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G8: Rússia na liderança

01.01.2006 | Fonte de informações:

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Hoje a Federação Russa assume pela primeira vez a Presidência do G8 (Alemanha, Canadá, EUA, Federação Russa, França, Itália, Japão, Reino Unido) – uma hipótese para Presidente Vladimir Putin sublinhar a importância da Rússia como um jogador chave no palco internacional, como parte de um processo contínuo do crescente prestígio que este país tem gozado desde que ele tomou controlo do seu destino há seis anos.

O novo papel desempenhado pela Federação Russa permitirá a este gigante a hipótese de assumir a sua posição merecida como jogador principal na cena internacional relativamente às suas políticas quer externas, quer internas.

Quanto à política externa, o Kremlin poderá realçar o papel da Rússia como defensor de uma abordagem multi-lateral para a resolução de crises, baseado nos termos da lei e não emmentiras, decepção e chantagem e utilizando o Conselho de Segurança da ONU como o fórum para diálogo, discussão e debate e não a beligerância, prepotência, a Bíblia e a bala. Enquanto alguns países sem quaisquer complexos quebraram a lei internacional, quebraram os termos da Carta da ONU e quebraram os termos das Convenções de Genebra, na perpetração dos mais chocantes actos de chacina, Moscovo, juntamente com Beijing, Berlim, Brasília, Paris e outros, evocou constantemente a necessidade de uma ordem mundial baseado na lei internacional e respeito pelos termos dos tratados, cartas e convenções assinados.

A Rússia poderá também tomar a oportunidade de apresentar as suas reservas importantes de petróleo e gás como um bem estratégico para o futuro, no qual dependerão algumas das maiores economias no mundo.

Internamente, a Rússia beneficiará do factor “bem-estar” quando os seus cidadãos vêem os recursos do seu país controlados por russos e não estrangeiros e quando vêem o seu país no limiar dos negócios estrangeiros e não nos bastidores, gozando do estatuto que tinha no tempo da União Soviética.

As questões

Uma das principais questões a ser abordada durante a presidência russa é o sector de energia. Presidente Putin já declarou que a Rússia favorece negociações que providenciam termos beneficiais aos produtores e consumidores; a diversificação das fontes de energia, incluindo um reforço da procura para recursos ecológicos e o desenvolvimento de novas tecnologias na exploração deste sector; medidas para melhorar condições de armazenamento e transporte de combustíveis; o desenvolvimento de energia nuclear.

Outras questões na agenda continuarão a ser as que foram discutidas durante a presidência do Reino Unido, nomeadamente a luta contra o terrorismo internacional; o sector de saúde e medidas para combater SIDA, TB e malária; a não proliferação; gestão de crises para conflitos e apoio para países em desenvolvimento – aqui Presidente Putin focará a atenção da comunidade internacional na situação vivida em várias repúblicas ex-Soviéticas (estados que antigamente viviam em tempos dourados na União Soviética mas que sob o modelo de capitalismo monetarista e economias orientadas para um mercado agressivo, se vêem num pesadelo sem fim).

Imprensa hostil

A média ocidental continua o ataque contra a Rússia, alguns órgãos com uma hostilidade que aproxima a histeria. Por exemplo, a referência ao líder terrorista Aslan Maskhadov como “Presidente dos rebeldes chechenos”, uma designação que poderia justamente ser comparada a chamar a bin Laden um herói de libertação anti-imperialista. Outros reclamam contra o que designam “apoio russo ao Irão” – mas de facto Moscovo limita-se a garantir que Teerão gere o seu programa de energia nuclear de acordo com os termos da lei internacional.

E se o Irão tivesse declarado que o Iraque tinha armas de destruição massiva e tivesse lançado uma invasão ilegal, perpetrando actos de tortura e massacrando dezenas de milhares de civis? Quais teriam sido as consequências?

É neste mundo desequilibrado e unipolar, em que uma mão cheia de nações anglo-saxónicas têm uma noção inflada da sua própria importância, que a Rússia, como Presidente dos G8, tem a hipótese – e a obrigação – de deixar sua marca em 2006.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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