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A política externa tendenciosa de Washington

25.08.2004 | Fonte de informações:

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Há um velho ditado que diz “Mostre-me os teus amigos e eu digo-te quem és”. Relativamente a Washington, só se tem de dar uma olhada para Israel para ver que a política externa imperiosa dos Estados Unidos da América, supostamente baseada em princípios de liberdade e democracia, é uma farsa, uma palhaçada e uma montanha de mentiras desde o princípio até ao fim.

O diário duma professora palestiniana, Wafa Abu Shmais, publicado online pelo Couples Company, editado por Nancy Horn e com comentários adicionais por Laura Dawn Lewis, providencia uma visão chocante da crueldade e brutalidade do estado de Israel, um estado que Washington defende cegamente, enquanto simultaneamente chacina árabes em campanhas baseadas em mentiras e tortura prisioneiros árabes detidos ilegalmente em condições chocantes e desumanas.

Soldados na Minha Casa é o título do diário da professora de inglês, Wafa Abu Shmais, mãe de quatro crianças, um diário que conta a história da invasão de Nablus em Abril de 2002 e o massacre em Jenin, em que casas cheias de civis aterrorizados, a gritarem histericamente, apavorados, foram deitadas abaixo por bulldozers D9 de Israel.

Na Quarta-feira dia 3 de Abril de 2002, lembra Wafa, helicópteros Apache vendidos pelos Estados Unidos da América a Israel, foram utilizados para atacar residências civis com mísseis na cidade palestiniana de Nablus, onde o primeiro alvo das forças armadas de Israel foi o fornecimento de electricidade à população (tal como os Estados Unidos da América escolheram como alvos os sistemas de fornecimento de água, de electricidade e de gás e a rede sanitária no Iraque…excelentes alvos militares, grandes ameaças às forças invasoras assassinas de Washington).

Na manhã seguinte, Wafa dá um exemplo típico do tipo de tratamento dado pela IDF (Força de Defesa de Israel), o protegido de Washington, à população palestiniana que vive nos seus territórios, nas suas casas. “Os ocupantes foram instruídos a saírem das suas casas com as mãos no ar e deram-lhes até dez segundos. Nós conseguíamos ouvir o soldado a contar, 10, 9, 8 e quando ele chegou a 1, todo o inferno eclodiu de repente, caíram obus de todos os lados, cheirava-se dinamite e poeira”.

A política adoptada pelo IDF foi uma de total desrespeito pelos civis e uma de total desprezo pela vida humana, seja esta a vida dum adulto masculino palestiniano, duma mulher, duma criança ou dum bebé recém-nascido. Deitaram-se abaixo residências familiares por bulldozers, arbitrariamente, deram às famílias dez segundos para saírem, só que também não era bem assim, como vamos ver. Outras casas foram atacadas com hardware militar fornecido ao estado de Israel pelos Estados Unidos da América.

Não é esta uma versão suspeita por uma fonte mentirosa. Moshe Nissi, israelita, operador dum bulldozer D9 durante o massacre de Jenin, fala abertamente acerca do seu comportamento, como se fosse da maior naturalidade e como se fosso orgulhoso: “Para deitar abaixo uma casa, destruí algumas mais. Os residentes foram avisados por altifalante para saírem da casa antes de eu vir, mas não dei hipótese a ninguém sair porque não esperei”. Estava bêbado.

Como pode Washington defender a política agressiva e assassina de Israel, que continua hoje o que sempre praticou na sua ocupação ilegal das terras palestinianas, no seu desrespeito bradante para a lei internacional, na sua construção dum estado apartheid, no uso de equipamento militar contra alvos civis, na sua construção de colonatos em terras roubadas e que recusa a devolver aos verdadeiros donos?

Mas também, Washington, a Rainha dos Mentirosos, quer lá saber. O quê é que se pode esperar dum país que baseia um acto chocante de chacina em mentiras, que deita bombas de fragmentação em áreas civis, que massacra dezenas de milhares de pessoas inocentes, perpetra os actos mais bárbaros de tortura vistos desde Auschwitz e Dachau e depois tenta justificar as suas acções reclamando que fez a coisa justa e que o mundo está melhor como resultado?

A segunda Guerra Mundial foi travada e perderam-se milhões de vidas, incluindo as de seis milhões de judeus, para que este tipo de comportamento nunca mais poderia acontecer. Senhores Bush e Sharon, juntos, conseguiram denegrir a memória colectiva destes muitos milhões de pessoas que sacrificaram as suas vidas para tornar o mundo num sítio melhor e mais decente.

Voltamos ao roubo de territórios, a actos de tortura, de falta de respeito pela lei, actos de chacina, violação, estupro institucional. E George W. Bush está a pensar em candidatar-se para a re-eleição? Não deveria estar num tribunal ou num manicómio? Ou pelo menos, num hospício para diminuídos mentais.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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