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Quinze anos do Foro de São Paulo

30.05.2005 | Fonte de informações:

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Este fenômeno afetou a maioria de Partidos Comunistas de diferentes partes do Planeta. Poucos mantiveram firmes suas convicções Marxistas-Leninistas e a meta de construir o Socialismo. Na América, necessariamente há que reivindicar a Cuba por sua firmeza ideológica e por seguir construindo o Socialismo. Este era o panorama quando no Brasil o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou a formidável idéia de criar um espaço político para congregar as diferentes tendências democratas e revolucionárias. Diversos Movimentos e Partidos, assim como o Governo de Cuba, aceitaram participar. A agenda foi cumprida em 1990, em São Paulo, onde se pôs em marcha a nova organização, ampla, democrática, pluralista deliberativa e multinacional: O Foro de São Paulo.

Quinze anos depois podemos dizer que foi um acerto. Durante este período sucederam fatos muito importantes na vida política, econômica e social de nosso Continente. Os heróis, pensadores e lutadores pela liberdade, pela dignidade e pela independência que deram sua vida por tão alto ideal, renasceram. Sim, renasceram Bolívar, José Martí, San Martín, Sandino, Farabundo Martí, Artigas e Lautaro, entre outros, e vivem no pensamento e no coração de milhões de latino-americanos.

O exemplo e as idéias de nossos heróis inspiram os povos na construção da Nova América, digna, democrática, justa, soberana, que garantirá o futuro aos homens e mulheres que tivemos a sorte de nascer neste Continente e a ousadia de enfrentar o Imperialismo Ianque, inimigo da humanidade.

Vejamos a Cuba: Havendo superado o período especial, que levou o povo a demonstrar até onde é capaz de sacrificar-se, se encaminha hoje para a construção do país que sonhou Martí. Ninguém apostava um doce, a potência mais inumana da história descarregou todo o peso de sua ignomínia, com um bloqueio que dura já quarenta e seis anos; os países satélites do Imperialismo se somaram ao bloqueio e a União Européia se solidarizou com o Império. Todos quiseram acabar com o regime de Cuba, porém todos fracassaram.

Os amigos outrora solidários miram com curiosidade sua passagem de vencedora. Como é possível que, nessas condições, o país se esteja desenvolvendo, a indústria crescendo, o comércio florescendo, a educação e a saúde continuam gratuitas para todo o povo, e em boa hora aumenta pensões e salários que, em muitos casos, ultrapassam 100%! Os incrédulos têm que crer, os apáticos reagirem e os reacionários morrerem de inveja e frustração. Aí estão os fatos.

Agora, Venezuela: Em poucos anos o povo fez seu o pensamento bolivariano e com força inusitada varre as injustiças geradas pela grande oligarquia assassina e voraz e o imperialismo. Em poucos anos o povo já alcançou metas não vistas em toda a história da Venezuela: As Missões de educação, saúde, as leis que regulamentam a participação do povo no manejo do país, a Lei de Terras que erradicará a propriedade feudal, todas as obras do povo e seu Governo bolivariano encaminham a Venezuela para um Socialismo autóctone que não copia, senão que cria sobre a base das experiências adquiridas. Ademais, vemos a este país liderando a integração latino-americana como a sonhou Bolívar. As tentativas do Império e da grande Oligarquia para derrocar a Chávez fracassaram. A revolução bolivariana segue adiante, sem dúvida, porque conta com um povo consciente que a respalda.

Brasil, o gigante do Continente: Em situação desvantajosa, chega o PT ao Governo, sem uma maioria parlamentar, sem uma maioria de votos, pois só alcançou 20% dos sufrágios depositados nas urnas, com os meios de comunicação contra, o presságio de que não passaria do primeiro ano, já que a governabilidade não seria possível, a economia seria um desastre, pois ninguém investiria num país manejado por um operário. Todos estes cálculos fracassaram e hoje o Brasil se encontra em pleno desenvolvimento econômico e social, demonstrando que se pode manejar um país sem ajoelhar-se ante o Fundo Monetário Internacional, que a economia se pode desenvolver sem depender dos EUA.

Argentina, emerge de uma crise profunda causada pela política neoliberal e nada mais do que com negar-se a pagar a dívida total a uns prestamistas logra seguir adiante com um crescimento econômico que não havia tido nos últimos anos.

Uruguai, o povo castigou os oligarcas dos Partido Blanco, Nacional e Colorado, que foram os que torturaram, assassinaram, desapareceram e afundaram o povo na miséria. Hoje, a Frente Ampla se prepara para construir um país justo e digno.

Equador, pela quarta vez o povo desaloja da presidência ao governante de turno que não foi capaz de, pelo menos, projetar as profundas transformações que necessita o Equador.

Bolívia, se encontra em meio a uma grave crise e se fortalecem as forças que, em curto tempo, podem levar a um de seus mais conceituados líderes, defensores de seus direitos. Os povos de Chile, Nicarágua, El Salvador e México buscam penosamente como derrotar as oligarquias vende-pátrias que sempre os governaram.

Colômbia, é um laboratório do Imperialismo. Ali se continua aniquilando as organizações sociais progressistas e todas as forças políticas de esquerda, pretextando primeiro o comunismo, depois o narcotráfico e, agora, o terrorismo. Tática: Terrorismo de Estado, Guerra suja, Paramilitarismo, isto é, a guerra contra o povo. Para isso, montaram o Plano Laso, A Operação Sonora, A Operação Casa Verde, Destruidor I e II, o Plano Colômbia, a Iniciativa Regional Andina, o Plano Patriota e o Plano Escudo, entre outros.

Ademais, os massacres não têm paralelo na História. De 1946 a 1953 foram assassinados 300 mil colombianos sob a ditadura do Partido Conservador. De 1955 a 1957, foram assassinados milhares de colombianos durante a ditadura do General Gustavo Rojas Pinilla. De 1958 a 1970, milhares de campesinos foram perseguidos, detidos, desterrados ou assassinados sob o pretexto da luta contra as guerrilhas comunistas. Foi a época dos governos bipartidaristas da Frente Nacional, de Alberto Lleras Camargo (Liberal), Guillermo Leon Valencia (Conservador), Carlos Lleras Restrepo (Liberal) e Misael Pastrana Borrero (Conservador).

De 1971 a 1983, os governos conservadores e liberais prosseguiram a matança iniciando a etapa do assassinato seletivo de dirigentes políticos e sindicais nas cidades. De 1984 até nossos dias a barbárie foi e tem sido contra os dirigentes políticos. A União Patriótica e o Partido Comunista foram vítimas do genocídio mais infame e covarde das últimas décadas. Mais de 5 mil dirigentes foram alvo das armas oficiais, entre eles os candidatos presidenciais Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo, Senadores, Representantes à Câmara, Deputados, Vereadores e dirigentes de base.

O Partido Comunista foi dizimado: dois Secretários de Organização, cinco membros de seu Comitê Executivo, de um total de nove, e vinte e três membros de seu Comitê Central.

O movimento social pôs sua quota de sangue. Quatro mil dirigentes da Central Unitária de Trabalhadores foram assassinados nos últimos dez anos. Muitos foram judicializados com montagens preparadas, centenas se encontram no exílio, uns patrocinados pela Cruz Vermelha, outros pela Igreja, outros pelo próprio Estado, com a colaboração de outros Estados, decretando-lhes dissimuladamente o desterro.

Foram assassinadas centenas de dirigentes indígenas, campesinos, operários, professores, jornalistas cooperativistas, intelectuais, sacerdotes, mulheres, jovens. Não tem limite a sede de sangue do Imperialismo e da Oligarquia. A guerra está declarada contra o povo. O conflito que há na Colômbia é entre o Estado, o Establishment (Estabelecimento) e o povo colombiano.

Por isso, se equivoca quem pense que a confrontação é entre o Governo e a Insurgência. A lista das vítimas nos demonstra que a guerra é contra o povo e suas organizações sociais. São estas as que quer acabar o sistema. Óbvio que entre as organizações do povo se encontra a insurgência, levantada em armas em defesa dos direitos e das liberdades.

A Oligarquia habilmente vende a idéia à opinião nacional e internacional que na Colômbia não há conflito, que o problema é o narcotráfico e o terrorismo. Assim, esconde a verdade porque o conflito é social, econômico e também armado. Por que se assassina aos líderes sindicais? Porque estes estão organizando os trabalhadores contra as privatizações, lutando por melhores condições de vida e pela paz definitiva e duradoura na Colômbia. Por que se assassina aos líderes políticos da oposição? Porque temem que o povo se decida a seguir o caminho de Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai. A oligarquia teme ao povo e, por isso, assassina seus dirigentes.

Perigoso que esta política vá dividindo o movimento social, político e revolucionário colombiano. Muitos pensam que os culpáveis da violência são os insurgentes, por isso lhes dão as costas, desconhecendo que o movimento social é o objetivo da repressão e que, assim, prediquem que estão contra o movimento armado revolucionário, as privatizações se darão porque essa é a política Neoliberal do Imperialismo e da Oligarquia e quem esteja contra esta monstruosa receita imposta pelo FMI é qualificado de terrorista.

Também esta política está levando a que várias organizações revolucionárias e progressistas no mundo tomem distância da insurgência. Aceitam sem questionar, sequer, que o problema da Colômbia é o narcotráfico e, portanto, não se expressa nenhuma solidariedade com o povo colombiano. Preferem fazer como o Avestruz, ignorar o conflito sem dar-se conta que, com esta atitude, avalizam a política do Imperialismo Ianque e da Oligarquia colombiana, que é a mesma que implementa no Continente.

Não chamamos a solidarizar-se com a insurgência, senão que com as lutas do povo colombiano, fazendo conhecer os milhares de sindicalistas, indígenas, campesinos, estudantes e intelectuais assassinados, a denunciar o deslocamento forçado de mais de três milhões de pessoas; chamamos a denunciar o desterro a que submetem centenas de dirigentes políticos e sindicais que se encontram no exterior.

Queremos que nos ajudem a denunciar a intervenção direta do Imperialismo Ianque, na Colômbia, que conta já com 800 militares e 600 “contratistas” para um total de força invasora de 1.400 oficiais estadunidenses que estão dirigindo o exército da Colômbia. Cometem crimes, inclusive contra soldados colombianos, como ocorreu há três semanas, quando foram mortos dois soldados colombianos por soldados invasores.

Enviam droga para seu país, Estados Unidos. Há dois anos, descobriram o Segundo Comandante das forças de ocupação mandando COCA na valise diplomática, delito pelo qual foi destituído e condenado à “exemplar” sanção de 5 meses de prisão. Recentemente, a captura de vários soldados traficando com COCA desde a base militar de Larandia; a captura de um Coronel e vários oficiais vendendo munição aos paramilitares, com a agravante que todos estes crimes ficam impunes graças ao convênio de imunidade firmado entre o Governo da Colômbia e os EUA.

Estamos chamando a exercer e defender o direito à livre autodeterminação dos povos, a impedir a violação da soberania de nossas nações.

Estamos convencidos da inevitável e urgente necessidade da integração Latino-americana, e também da imperiosa necessidade da solução política ao conflito social e armado colombiano, para arrancar a desculpa aos falcões da guerra de uma intervenção mais intensa na Colômbia, uma maior desestabilização da região e uma intervenção direta contra a Venezuela Bolivariana.

Temos que estar alerta com os Planos Patriota, fronteira com o Equador, Peru e Brasil e o Plano Escudo na fronteira com a Venezuela. Uribe e os militares desenharam o Comando Unificado, plano com a participação de 62 mil homens. Para que, se nesta fronteira não há tantas Frentes Guerrilheiras? Tudo está muito claro, o plano não é contra os paramilitares de Uribe, é contra a Venezuela e a Insurgência colombiana. O Imperialismo quer apoderar-se do petróleo de Colômbia e Venezuela e já tem sua cabeça de praia dirigida pelos militares pró-imperialistas da Colômbia e o Governo títere de Álvaro Uribe Vélez. Em suma, o plano do Imperialismo Ianque é apoderar-se da Amazônia e de todos os recursos naturais da América Latina.

A conjuntura internacional coloca o Foro de São Paulo em condições de jogar um papel determinante na luta pela solução política ao conflito social e armado na Colômbia, assegurando, com isto, maiores e mais sólidos níveis de estabilidade e independência em todo o sub-Continente.

FARC - COMISSÃO INTERNACIONAL

MONTANHAS DA COLÔMBIA, MAIO DE 2005

 
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