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Exclusivo: Entrevista com Akhmad Kadyrov, candidato à Presidência da República da Chechenia

04.08.2003 | Fonte de informações:

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PRAVDA.Ru: A Chechenia está pronta para a eleição? Há quem diga que não vai resultar em nada, enquanto outros dizem que seria uma boa maneira de calar os terroristas. Qual é a sua posição?

Kadyrov: Evidentemente, a eleição é necessária. Contudo, a situação na República não é simples, por causa do regime militar. Devo dizer que as eleições, mesmo nas regiões mais pacíficas, criam sempre uma situação difícil para as instituições do estado, incluindo as forças de segurança.

Em 2001-2002, disse ao Presidente que deveria haver uma eleição logo que terminasse a guerra, quando tínhamos regressado a uma vida normal. Agora vejo que não se pode atrasar mais a eleição.

Precisamos de por fim aos rumores que surgiram em várias partes, que dizem que Kadyrov tem medo de se candidatar, dizem que as autoridades apoiam Kadyrov, fazendo dele Embaixador, depois mufti, depois chefe duma corporação. Estes rumores impedem um bom funcionamento da administração da Chechénia por isso deve haver uma eleição para parar com esses rumores absurdas.

PRAVDA.Ru: De acordo com as últimas sondagens, o senhor está em quarto lugar, atrás do deputado da DUMA Estatal Aslambek Aslakhanov, Ruslan Khasbulatov, antigo Presidente do Conselho Supremo da Federação Russa e o empresário moscovita, Malik Saidullayev. Simultaneamente, está no fundo da lista em termos de confiança. Numa sondagem, 61.5% dos inquiridos afirmaram que definitivamente, Kadyrov não deveria ser Presidente da República da Chechenia.

Kadyrov: Essa sondagem foi encomendado por alguém sem dúvida. No dia 5 de Outubro, iremos ver os reitings de cada um. Além disso posso dizer que as pessoas que conduzem essas sondagens não vivem na Chechenia, não conhecem a realidade nem se sabe a quem perguntaram e como. De acordo com as nossas próprias sondagens, eu é que gozo de 65% de popularidade. Vamos esperar até às eleições e vermos quem é que os chechenos apoiam de facto.

PRAVDA.Ru: Como analisa as hipóteses dos seus opositores?

Kadyrov: O tempo dirá. Não quero ser filosófico acerca da seriedade dos meus concorrentes. Vê-se facilmente o que eles fizeram para a Chechenia e o que eles contribuíram para evitar a guerra. Onde estavam eles em 1997-1999 e o que é que eles faziam quando eu estava lutando contra o Wahabismo? Eu estava vivendo na Chechenia durante todo esse tempo e tenho estado sempre contra os Wahabis, por isso estou na mira deles. As tentativas de assassínio contra mim não foram por acaso. Quem os preparou e porquê? Sempre disse que Wahabismo é inaceitável na nação chechena, somos muçulmanos e não nos convertemos ao Islão Sufi há dois dias. Tentaram forçar uma ideia sobre nós, uma ideia que tinha sido inventado originalmente contra o Islão, embora debaixo da mesma bandeira.

PRAVDA.Ru: Considera que a República da Chechenia deveria ser uma Republica Islâmica?

Kadyrov: Fui contra a introdução dum governo Sharia na República, não por estar contra, porque de facto estou trabalhando muito para que isso seja uma realidade mas eu sei que agora, não estamos prontos. Tem-se de criar outra geração, criada no espírito do islão.

As regulações de Sharia que nos deram eram uma interpretação oriundo do Sudão, aprovadas por Yanderbaiev. Quando Aslan Maskhadov e eu visitámos a Arábia Saudita e encontrámo-nos com os representantes do governo do Sudão, disseram-nos que levara onze anos para instaurar um governo Sharia nesse país. E nós queríamos instalar um governo Sharia num dia?

Além disso, quem está ditando as leis do Islão? Maskhadov e Yanderbaiev? Quem são? Nem sabem as bases do islão, não o compreendem. Estas pessoas propositadamente fomentaram uma política separatista.

Porque está isso acontecendo na Chechenia? Porque o povo checheno é um povo guerreiro. Em segundo lugar, é um povo que confia, confia sempre nos outros mas nunca em nós próprios. Todas as guerras na Chechenia desde os tempos Tsaristas foram começados por outras nacionalidades mas nós nunca tivemos ninguém que se levantasse em nome do povo checheno.

Tiraram as tropas da Chechenia em 31 de Dezembro de 1996. O quê é que fizeram? Abriram as portas para os criminosos de todo o território da Rússia, a antiga URSS e a região. Entraram criminosos de todo o mundo, que não tiveram lugar nos seus países, mas na Chechenia, sim.

Os não-Muçulmanos estavam convertendo-se ao islão. Ser Muçulmano para eles significava deixar crescer uma barba e aprender pronunciar “Salam aleykum”. Que tipo de muçulmano são estes? Eu cresci no seio duma família muito religiosa, aos cinco anos de idade eu lia com facilidade o Qu´ran. Acham que eu posso ficar calmo quando tais pessoas tentam ensinar o islão a mim?

Se Eltsin e Maskhadov assinaram um acordo de paz, por quê é que começaram (os chechenos) a fazer a incursão em Daguestão? Se nós atacamos uma república, membro da Federação Russa, será isso uma Jihad? Nada disso, foi uma provocação para a Rússia começar outra guerra na Chechenia.

Fim da primeira parte da entrevista Traduzido por Márcia MIRANDA

Igor KULAGIN e Peter LAVELLE PRAVDA.Ru MOSCOVO

 
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