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ACONTECIMENTOS EM 2004

28.01.2004 | Fonte de informações:

Pravda.ru

 

O ano de 2004 começou a todo vapor. No Brasil, respondendo a uma ação do Ministério Público, um juiz federal obrigou que fossem fichados todos cidadãos norte-americanos que desembarquem no Brasil, tendo em vista que o mesmo ocorre com qualquer cidadão brasileiro que viaje aos Estados Unidos. Mesmo com o fim da decisão judicial provisória, o Governo Brasileiro manteve o fichamento, em nome da reciprocidade - norma básica do direito internacional na relação entre Estados soberanos, e propôs aos EUA a discussão de um acordo equilibrados de circulação de cidadãos. O fato gerou forte apoio popular ao fichamento e colocou em questão o unilateralismo de Washington.

Logo após, reuniram-se me Monterrey, no México, os presidentes do hemisfério americano, na Cúpula das Américas. A reunião clareou e mesmo aprofundou contencioso importante que divide os interesses das nações da América Latina contra os do imperialismo norte-americano. A declaração final centrou-se na necessidade do desenvolvimento social.

As manobras norte-americanas de debater a Alca e de penalizar "países corruptos", excluindo-os da Organização dos Estados Americanos (OEA) foram rechaçadas.

Próximos capítulos de 2004

2004 deverá ser marcado pelo aprofundamento das contradições entre os interesses dos povos frente aos do imperialismo. Intensificar-se-ão disputas no plano político, econômico, comercial e social entre países ricos e países em desenvolvimento. Os povos do mundo manterão suas mobilizações pela paz e contra as guerras imperialistas. Dia 20 de março, em alusão a um ano da invasão do Iraque, e lembrando as 10 milhões de pessoas mobilizadas na data no ano passado, as ruas das grandes cidades do mundo novamente observarão uma manifestação mundial antiimperialista.

No campo econômico seguirá em 2004 a crise simultânea nos três centros capitalistas — EUA, UE e Japão — podendo, no entanto, haver um soluço cíclico de recuperação. Aqui, um parêntese para a China que acaba de divulgar o crescimento recorde do PIB, de 9,1% em 2003.

Estarão em pauta ainda as contradições Dólar versus Euro — onde o primeiro se deprecia e o segundo se valoriza —, a influência da crise econômica norte-americana sobre a recuperação mundial, em particular pelo gigantesco déficit norte-americano.

A sucessão presidencial nos EUA, tradicionalmente uma disputa onde diferenças entre republicanos e democratas praticamente não são perceptíveis, neste ano será intensa visto que desde a fraudulenta assunção de Bush o imperialismo norte-americano intensificou sua agressividade, passando da "ingerência humanitária" de Clinton para a chamada "Estratégia de Segurança Nacional", onde o fundamento é a política de "guerras preventivas" e o desmonte do multilateralismo.

Além disso, no plano interno o governo Bush representou grandes retrocessos para o povo norte-americano, inclusive no plano social onde 24 milhões de norte-americanos perderam o emprego no três anos de mandato de Bush, 9 milhões estavam desempregados em setembro de 2003, 43,6 milhões de cidadãos não tinham acesso à previdência social, e como produto, houve um aumento de 6% no numero de famílias pobres desde 2001. A aprovação de Bush regrediu de 90% em setembro de 2001 para 53% em 16 de janeiro último. Como produto das ações do reacionário e extremista grupo político que se apossou da Casa Branca em 2001, a previsão é que essas eleições sejam extremamente disputadas, inclusive com a possível conformação de uma frente anti-reeleição de Bush.

Paralelamente à eleição norte-americana e a seu desfecho, 2004 assistirá à intensificação dos debates sobre a atualidade e vigência do multilateralismo, e junto com isso, se debaterá a reforma da ONU, incluindo a necessária ampliação dos mecanismos decisórios da instituição, como seu Conselho de Segurança, base para seu relançamento.

Outro flanco de luta se dará no continente europeu. Nesse ano deverão se intensificar as negociações em torno da nova Constituição Européia. Dentre várias polêmicas, que vêm bloqueando sua aprovação destaca-se a ameaça à soberania nacional dos países pequenos e médios do continente, com a centralização da decisão política proposta pelos grandes países, como a Alemanha, Inglaterra e França. Em junho será eleito o novo Parlamento Europeu, onde novamente estará em jogo a correlação de forças no continente. A União Européia também debaterá a valorização do Euro e sua política econômica comum, em particular relacionada à quebra do Pacto de Estabilidade no final de 2003 por França e Alemanha que estouraram o limite do déficit público de 3%.

O ano de 2004 será denso em termos das negociações comerciais em curso no mundo. É o ano em que, em tese, deveriam ser concluídos os acordos relativos à formação da Alca — em fevereiro, reúnem-se os "técnicos" negociadores em Puebla no México, e em junho, haverá uma Conferencia Ministerial no Brasil —, a conclusão da rodada de Doha da OMC — onde desde a reunião de Cancun em setembro um novo ator entrou em cena, o G-20 — e as negociações Mercosul/União Européia — a U.E passará por eleições onde o tema subsídios internos à agricultura deverá ser intensamente debatido. O desfecho das três negociações é incerto, mas os países em desenvolvimento em 2003 conquistaram uma unidade política que pelo menos equilibrou um pouco mais os radicalmente contraditórios interesses entre paises desenvolvidos e em desenvolvimento.

Em junho, entre 13 e 18, ocorrerá em São Paulo a 11ª Conferencia Ministerial da Unctad (Conferencia das Nações Unidas sobre o Comercio e o Desenvolvimento), que acontece a cada quatro anos, reunindo ministros de todo o mundo, além de ONG's e empresários. O órgão da ONU é dirigido por Rubens Ricupero — que chegou a ser cotado para o ministério de Lula. Ao que consta, o Brasil jogará fichas no fortalecimento da Unctad, como forma de estreitar o vínculo entre negociações comerciais com vistas ao desenvolvimento e a consecução de uma agenda internacional em que o desenvolvimento dos países em desenvolvimento esteja no centro do debate.

Em 2004, ocorrerão eleições em importantes países. Começamos com três grandes países. Na Rússia, em março, Vladimir Putin poderá ser reconduzido a um novo mandato — os comunistas, envolvidos em uma luta interna pública, buscarão impedir a reeleição, mas com muitas dificuldades. Na Índia, o partido governista Bharatiya Janata Party (BJP), de centro-direita, do Primeiro-ministro Atal Vajpayee antecipou as eleições gerais para inicio de abril a fim de obter mais um mandato. É favorecido pelo crescimento econômico da Índia - acima dos 7 pontos em 2003. Os comunistas indianos, com experiências de poder no nível estadual, devem apresentar-se com candidatos competitivos. Por fim na Espanha, finalmente chegará ao fim o mandato de José Maria Aznar, preposto de Bush na Europa. As eleições decidirão se o direitista Partido Popular (PP), com outra cara manter-se-á no poder ou se voltarão os social-democratas do PSOE. A possível derrota do PP na Espanha pode ser uma importante derrota da direita reacionária pró-Bush na Europa.

No fim de março, Taiwan elegerá seu Presidente. Essa eleição é importante do ponto de vista internacional em função das ameaças de "independência" do território chinês, que pode provocar uma crise de grandes proporções na Ásia.

Na América Latina quatro países trocarão de chefes de Estado: El Salvador, Panamá, República Dominicana e Uruguai. Em El Salvador, possui amplas chances de vitória Schafik Jorge Hándal, da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional. Já no Uruguai, em outubro sairá de cena — para uma provável temporada em Miami — o Sr. Jorge Battle, quinta-coluna de Washington no Mercosul e com amplas chances poderá sucedê-lo Tabaré Vasquez, da Frente Ampla e ex-prefeito de Montevidéu.

***

No ano em curso, a luta dos povos contra o imperialismo, por paz e desenvolvimento seguirão antagonizando as pretensões hegemonistas do imperialismo e novos capítulos da luta do povo se abrirão e se desenvolverão. Na América Latina em particular, novos ventos continuarão a soprar, colocando o combate por soberania e desenvolvimento no centro da luta política, econômica e social.

Diário Vermelho

 
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