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A Semana Revista

28.03.2004 | Fonte de informações:

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Tentar compreender o acto tresloucado de Israel

O assassínio de Ahmad Yassin no início da semana por forças militares israelitas mereceu a condenação da comunidade internacional, excepto os Estados Unidos da América, estado paria que sistematicamente se coloca fora de qualquer processo de comportamento razoável ou compreensível, liderado por um regime fascista, bárbaro, intrusivo, arrogante, beligerante e agressivo. Por isso não era de admirar que Washington fosse o único jogador no palco internacional a não condenar este acto bárbaro.

Contudo, o caso não é desassociado com o processo de paz no Médio Oriente: há quase 30 anos, Ariel Sharon escreveu seu próprio plano de paz/Mapa de Estrada. Este plano, exposto na obra “Visão de Israel no Final do Século” escrito em 1977, se resume numa saída de Gaza e do sul do Líbano (que aconteceu em 2000) mas numa presença contínua em Cisjordânia, com duas linhas de colonatos israelitas a leste e a oeste do vale.

Quando sai da Gaza, Israel não pode repetir o clima de derrota que seguiu ao retiro do sul do Líbano, quando os guerrilheiros da Hezbollah cantaram a vitória. O factor Rabin pesa ainda na cena política israelense e os membros do Knesset lembram bem a noite de 4 de Novembro de 1995, quando o então primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista zionista.

Por isso, o ataque contra Yassin, líder espiritual de Hamas, é um acto de retaliação pelo atentado terrorista de Ashdod mas também um sinal claro que Israel pode atacar quando e onde quiser.

Sair da Gaza não resolve o cerne da questão: a ocupação ilegal das terras de Palestina. Até que seja resolvido esse assunto, nomeadamente a saída das forças armadas de Israel e dos colonatos do território do Estado de Palestina, os ataques vão continuar, Al Qaeda vai continuar e cada vez mais, civis inocentes vão pagar o preço da intransigência de Israel e seu grande protector, os Estados Unidos da América.

Tropas norte-americanos – assassinos de sangue frio

O assassínio dum rapaz de três anos no Iraque não é, infelizmente, insólito. Uma força militar que é capaz de destruir infra-estruturas civis tão completamente que passado um ano, ainda há milhões de pessoas no Iraque sem serviços básicos, é capaz de tudo. Na sexta-feira a noite, uma patrulha norte-americana “entrou em combate com um veículo civil” de acordo com fontes militares dos EUA.

O que aconteceu neste “combate” foi que os soldados abriram fogo contra o carro que tinha como passageiros quatro crianças e três mulheres. Um rapaz de três anos foi assassinado. Em sangue frio. Depois as mesmas fontes militares disseram que nada sabiam da morte, apesar de ter sido testemunhado pelos ocupantes do carro, por fontes hospitalares e por fontes jornalísticas independentes.

Washington cometeu um monumental erro em atacar o Iraque. Pode ter sido o fim do regime do Partido Ba’ath mas de certeza será também o fim do regime de Bush.

Portugal, contra os imigrantes

Portugal, com este governo, é um país institucionalmente racista, xenófobo, altivo e incompetente. Não conceder um visto de trabalho para um imigrante que trabalha com toda a documentação, por causa do hotel (de quatro estrelas, na baixa lisboeta e aberto em 2000) não ter alvará de funcionamento, não merece outra descrição.

Quando se junta este caso a outros, em que os passaportes de imigrantes brasileiros foram mal carimbados, com as datas erradas, (fazendo uma estadia de dez dias no Brasil se esticar aparentemente em alguns meses, assim perdendo o direito à permanência), só se pode dizer, em alta voz, que Portugal é um país institucionalmente racista, xenófobo, altivo e incompetente, cheio de exigências, cheio de arrogância e cheio de injustiça. Por quê é que um imigrante tem de pagar o preço duma falha que é rotundamente português desde o princípio até ao fim? Porque está em Portugal.

Quem não está bem deve mudar-se, é uma frase que gostam de dizer, uma espécie de solução para tudo que é desagradável ou que exige uma mudança de posição. Não atacar os problemas, simplesmente varrê-los por baixo do tapete, virar as costas e fingir que não existem... por isso Portugal está a deslizar-se cada vez mais para o fundo da tabela de qualquer e todas as cifras de desenvolvimento no continente europeu – são institucionalmente demasiado arrogantes para reconhecer as falhas e corrigi-las.

Esperança

Há no entanto em Portugal uma luz de esperança e graças a Deus, nem todas as pessoas agem como as autoridades. A Solidariedade Imigrante faz um excelente trabalho de consultadoria, resolvendo os problemas dos imigrantes e há muita boa gente a zelar pelos interesses destes, fazendo-os sentir bem vindos em Portugal, (apesar dos esforços das autoridades ao contrário) no Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Ètnicas, no Centro de Informação Portas de Benfica e no Conselho Português para os Refugiados.

A Editora Lucidus, que publica as revistas África Hoje, Gente e Viagens e Portugal-Brasil acaba de editar um novo jornal, Semanário África, para fazer sentir bem os africanos residentes em Portugal e dignificá-los, reportando não só os desastres e histórias negativas, mas mostrando o outro lado, positivo, deste continente e desta gente. Por isso, há que diferenciar entre as autoridades, institucionalmente fascistas e xenófobos, e o povo português.

CPLP a funcionar plenamente

Portugal, Brasil, os PALOPs e Timor Leste ficam cada vez mais próximos num abraço lusófono cada vez mais apertado, são cada vez mais irmãos e iguais, que se ajudam mutua e gratuitamente. É bonito de ver. Os países mais ricos desta família, Portugal e Brasil, se desdobram em programas de apoio e de desenvolvimento, por exemplo o financiamento de Portugal esta semana da biblioteca em São Tomé, das novas parcerias assinadas com Angola e com a visita do Primeiro-ministro José Barroso a Moçambique, para assinar o Programa Integrado de Cooperação, um financiamento de 36 milhões de Euros.

Pena é que o estado não estende esse tipo de solidariedade aos imigrantes quando pisam a terra em Portugal pela primeira vez. Será necessário chamar de “puta” a uma angolana, professora, que vem visitar os familiares?

Darfur – se não fosse a ONU…

Quase um milhão de pessoas estavam em risco de morrer de fome em Darfur, Sudão, esta semana. Foram salvos pela intervenção da ONU, aquela organização que foi desrespeitada pelos Estados Unidos da América e seu nojento clique de sicofantas, quando lançaram seu acto de chacina no Iraque baseando-o em mentiras, documentos forjados e chantagem.

Se não fosse a ONU, o que seria de milhões de pessoas salvas, alimentadas, abrigadas e educadas por esta organização? Que George Bush, Tony Blair, Berlusconi, Aznar, Howard e Barroso pudessem fazer e apoiar um acto de chacina, fora das regras da Carta da ONU, diz tudo acerca desses “homens”.

Quanto mais rapidamente saírem da cena política, melhor. Aznar já dançou, falta agora os outros bailarem.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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