo em Bagdá foi uma mensagem clara e forte de que todos os partidos políticos, incluindo os partidos islâmicos xiitas, trabalharam juntos para garantir o nascimento do novo governo, o qual testemunhamos em outubro quando a maioria dos deputados deu seu voto de confiança ao novo primeiro-ministro Adil Abdulmahdi, e ao seu ministério.

Edu Montesanti: O EI preencheu um vácuo político e ideológico, quando surgiu no Iraque em 2014. Ainda existe algum vácuo hoje?

Embaixador Haidar Hadi: ‫Os iraquianos praticaram o direito democrático nas últimas eleições parlamentares, que provaram que o Iraque saiu da experiência do EI como uma nação mais forte. Os iraquianos conseguiram derrotar o EI não apenas militarmente, mas também ideologicamente. 

Edu Montesanti: O enviado da ONU ao Iraque, Jan Kubis, disse que o EI continua ativo na fronteira ocidental com a Síria, e no norte do Iraque realizando ataques dispersos em Kirkuk, Salah, Din e Diyala. Ele também afirmou que o novo governo do Iraque planeja intensificar os esforços para erradicar as células do grupo extremista, e introduzir "medidas robustas" para alcançar a segurança sustentável em todo o país.

Como essas medidas serão colocadas em prática?

Embaixador Haidar Hadi: Apesar de declarar vitória sobre o EI, ainda existem pequenos núcleos atuando individualmente, o que mostra a derrota de um EI outrora forte para, atualmente, muito fraco.

Um dos principais alvos do novo governo iraquiano é continuar o trabalho do anterior, com a ajuda e apoio dos parceiros da coalizão bem como da Rússia, para manter a estabilidade sustentável resultante da vitória. 

Edu Montesanti: A Conferência Internacional para a Reconstrução do Iraque mobilizou quase 30 bilhões de dólares adicionais de apoio internacional ao país. "Se compararmos o que temos hoje com o que precisamos, não é segredo, evidentemente é muito menor do que o que o Iraque precisa", disse o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Ibrahim al-Jaafari. O que o senhor achou dessa conferência, e do dinheiro mobilizado para apoiar o Iraque, embaixador Haidar?

Embaixador Haidar Hadi: A conferência que ocorreu no Kuwait em fevereiro passado foi uma mensagem clara de apoio ao Iraque, apesar do resultado decepcionante da conferência.

A delegação russa foi liderada pelo vice-primeiro-ministro com mais de cem empresas, o que mostra o peso do apoio russo. Estamos otimistas diante do apoio dos parceiros para avançar, e fazer parte dos esforços de reconstrução do governo iraquiano.

Na qualidade de embaixador extraordinário e plenipotenciário da República do Iraque junto à Federação Russa, tenho me encontrado com um grande número de empresários russos que demonstraram grande interesse em fazer parte dos esforços de reconstrução.

Nos últimos dias, uma delegação de empresários e investidores russos visitou Bagdá para explorar as  oportunidades de negócios, e se reunir com seus colegas.

Acredito que, nos próximos anos, haverá um aumento nas relações entre o Iraque e seus aliados, especialmente a Federação Russa.

Edu Montesanti: Precise de que maneira o Iraque precisa de cooperação estrangeira para definitivamente vencer o terrorismo do Estado Islamita.

Embaixador Haidar Hadi: O EI é uma organização terrorista internacional, e não uma organização local, por isso o Iraque precisará de apoio e corporação de nossos parceiros regionais e internacionais.

Nós vencemos a guerra contra o terrorismo militarmente, mas continuaremos lutando contra o EI ideologicamente. A próxima guerra será de inteligência. O centro de informações conjunto sediado em Bagdá, que conta com especialistas do Iraque, russos, iranianos e sírios que fornecem informações importantes sobre células terroristas, ainda opera no Iraque para que nossas forças militares possam combatê-las.

Edu Montesanti: Alguns críticos dizem que durante os anos de Saddam Hussein o país estava sob controle, e havia uma política externa mais independente especialmente do imperialismo dos Estados Unidos, argumentando também que o Iraque, naqueles anos, era considerado pela ONU um dos países árabes que mais respeitavam as outras religiões.

Como o senhor responde a isso? O que mudou no Iraque desde a queda de Hussein?

Embaixador Haidar Hadi: Durante o regime de Saddam Hussein, os iraquianos viviam sob o medo de serem processados ou executados por uma simples piada sobre Saddam, ou seu regime.

Em 1991, fui forçado a deixar o Iraque com 21 anos de idade porque um dos meus parentes usou meu próprio carro na província de Najaf, durante a insurreição de 1991. Algumas semanas depois, eu estava na lista de procurados da Saddam porque eles supunham que eu estava dirigindo o carro, e sendo parte daqueles que queriam mudar o regime. Minha única opção foi fugir do país porque talvez não tivesse tido a chance de provar que não era eu quem dirigia o carro.

O regime de Saddam causou ao Iraque três grandes guerras invadindo um país vizinho, e recebeu uma sanção de 12 anos [após a Guerra do Golfo de 1991].

Assim era a vida sob um regime brutal. O Iraque era, ainda é e sempre será um dos países árabes que mais respeitam as religiões.

Então, definitivamente e apesar de todos os desafios que enfrentamos, o Iraque agora está muito melhor que o Iraque de Saddam Hussein.

Edu Montesanti: Até hoje, quantas crianças voltaram do Iraque para a Rússia e países vizinhos, devido à Campanha "Bringing Them Home" [Trazendo-As para Casa], e como está o projeto agora? Segue os mesmos padrões, ou alguma coisa mudou? Como os respectivos países receberam tais crianças? O senhor tem alguma estimativa de quantas crianças permanecem no Iraque para serem mandadas para casa?

Embaixador Haidar Hadi: O governo iraquiano anterior apoiou muito esta questão delicada, e facilitou o procedimento legal a fim de acelerar o retorno das crianças russas aos seus familiares depois que um de seus pais, ou ambos os pais foram mortos em combates ao lado dos combatentes do EI.

Cerca de 25 crianças com idade inferior a 10 anos retornaram para casa, e continuamos resolvendo este problema através dos canais diplomáticos e legais.

As crianças cometeram o crime de entrar no Iraque ilegalmente, de modo que devem deixar o país sob uma multa de 500 mil dinares iraquianos, cerca de 420 dolares devem ser pagos ao governo iraquiano.

O novo governo está empenhado em continuar resolvendo a questão.

 

 
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