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Super Agente da Inteligência Russa Completa 80 Anos

03.12.2002 | Fonte de informações:

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George Blake ocupa um lugar de destaque na história do Serviço de Inteligência russo e tem a fama de lenda viva, tendo sido o primeiro a receber o mérito do Serviço de Inteligência assim que esta foi instituída.

Blake protagonizou os esforços da contra-espionagem soviética para a neutralização de uma das mais confidenciais operações dos serviços secretos americanos e britânicos, da CIA e do Secret Intelligence Service (SIS), dos tempos "guerra-fria", mais conhecida como operação "Gold".

Que operação foi esta? Pelo território do sector oriental de Berlim, que se encontrava sob jurisdição da República Democrática da Alemanha, passava, muito próximo do sector ocidental, sob a responsabilidade da Alemanha Federal, uma linha subterrânea de transmissões governamentais e militares da RDA. Os norte-americanos abriram, nas imediações, um túnel equipado de aparelhagem de escuta.

A operação foi executada а maneira típica dos norte-americanos: segredo absoluto, investimentos astronómicos e aparelhagem sofisticada de fabrico britânico. Toda esta infra-estrutura, caso tivesse sido posta em pleno funcionamento, proporcionaria aos serviços secretos estrangeiros informações tão valiosas que nenhum super-agente, por mais esperto que fosse, poderia obter. Graças aos esforços do agente Blake, que trabalhava no SIS e tinha sob a sua responsabilidade a rede de agentes britânicos na RDA e na Checoslováquia, a inteligência soviética acompanhou desde o início a operação "Gold", sem a mínima intenção de interrompe-la até conhecer todos os seus pormenores e objectivos, controlando as conversações passadas pela linha secreta e admitindo, contudo, fugas controláveis de informações para não casuar suspeitas aos donos do túnel. Assim continuou bastante tempo até que chegou o momento de terminar o jogo. Um belo dia de Abril de 1956, os operadores de equipamento de escuta americanos ouviram, de repente, vozes altas do outro lado do túnel, ou seja, a partir do território da Alemanha Democrática. O pânico que invadiu o pessoal americano foi tão grande que ele fugiu desordenadamente sem poder destruir o equipamento. A versão oficial foi a de que as "equipas de reparação" soviéticas, que haviam sido chamadas para esclarecer a causa de uma alegada falha das comunicações pela linha secreta, teriam descoberto o túnel por puro acaso.

A traição, como acontece muitas vezes, interrompeu o serviço de Blake. Ele foi preso e condenado a uma pena de dois anos de prisão a cumprir na penitenciária britânica de "Wormwood Scrubs" de onde, aliás, escapou e, com a ajuda de amigos seus, saiu da Grã-bretanha. Blake reside agora em Moscovo e lecciona na escola dos serviços secretos russos, viajando muito por várias cidades russas com ciclos de conferências sobre o seu serviço em Londres e Berlim, no movimento de resistência holandesa nos anos da Segunda Guerra Mundial e as suas aventuras na prisão "Wormwood Scrubs" que é de alta segurança e de onde ninguém conseguiu evadir-se, a não ser ele.

A unidade da polícia de fronteiras estacionadas em Murmansk, no norte da Rússia, atribuiu, por brincadeira, a Blake o título de fura-fronteiras depois de ele ter contado como, ao se evadir da prisão, atravessou, agachado dentro de um contentor clandestino armado numa carrinha particular, as fronteiras nacionais da Grã-bretanha, Bélgica, Alemanha Federal e Alemanha Democrática.

Blake é casado, em segundas núpcias, com uma russa, tem um neto de sete anos, chamado Ilia, mantendo igualmente contactos com os filhos do primeiro casamento, na Grã-bretanha. Costuma brincar: "sou um carro importado bem adaptado às auto-estradas russas".

© RIAN

 
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