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Cáucaso do Norte espera acções enérgicas de Moscovo

03.12.2004 | Fonte de informações:

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Ao mesmo tempo, na região cresce a compreensão do facto de Moscovo dever intervir mais enérgica e eficazmente nos problemas caucasianos, porque as elites locais são incapazes de tomar sérias decisões positivas, estando mais preocupadas com a redistribuição dos bens.

São possíveis três variantes de desenvolvimento da situação na região.

A primeira, que parece mais um milagre: a situação na Chechénia será regularizada, as elites locais (caucasianas) irão trabalhar à medida das suas forças obtendo prestígio entre a população ou o Kremlin irá concordar com a chegada de novas elites ao poder. Em resultado, começarão a resolver-se os problemas sócio-económicos, em particular o desemprego.

Mais um cenário, o mais provável, é a estagnação em todas as esferas - económica, política e social. Há já muitos anos que a situação no Cáucaso do Norte não sofre quaisquer sérias transformações. Mais do que isso, é sempre acompanhada de crises, que, infelizmente, já se tornaram habituais para todos. Esta tendência irá continuar - explosões permanentes numa ou outra orientação, regularização paliativa de conflitos e depois tudo de novo. Observamos este cenário agora, quando depois de um período de extraordinária tensão ligada às eleições na Chechénia, incursão na Inguchétia e acontecimentos em Beslan e Karachaevo-Cherquéssia, começou um período de calma. O baixo nível de desenvolvimento económico, o desemprego, os problemas sociais e a incapacidade das elites locais - tudo isso continua a servir de uma fonte de escalada de conflitos no Cáucaso do Norte.

Contudo, não podemos excluir a terceira variante de desenvolvimento dos acontecimentos, a mais trágica, conforme a qual no Cáucaso do Norte irá deflagrar um conflito de envergadura, que pode ser provocado por variadas e mais do que suficientes causas. Entre elas, as relações tensas entre os inguches e ossétios, a situação na Karachaevo-Cherquéssia e no Daguestão em que agravaram as contradições étnicas e continua actual o problema do islão radical, não se sabendo quem dirigirá a república depois das próximas eleições. Nesta variante o "factor checheno" poderá desempenhar um papel ainda mais desestabilizador. Não se tem a certeza absoluta que o cenário de "catástrofe" pode vir a verificar-se, mas ele é possível.

É exactamente o perigo do desenvolvimento de uma crise de envergadura que incita Moscovo a empreender medidas enérgicas para regularizar a situação na região. O conflito checheno por si não influi praticamente nos "rankings" do presidente da Rússia e outros políticos. Assim, depois do sequestro da escola em Beslan (que foi uma ressonância da campanha chechena) o "ranking" do presidente baixou apenas em 4%, enquanto após o afundamento do submarino "Kursk" ele caiu aproximadamente em 10 por cento. Mas a situação será diferente, se explodir todo o Cáucaso do Norte. Neste caso, o prestígio de Putin e da sua equipa pode diminuir significativamente.

A probabilidade deste cenário pode obrigar o Kremlin a procurar novas vias, possivelmente originais, da solução do problema checheno e de outros problemas regionais.

Um novo momento é a designação de Dmitri Kozak como representante plenipotenciário do presidente no Distrito Federal do Sul. Ainda não se sabe para que Kozak foi nomeado para este cargo tão pouco cómodo - ou para afastá-lo da cena política sob o peso dos problemas insolúveis ou de facto para estabilizar a situação. Provavelmente, a designação de Kozak deverá de facto contribuir para a resolução da crise política, económica e social no Cáucaso do Norte. A sua conduta nos primeiros dias e até horas da crise na Karachaevo-Cherquéssia prova que o novo representante do presidente está disposto a intervir activamente nos acontecimentos na região que lhe foi confiada e resolver os problemas que ali surgem.

Kozak destaca-se vantajosamente entre todos os precedentes emissários de Moscovo no Cáucaso, as pessoas estão dispostas a falar com ele no local e ele por enquanto não perdeu o seu prestígio na região. Levando em conta que, no caso de êxito, o cargo de representante plenipotenciário pode tornar-se um trampolim para o seu futuro ascenso político, podemos esperar de Kozak os passos e propostas mais inesperadas.

Para além disso, para a estabilização no Cáucaso do Norte deve contribuir também a Comissão para o Restabelecimento da Esfera Social e Economia da República Chechena, dirigida pelo ministro do Desenvolvimento Económico e Comércio, Guerman Gref. Pergunte-se, porém, em que grau será eficaz esta comissão?

Em qualquer caso, por enquanto é prematuro avaliar as acções de Kozak e Gref. Como mostra a prática, o fim de Outono e Inverno é o período em que a vida política e militar no Cáucaso do Norte se acalma. Por outro lado, os habitantes da região estão simplesmente cansadas nos últimos tempos. Precisam de tempo para sobreviver às consequências dos acontecimentos trágicos e recobrar as forças. Moscovo, porém, tem tempo e possibilidades(embora muito fracas) para acabar com a crise permanente na região. Os primeiros resultados da nova política de Moscovo e das reflexões dos próprios habitantes do Cáucaso do Norte podem tornar-se evidentes na Primavera de 2005.

Aleksei Malachenko membro do Conselho Científico do Centro Carnegie de Moscovo professor do Instituto de Relações Internacionais do MNE da Rússia © RIAN

 
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