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Artigo de Vladimir Putin

01.03.2006 | Fonte de informações:

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“G-8” a Caminho da Cimeira de São-Petersburgo: Desafios, Possibilidades, Responsabilidade

Com a chegada do ano 2006, a Rússia assumiu a sua vez da Presidência no “G-8”. Compreendemos bem como é sério este trabalho e alta a responsabilidade. Temos em frente não só grande actividade organizativa. O principal é que teremos que apresentar para discussão e definir em conjunto com outros as vertentes prioritárias e substantivas do trabalho deste prestigiado forum. O Fórum que, no decorrer de mais de trinta anos, tem sido um dos mecanismos-chave para concertar as atitudes para com soluções dos problemas mais importantes do desenvolvimento mundial.

Propómos a parceiros concentrarmos nos três temas sérios e actuais – a segurança energética global, a luta contra as doenças contagiosas e a educação. Estas prioridades visam atingir o objectivo que é compreensível, conforme queremos crêr, para todos os nossos parceiros, – aumentar a qualidade e o nível de vida das pessoas, tanto da geração actual como das futuras.

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Sem dúvida, uma das tarefas estratégicas do “G-8” e da comunidade internacional em geral é a criação do sistema seguro e universal da segurança energética. O ramo global de energia hoje em dia representa a mais importante força propulsora real do progresso económico e social. É precisamente por isso que ela influencia directamente o bem-estar de milhares de milhões dos habitantes do planeta.

Temos a intenção de procurar decididamente alcançar o objectivo de que durante a Presidência da Rússia seja possível não só elaborar atitudes básicas visando superar os problemas correntes neste dominio, mas também definir a nossa política concertada para a perspectiva.

A instabilidade nos mercados de produtos hidrocarbónicos está a criar hoje uma ameaça real para o fornecimento global da energia. Nomeadamente, aumenta a discrepância entre a procura e a oferta. É evidente o crescimento do consumo dos recursos energéticos nos países da Ásia. Tal situação resulta não só das “oscilações“ da conjuntura económica, mas também de uma série de outras causas que se situam na área da política e da segurança. Para “equilibrar” a situação neste domínio é necessário que toda a comunidade internacional trabalhe em coordenação.

O ponto de partida desta nova atitude dos países líderes mundiais deverá ser o reconhecimento do facto de, já que o ramo energético tornou-se global, a segurança energética é indivisível. O destino energético comum significa a responsabilidade comum, os riscos e as vantagens comuns.

Consideramos que é particularmente importante formar a estratégia para alcançar a segurança energética global. Devem servir de seu fundamento os princípios do fornecimento energético duradouro, seguro, ecologicamente aceitável, a preços fundamentados e aceitáveis tanto para países-exportadores como para consumidores.

Além da harmonização dos interesses dos participantes na interacção energética global, há que definir medidas prácticas visando assegurar o abastecimento estável da economia mundial de recursos energéticos tradicionais, a implementação mais activa de programas de poupança de energia e de utilisação de fontes alternativas de energia.

O abastecimento de energia equilibrado e uniforme representa sem dúvida um dos factores dum mundo com segurança. Aliás não é só no presente como também será no futuro. E nós temos a responsabilidade de deixar para as nossas futuras gerações uma tal “arquitectura” do ramo energético mundial que os preservará de conflitos, de formas pouco construtivas da luta pela provisão de energia. Por isso é tão importante encontrar posições comuns relativamente à construção dum eficaz “fundamento energético” da civilização para a perspectiva de longo prazo.

Neste contexto a Rússia pronuncia-se a favor duma conjugação mais estreita de esforços do “G-8” e de toda a comunidade internacional com vista a dominar tecnologias de inovação. Isso poderia constituir a primeira etapa na criação duma base tecnológica para o abastecimento da energia para a humanidade do futuro, quando acabar em termos gerais o potencial energético na sua forma actual.

A elaboração duma atitude sistémica em relação ao aumento da eficiência energética do desenvolvimento económico e social também servirá para a segurança energética global. Os passos importantes nesta direcção foram feitos pelo “G-8” no ano passado em Gleaneagles. Trata-se, antes de mais, da aprovação do Plano de Acção que visa incentivar as inovações, a poupança da energia e a protecção do meio ambiente. Consideramos ter a importância de princípio que sejam envolvidos nas iniciativas do “G-8” e, nomeadamente, na implementação do documento aprovado em Gleaneagles, os países que não fazem parte do “G-8”, especialmente os estados que estão em vias de rápido crescimento e industrialização.

No entendimento da maioria, a segurança energética está principalmente ligada aos interesses dos países industriais desenvolvidos. Todavia não se deve esquecer que actualmente cerca de 2 mil milhões de pessoas no nosso planeta não recebem serviços energéticos modernos. E muitos nem sequer têm possibilidade de utilizar energia eléctrica. Eles são, de facto, privados de acesso a muitos bens e frutos da civilização.

Claro que o ramo energético por si só não resolve o problema da pobreza. Contudo a falta de recursos energéticos em umas ou outras regiões está a travar consideravalmente o crescimento económico, e a sua utilização pouco racional pode levar a uma catástrofe ecológica, e esta não teria proporções locais mas sim seria de escala global.

Ultimamente os peritos tem discutido intensamente perspectivas do aumento do consumo energético nos países em desenvolvimento por conta da utilização mais activa de fontes não tradicionais. E aqui ganha uma especial actualidade a ajuda do “G-8” na criação e na introdução de instalações energéticas alternativas.

Em geral, é necessário compreender e reconhecer em conjunto que no mundo contemporâneo, muito interdependente, o “egoismo energético” representa a vía sem saída. E por isso a posição da Rússia em matéria da segurança energética continua a ser firme e inalterada.

Conforme a nossa profunda convicção, a redistribuição da energia só na base das prioridades de um grupo reduzido dos estados mais desenvolvidos não corresponde aos objectivos e às tarefas do desenvolvimento global. Nós vamos procurar alcançar a formação de um tal sistema de segurança energética que tenha em conta os interesses de toda a comunidade internacional. É suficiente para a Humanidade, em termos gerais, formar um potencial equilibrado para garantir o abastecimento energético sustentável de todos os estados, e a cooperação internacional abre todas as possibilidades para o efeito.

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No decorrer de toda a sua história a Humanidade tem sido forçada a lutar contra uma real ameaça à sua sobrevivência – a ameaça da propagação de doenças infecciosas. Pode parecer que o progresso alcançado inspira a esperança: em todas as áreas está definitivamente liquidada a varíola, a luta contra a poliomielite está a chegar à sua última fase. Porém, também nos nossos dias enfrentamos tanto explosões de doenças já conhecidas como tais novos males extremamente perigosos como SIDA, febres hemorrágicas exóticas provocadas por víruses, infecções por micoplasmose, a “gripe das aves”. As doenças contagiosas hoje em dia representam a causa de uma morte em três no mundo. Na opinião dos peritos, é provável a ameaça do surgimento nos próximos anos de uma nova gripe pandémica capaz de ceifar milhões de vidas.

A Rússia tem a intenção de propôr dinamizar o trabalho nesta vertente. Inclusive – aprovar um plano operacional de acção do “G-8” na luta contra a “gripe das aves” e na prevenção de uma nova pandemia da gripe humana.

Em geral, o “G-8” não pode e não deve estar fora de problemas de tão grande escala como a luta contra as doenças infecciosas. A diferença existente nos níveis do desenvolvimento dos sistemas de saude pública, bem como as possibilidades financeiras e o potencial científico desiguais na área da luta contra epidemias estão na base da distribuição desigual de recursos globais destinados à luta contra as infecções.

Propagando-se com uma intensidade diferente em diversas regiões do mundo as doenças contagiosas mostram de forma clara, como um indicador, os problemas sociais e económicos, reforçam a desigualdade social, contribuem para a discriminação. Deste modo, é extremamente grave o problema das pessoas infectadas com o vírus HIV e outras doenças perigosas, os quais de facto tornam-se excluídos e além da sua doença enfrentam dificuldades de adaptação à vida plena na sociedade.

Mais um elemento de princípio. Nos últimos anos a Humanidade tem sentido frequentemente na sua prórpia pele a força destrutiva de terramotos, inundações, tsunami. A urbanização, o alargamento das redes de transportes e da infraestrutura industrial fazem-nos muito mais vulneráveis a estes ataques de calamidades naturais do que antes. Estas não só afectam substancialmente a economia e a área social. O maior perigo representam provocadas por estas calamidades explosões de doenças infecciosas que levam milhares de vidas. Por isso consideramos a criação de um sistema global de prevenção e luta contra as consequências epidemiológicas das catástrofes naturais ser a outra tarefa prioritária.

Também poder-se-ia pensar na possibilidade de formarmos uma infraestrutura única capaz de reagir rapidamente ao surgimento e à propagação de epidemias. Uma tal infraestrutura deve incluir um sistema de monitorização, intercâmbio de informações e de metodologias científicas, sistema este capaz de reagir rapidamente em caso de situações de emergência.

A causa de muitas doenças em massa está também nas tais chamadas crises humanitárias, ligadas nomeadamente a conflitos militares. Um dos seus resultados é que cresce várias vezes a ameaça de surgimento de focos epidemiológicos. Estou convicto que o “G-8” tem condições para consolidar os esforços internacionais na solução de situações de emergência semelhantes, dar um forte impulso à interacção multilateral neste domínio.

E, com certeza, é necessario que o “G-8” continue também no futuro a contribuir para o incremento do potencial científico, unir os recursos intelectuais e materiais da comunidade internacional para a criação de novas vacinas seguras, de meios promissores de diagnóstico de alta precisão de doenças infecciosas, de realização de programas de prevenção e esclarecimento.

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As nossas tarefas comuns no domínio do ensino merecem séria atenção. Na sociedade de informação pós-industrial a educação torna-se num factor obrigatório para bem suceder na vida, num recurso importante do desenvolvimento económico. A educação é um dos principais factores do crescimento da autoconsciência social, dos valores éticos e do fortalecimento da democracia. Além disso, à medida do aperfeiçoamento das tecnologias o mercado do trabalho prefere especialistas cada vez mais qualificados, o que resulta num aumento permanente de exigências para com o próprio sistema de ensino. Em consequência mudam os seus objectivos e o conteúdo. Hoje em dia uma pessoa não só precisa ter uma certa “soma” de conhecimentos e habilidades, é necessário estar pronto para continuamente enriquecê-los, adaptá-los para as novas exigências.

O acesso ao espaço de informação global muda de raíz as próprias metodologias de ensino. Passa-se à formação contínua. Estão a formar-se as condições prévias para a formação de um espaço educativo comum. Está claro que essas tendências ganham força em primeiro lugar nos países desenvolvidos. Ao mesmo tempo em muitos estados e regiões continua a agravar-se o problema de acessibilidade mesmo do ensino primário. Vemos isso como uma verdadeira “catástrofe humanitária”, como uma séria ameaça para a comunidade mundial. É que a iliteracia em massa é o meio que alimenta os ideólogos da cisão intercivilizacional, da propaganda da xenofobia, do extremismo étnico e religioso. No final das contas – das actividades terroristas internacionais.

Em vista disso, é importante formular uma atitude mais ampla e sistémica para com a educação tanto nos países em desenvolvimento como no mundo em geral. Nomeadamente, para resolver com sucesso o problema de emprego, o termo “educação” talvez deveria incluir não só a preparação geral mas também técnico e professional, abrangendo todos os níveis de ensino – do primário até o superior.

Nas condições de uma crescente mobilidade da população do nosso planeta e de um aumento constante dos processos migratórios ganha especial importância o problema da “adaptação” num outro meio cultural. É evidente que é a educação que pode assegurar a adaptação social recíproca de diversos grupos culturais, étnicos e confessionais. Por isso é preciso dar especial atenção à modernização de sistemas educativos visando cumprir estas tarefas tento nos países desenvolvidos como nos em vías de desenvolvimento.

Muitos países em desenvolvimento sentem sérias dificuldades na implementação de métodos avançados de ensino e das tecnologias de informação. Em vista disso no domínio da educação é necessário utilizar de uma forma mais produtiva os recursos mais modernos incluindo Internet e outros novíssimos meios de divulgação da informação e de conhecimentos. Uma conversa frutífera sobre este tema teve lugar em Novembro do ano passado na Tunísia no decorrer da segunda etapa do Encontro mundial sobre a sociedade de informação, cujas conclusões estamos a analisar com atenção e temos a intenção de aproveitar.

A Russia está disposta a contribuir para a junção dos esforços da comunidade mundial visando aumentar a qualidade e a compatibilidade dos requerimentos para com ensino professional como uma condição-chave para a utilização e a divulgação de inovações. É nos interesses de todos os sujeitos do desenvolvimento económico global, do mercado internacional de trabalho em geral. A abertura dos institutos de ensino face os requisitos dos sectores de alta tecnologia constitui uma condição necessária da competitividade das economias nacionais.

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A par das três prioridades referidas da agenda da Presidência russa, em 2006 no “G-8” prosseguirão também trabalhos em tais vertentes-chave como a luta contra o terrorismo internacional e contra a proliferação das armas de destruição maciça. Continuarão a estar no centro das atenções do “G-8” os problemas da assistência para o desenvolvimento, bem como da prevenção da degradação do meio natural, das questões actuais da economia, finanças, comércio mundiais. E, com certeza, os nossos esforços como antes serão concentrados na regularização de conflitos regionais, em primeiro lugar no Médio Oriente e no Iraque, na estabilização da situação no Afeganistão.

Bem compreendemos que nenhum país-presidente está em condições de dar respostas exaustivas para os problemas do mundo contemporâneo em discussão no “G-8”. Ao mesmo tempo, de Cimeira a Cimeira, em resultado do trabalho colectivo o “G-8” ganha uma visão cada vez mais nítida destes problemas e intenta descobrir atitudes mais eficientes para soluciona-los.

A Rússia está disposta a contribuir activamente para o maior avanço neste caminho. A continuidade e a evolução são um lema da Presidência da Rússia que está a começar.

Vladimir Vladimirovich Putin Presidente da Federação Russa

 
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