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A Semana Revista

25.07.2004 | Fonte de informações:

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IRAQUE: A JÓIA NA COROA DE GEORGE W. BUSH

O cúmulo de incompetência, o epitáfio do homem que quer concorrer por um segundo termo

A coisa mais absurda acerca de George W. Bush é que ele está convencido que tem razão. Duas guerras ilegais, milhares de civis assassinados, crimes de guerra, a quebra da Convenção de Genebra, tudo é varrido por baixo do tapete com frases como “O mundo está melhor agora”

O mundo está melhor depois de quatro anos de Bush? Onde?

Iraque

A campanha Liberdade e Democracia, ganhando Corações e Mentes com tácticas de Choque e Pavor, é uma oportunidade de vermos como crenças jingoístas e xenófobas, ideias simplórias para simplórios, quando aplicados como instrumentos da gestão de crises por nações como os EUA, conseguem ultrapassar aquela barreira que contém a loucura antes visto só em casos como a Alemanha Nazista de Hitler e Himmler.

A chacina de civis inocentes, as câmaras de tortura, a destruição de lares de inocentes, o assassínio de crianças, o estupro de mulheres...está tudo aí, enquanto o Iraque desce para o foro de caos.

Será que o Iraque está melhor? É melhor como país? Há mais segurança no emprego? Há melhor policiamento? Há menos criminalidade? As infra-estruturas funcionam melhor agora que foram obliteradas por armas de precisão? A matança parou? O Iraque mantém-se livre de terrorismo? Há mais segurança nas ruas? A população está livre de tortura?

O legado de Bush é que apesar de ter gasto mais que um ano e quase duzentos mil milhões de dólares (200.000.000.000 ou duzentos bilhões de dólares), o Iraque está em caos, a sua sociedade destruída porque Bush queria impor uma democracia bonitinha num país que nunca a teve e onde o tribalismo é mais importante que o nacionalismo, impôs uma mão cheia de homens comprados no governo, que quase não tem poderes executivos, as infra-estruturas do país estão uma pilha de lixo e terroristas e extremistas jorram para dentro das fronteiras com cada dia que passa. Isso é que é “melhor”?

A Comunidade Internacional

“O mundo está melhor”. Ai é? Nunca antes se viu tal clima de medo, de ataques terroristas na Europa, onde os milhões de Euros necessários para acções de solidariedade e segurança social estão a ser gastos em acções de segurança militar. Nunca antes se sentiu a fantasma de terrorismo internacional a pairar sobre o Velho Continente como agora.

A Europa não está mais segura. É muito mais perigoso e podemos culpar a política agressiva de Washington por isso, enquanto utilizou a força e a chantagem para persuadir os lacaios da OTAN a fazer seu trabalho sujo por ele, contra a opinião pública, causando a tragédia em Madrid. Até agora, se não haver mais chacina noutras cidades.

O legado de Bush na Europa é que ele colocou lenha na fogueira do anti-americanismo numa altura em que era preciso adotar uma abordagem mais inteligente, se bem que isso para Bush seria impossível. A Europa está melhor?

Os Estados Unidos da América

Será que os EUA estão mais seguras agora depois de quatro anos de Bush? Ou será que a presidência de Bush antagonizou praticamente todos os fanáticos no planeta e instigou-os a agirem contra os Estados Unidos e contra os norte-americanos em todo o globo, agindo contra aquilo que é percebido, e com razão, como o imperialismo de Washington?

Os norte-americanos se sentem melhores agora do que em 2000? Ou se sentem mais inseguros, mais apavorados, com mais medo do intruso? Têm mais fé no mundo árabe? Acham que a questão do Médio Oriente está mais perto de se resolver? Podem dizer que o seu mundo está melhor?

A gestão internacional

Quando se é presidente dum país grande, há mais responsabilidades impostas na figura eleita para liderar não só este país mas para participar com responsabilidade na resolução de crises a nível internacional, quando isso for da vontade da comunidade internacional.

Isso não quer dizer que tem o direito de substituir a diplomacia por beligerância e chantagem, desrespeitando por completo as organizações internacionais e a comunidade internacional numa altura em que o mundo estava a tentar resolver questões importantes e fundamentais para o desenvolvimento dum sentido de Comunidade.

Veio o cowboy, rude, sem qualquer ética nem etiqueta e abancou-se na mesa do rei, arrotou para o ar, atirou os ossos para a rainha, urinou no chão, defecou no bolo, cuspiu para o lado, colocou os pés em cima da mesa, violou a miúda que servia a sopa, torturou o garçom, tirou uma metralhadora e chacinou metade dos convidados.

Que bela maneira de fazer gestão de crises. O Afeganistão está mais estável? O Médio Oriente está mais perto duma resolução? Os Objectivos do Milénio para África estão a ser conseguidos? O Mundo está melhor?

A questão moral e ética

George Bush e seu regime espetaram uma faca nas costas da comunidade diplomática. A diplomacia de Washington hoje em dia se resume em intrusão, a ameaça de força, chantagem, forjar documentos e mentiras descaradas, actos de chacina, actos de tortura, crimes de guerra, crimes contra a humanidade. Bonito serviço, em quatro anos.

George Bush e seu regime mentiram sistematicamente acerca de qualquer causa desta guerra. Mentiram à sua nação, mentiram à comunidade internacional, mentiram ao Mundo. Curiosamente, comparando Saddam Hussein e Bush, o que estava a dizer a verdade era o primeiro. Acerca de Bush podemos agora afirmar: “Este homen enganou o mundo” (“This man stiffed the world”).

Dezenas de milhares de civis foram assassinados em sangue frio. Bombas de fragmentação foram deitadas em áreas residenciais. Munições de Urânio Empobrecido foram utilizadas, deixando áreas residenciais perigosamente radioactivas. Foi quebrada a Convenção de Genebra. Houve o uso de tortura numa escala massiva, com o pleno conhecimento de altos oficiais no regime. Foi quebrada a carta da ONU por Washington, nos olhos de muitos um estado paria num mundo que quer prosseguir para outro estado de civilização, mas sem cowboyadas e sem cowboyismos.

Washington divorciou-se da comunidade internacional, divorciou o povo norte-americano das corações e mentes dos seus pares no resto do mundo. São horas para uma mudança de regime.

É esse o legado de George Bush. A glória do Iraque, a jóia na coroa do presidente-palhaço, o bimbo Bush.

FMI – FRAUDE METEDIÇO E INTRUSIVO

O FMI é um Instrumento para Washington intrometer-se nos assuntos internos de nações soberanas

O Fundo Monetário Internacional tem um tom bonito e internacionalista, que cria noções de altruísmo e solidariedade para com países em tempos de necessidade. De facto, nada poderia ser mais longe da verdade. A verdade é que o FMI não fornece e não pode fornecer um serviço financeiro para remediar as enfermidades duma economia doente. O FMI é nada senão outro utensílio utilizado por Washington para deliberadamente desestabilizar mais economias já instáveis, tornar economias doentes ainda mais doentes e criar dependência financeira, económica e política em Washington, em países que não podem pagar a factura.

Se uma economia precisa de candidatar-se para financiamento externo, é porque já se encontra com problemas, dado que não há força interna para atenuar os males. Em providenciar financiamento externo, o FMI corre um risco enorme (se é que não é de propósito) de criar o que se chama um perigo moral, o que quer dizer que está a actuar numa economia sem saber exactamente como essa economia irá comportar-se.

O FMI assim contribui para criar um clima em que a informação assimétrica seria mais fluida que a informação perfeita, criando um cenário de instabilidade que poderia levar a uma crise bancária e a seguir, outra crise cambial, criando a necessidade de pedir emprestado ainda mais dinheiro para adiar o desastre.

Enquanto a economia derrete, as visitas à porta do FMI são cada vez mais frequentes, resultando numa dívida externa massiva que por sua vez leva ao FMI ditar a política económica e estratégia financeira do país em dívida. Por FMI, substitui “Washington”.

Onde a instabilidade ainda não existe, é fácil de criar, através de ataques especulativos, através de provocar fluxos de capital voláteis ou por instabilidade política, causando crises imprevisíveis nos mercados e levando a condições favoráveis para a existência de mais ataques especulativos, uma vez que o comportamento do sistema interno económico e financeiro e os níveis das reservas tenham sido calculados.

Em resumo, é um círculo perfeito, e qualquer ponto do mesmo pode ser iniciado ou terminado a qualquer altura com o adequado planeamento e os meios apropriados. Há um vencedor só e para aqueles que comem da mão do FMI, é uma situação perdida.

O FMI talvez crie um período em que há um hiato numa situação de catástrofe, como uma crise bancária (por exemplo quando os bancos sub-capitalizados são obrigados a fecharem as portas por causa de levantamentos massivos, resultado de pânico que por sua vez resulta de campanhas de desinformação, muitas vezes lançadas pelos dadores). Porém, o efeito a longo prazo será um prolongamento da crise e uma passagem do controlo da iniciativa política e económica para jogadores externos e estrangeiros. E aí, todos os caminhos levam a Washington.

Longe de ser um exercício teórico, este artigo é uma revisão da história económica recente de inúmeros países na América Latina e na própria Rússia. São horas para os países fazerem um esforço para pagar de vez o que devem ao exterior para parar de sustentar pançudos, e são horas para considerar todas as alternativas antes de dar qualquer confiança a Washington ou aos seus lacaios.

DERRUBEM ESTA MURALHA, JÁ!!

Israel enfrenta a condenação internacional pela sua política de Apartheid

A muralha da vergonha, construída ilegalmente em território ocupado para separar fisicamente os palestinianos dos colonos israelitas (que ocupam território palestiniano ilegalmente) já foi condenado pelo Tribunal Mundial e ontem, pelas Nações Unidas, que exigem o desmantelamento da muralha.

A Assembleia Geral da ONU votou por 150 votos contra seis (os Estados Unidos da América, Israel, Austrália, as Ilhas Marshall, Micronésia e Palau) para a destruição da muralha, apoiando a decisão tomada no início de Julho pelo Tribunal Mundial, que a muralha é ilegal.

Israel afirma que a construção impede células terroristas de entrar em território seu a partir da Palestina, enquanto os palestinianos, que levaram a questão à ONU, entendem que esta muralha é uma intrusão contra a sua nação nas suas terras, que estão ocupadas ilegalmente por Israel.

Se essa muralha fosse construída em território israelita, com o propósito de afastar os grupos de extremistas, Tel Aviv teria toda a razão de se proteger desta forma – todas as nações têm o direito de se protegerem. Contudo, como pode haver qualquer justificação pela construção desta muralha em território que não pertence, e nunca pertencerá, a Israel, e para proteger colonos judeus que de qualquer forma estão ocupando terras alheias ilegalmente?

Se Israel continuar a desafiar a lei internacional desta maneira, corre o risco de se isolar da comunidade internacional, algo que George Bush conseguiu em quatro anos e em vez de impedir ataques terroristas, Israel está a atirar mais lenha para a fogueira do extremismo, criando mais ódio e um espírito de resistência mais apurado contra o que é percebido, correctamente, como o roubo e ocupação ilegal de terras. É um acto de guerra.

Se Israel entende que pode continuar a praticar políticas de arrogância e provocação, esta Muralha de Apartheid pode muito bem se tornar na Segunda Muralha das Lamentações neste país.

PORTUGAL:As oposições

O que enfrenta o novo Primeiro-ministro, Santana Lopes?

O primeiro adversário político que Santana Lopes enfrenta é o próprio. Chegou à chefia do governo dizendo que iria fazer uma remodelação, diminuindo sua estrutura…e o resultado é mais ministros e mais secretários de estado.

Santana, opositor a ele próprio

Santana Lopes, como esperado, entrou disparando em todas as direcções, adiantando-se com uma proposta de descentralizar o governo (que não é uma prioridade política nesta fase do campeonato) e acabou por ter de fazê-lo mesmo, para não ser rotulado de fala-barato ou inconsistente. Assim seis secretariados de estado serão colocados fora de Lisboa, obrigando seu pessoal à obrigatória deslocação, juntamente com as suas famílias, ou então desfazer as famílias e viverem separados, vendo-se aos finais de semana para uma conversa tipo “Olá! Tchau! Beijinhos! Não faça nada que eu não faria” …ou entrar na estatística como novos desempregados.

O efeito Portas

O segundo grande adversário de Santana Lopes (embora ainda ele não o saiba), é o líder do Partido Popular (em nome, mas não em votos), Paulo Portas, um venenoso político com uma adrenalina maldosa a cursar nas suas veias, a personalização da figura “Jabba the Hutt” da Guerra das Estrelas, que vive rodeado por sicofantas e que come tudo ao seu redor.

Contrariando o protocolo e as normas em vigor há décadas em Portugal, Portas já tinha anunciado os secretários de estado no seu Ministério da Defesa ainda antes da tomada de posse do governo de Santana. Mau presságio.

O PSD

Seria um grande erro afirmar que a votação quase unânime a conduzir Santana Lopes à liderança do PSD na última reunião do partido é um sinal que não há anticorpos contra ele no partido que ele lidera.

A verdade é que o PSD acredita que ele é a única hipótese de angariar qualquer popularidade, dado seu carisma e poderes de comunicação. Contudo, o facto que a sua Tomada de Posse fosse atrasada por 55 minutos por causa duma mudança de planos à última hora imposta pelo partido e contra as escolhas de Santana, dá lugar à noção que o aparelho do PSD adoptou uma posição “esperar e ver” o que Santana faz.

O Partido Socialista

Quanto ao maior partido na oposição, o PS, o antigo líder Eduardo Ferro Rodrigues não sobreviveu à decisão do Presidente (também PS) optar por Santana em vez duma nova eleição, assumindo a decisão como derrota pessoal e demitindo-se…à espera das eleições presidenciais?

José Sócrates, o energético ex-Ministro do Ambiente, que iniciou a sua carreira política do JSD (Jovens Sociais Democratas), já deu provas que tem grande competência executiva e habilidade política e aparece como candidato do centro do PS. Na ala esquerda deste partido, surgem dois nomes para disputar a liderança, João Soares (filho de Mário Soares, ex-PM de Portugal e Presidente por duas vezes) e Manuel Alegre (fundador do PS, deputado, vice-presidente do partido, autor e poeta).

João Soares é muito mais do que simplesmente filho do seu pai. Foi discutivelmente o melhor Presidente da Câmara de Lisboa de sempre, dando provas que ele lê os dossiers, deixando trabalho feito e que sabe liderar uma equipa competente.

Manuel Alegre entende que se deve candidatar como alternativa para provocar um debate interno, levantando todas as ideias que fundamentam o PS. No entanto, embora nunca haja vencedores antecipados a uma eleição democrática, é Sócrates que aparece como o grande favorito a enfrentar Santana daqui a dois anos na eleição legislativa.

A esquerda assumida

Nos partidos da esquerda (porque em Portugal o Partido Socialista é da direita), o CDU (Coligação Democrática Unitária, formada pelo Partido Comunista Português e o Partido Ecológico os Verdes) adopta um discurso coerente, afirmando que não é preciso chegar ao poder mas sim, defender as ideias do Partido. Certo. Com uma militância a diminuir e com uma idade média dos membros do partido com cerca dos 60 anos, o PCP, mantendo-se fiel à linha soviética, aparece mais como formação saudosista para a maioria da população e por isso vê sua quota de votação diminuir gradual e constantemente. O Secretário-geral do Partido, Carlos Carvalhas, é um político competente mas sem faísca, espelho de Ziuganov, que enfrenta os mesmos problemas pelas mesmas razões.

Por isso se explica o surgimento do movimento (mas ainda não Partido) dos Renovadores Comunistas, que querem adoptar um discurso menos limitado ao passado e mais virado aos desafios do presente e do futuro.

Com mais vigor, está o Bloco de Esquerda, que não fica constrangido pelas linhas duras do sovietismo, e que pelo menos já consegue igualar o PCP em termos de votação, senão ultrapassá-lo. O BE tem uma militância mais jovem que o PCP e uma fluidez política mais adaptado ao momento actual, conseguindo transpor sua mensagem pelas grandes poderes de comunicação do seu líder Francisco Louça e seu grupo parlamentar. Porém, não se deve cair no erro de dizer que o BE substitui o PCP, porque ambas as formações têm seu espaço e se mantêm fiéis aos seus ideais.

São concorrentes para o voto da esquerda, mas são colegas em oposição à coligação PSD/PP e há que apontar que quer o CDU, quer o BE, fazem um trabalho muito importante na vida política em Portugal e na Europa, onde tendências fascizantes e políticas monetaristas liberais existem amiúde.

Em fim, muitas oposições numa panela política com pouca pressão e ingredientes pouco picantes. Este clima político em Portugal faz lembrar a piada dos dois políticos a discutirem se o plural da palavra “oposição” é “oposiçães” ou “oposiçãos”. O PM resolveu a discussão por dizer “Depende das opiniães”.

Carlos Paredes

Portugal perde as mãos mas não a alma dum Homem que quis sempre estar ligado ao fado de Coimbra.

Seria absurdo para um não-português ter a pretensão de se pronunciar sobre o que significava Carlos Paredes para a alma colectiva do berço do Fado. Por isso, PRAVDA.Ru se limita a lamentar a passagem deste mestre para outro estado de existência mas em vez de lamenta a sua morte, celebra a sua vida e a alma que ele conseguir tão singularmente dar à guitarra portuguesa, fazendo-a chorar e sorrir e rir e criticar e lisonjear e odiar e amar, angustiar, vaguear lá pelo arco de Al Medina, pelas Repúblicas, pelo Jardim da Sereia, pairar sobre a angústia e alegria que enfrenta cada casal a qualquer momento da sua vida a dois, ser espelho do desespero da alma portuguesa em momentos de crise e de introspecção…e muito mais, que seria impossível para um não-português colocar no papel.

Por isso respeitosamente, preferimos deixar a peça repousar em Carlos Paredes esta semana, sem mais palavras, porque para um grande músico, a vida é um papel em branco que ele tenta preencher, mas quanto mais discretamente, melhor.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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