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Nem sempre a OTAN pode ter tudo que quer...

02.06.2015 | Fonte de informações:

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O cerne da questão na já mítica reunião do dia 12 de maio no Kremlin entre o presidente Putin e o secretário de Estado dos EUA John Kerry é que, depois de uma torrente de demonização da Rússia, pelos EUA, um acordo, alguma espécie de acordo, no mínimo, pode ter sido alcançado. Desnecessário dizer que nenhuma fonte oficial, nem em Washington nem em Moscou, confirmará.

Imperativos geopolíticos fazem supor que Kerry - nada além de leva-e-traz dos verdadeirosMasters of the Universe no Departamento de Estado - pediu que Putin "ajudasse" no ex-"Oriente Médio Expandido" inventado pelos EUA, e que facilitasse o processo que pode levar a um acordo que parece iminente no P5+1, sobre o programa nuclear do Irã.

Putin disse a Kerry que negócio fechado, desde que aquela histeria sobre a Ucrânia sumisse completamente imediatamente.

Não há prova material - por enquanto - de que Washington esteja disposta a admitir, afinal, mesmo que só tangencialmente, que cometeu monumental tolice geopolítica na Ucrânia; o aprofundamento da parceria Rússia-China, que se constituiu e já dá frutos à velocidade da luz, é apenas um dos efeitos chaves daquela tolice. O fim das sanções seria evento sem precedentes em solo (da Eurásia). 

Em vez disso, por enquanto, o que se tem é a usual promoção de guerra a qualquer custo, pela OTAN - remix.

"Perigoso jogador!" 

O general Hans-Lothar Domröse, comandante da Força Conjunta Aliada Brunssum, da OTAN, está convencido de que a Rússia é "uma ameaça"; que Putin não passa de "perigoso jogador"; e que os russos "consideram possível usar armas nucleares táticas para assim iniciar uma guerra. Nós [a OTAN], não."

Herr General mente, é claro - nos dois lados (que Moscou quer usar armas nucleares; e que a OTAN não quer). Pelo menos foi forçado a admitir que a OTAN não vê a Rússia como inimiga; no máximo, como "ameaça" potencial.

A narrativa prossegue - monotonamente - sempre a mesma. No início desse mês, o manda-chuva da OTAN, general Philip Breedamor - melhor dizendo, Breedraiva - acusou a Rússia de fazer ameaças nucleares "irresponsáveis". Além disso, o general Breedraiva nunca perde a ocasião de repetir mentira das gordas, sempre acusando a Rússia de ter cometido a proverbial "ofensa" no Donbass e de "violar" Minsk-2. A verdade é que todas as ofensas e/ou violações vêm de Kiev.

O secretário-geral da OTAN, o patético norueguês desdentado Jens Stoltenberg, não deixa passar nenhuma ocasião de 'declarar' que "a Rússia usará armas nucleares". Insiste que o sistema de mísseis de defesa da OTAN não está orientado contra a Rússia (é mentira), e que a OTAN não quer confronto (é mentira). 

Todo esse pandemônio sobre armas nucleares baseia-se no que o Diretor do Departamento de Não Proliferação e Controle de Armas do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Ulyanov, disse, numa conferência revisora do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que o que Washington está urdindo poderia - palavra chave aí é "poderia" - levar Moscou a decidir ampliar seu arsenal nuclear.

Ulyanov logo na palavra seguinte já disse que Moscou não fará nada disso. Mas não adiantou. A parte que não interessa à OTAN sempre, inevitavelmente, se perde na tradução.

Permanece também o fato de que, enquanto EUA/Pentágono/OTAN falam - ou correm de um lado para outro em perfeita alucinação -, Moscou vai silenciosamente se preparando para proteger o território russo contra qualquer coisa que os militares dos EUA possam disparar para lá, inclusive um Prompt Global Strike (PGS).

E manobre a OTAN quanto quiser, a Rússia sempre reage à altura, muitas vezes com exercícios militares de surpresa. Se a OTAN lança seu maior jogo de guerra da história bem ali junto às fronteiras russas - pura provocação -, Moscou reage com jogos de guerra no Mediterrâneo, em ação coordenada com o Exército Popular de Libertação, o chinês. Mais uma instância da parceria estratégica, faça chuva, faça sol, entre Rússia e China.

Verão nuclear, alguém se interessa?

Inevitavelmente, a incansável incitação à guerra, ação do Pentágono, tinha de se estender também à China. E o jornal Global Times - ecoando certamente a visão predominante dentro do Exército de Libertação Popular - respondeu na hora, alertando que "a guerra é inevitável", se Washington insistir em 'exigir' que Pequim pare de construir ilhas artificiais no Mar do Sul da China.

Na sequência, mais um moinho lança ao vento incontáveis provocações de guerra, empurrado adiante pelos suspeitos de sempre do turbocapitalismo da tribo de George Soros, que sopram as chamas histéricas de 'a-guerra-está-chegando' e chegam a perguntar quantas nações do fragmentado "Ocidente" Washington conseguirá arregimentar para a guerra não só contra a Rússia, mas também contra a China.

E isso, quando os generais norte-americanos da OTAN não conseguem convencer as nações membros a gastar, com a Defesa, nem 2% dos respectivos PIBs.

Seguindo a mesma deixa, há também um tuíto de John Schindler, ex-Agência de Segurança Nacional e ex-professor da Academia de Guerra Naval dos EUA, devidamente ampliado pela máquina de gerar boatos. Schindler insiste que um alto agente da OTAN (não norte-americano), disse a ele que "No próximo verão estaremos provavelmente em guerra. Se tivermos sorte, não será nuclear". 

Quer dizer que os Drs. Fantásticos lá em Bruxelas, em vez de sol & festa na Costa Brava, estão-se "preparando" para um Bravo Verão Nuclear. 

Longe vão os dias quando qualquer infração direta ao dictum excepcionalista - "se não gostamos de você, bombardeamos você" - era assunto resolvido. Hoje, só lhes resta um pequeno Mare Nostrum onde promoverem o medo, para os generais da OTAN cevadores de ódios, como os Breed-raiva. *****

29/5/2015, Pepe Escobar, SputnikNews

 

 
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