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Resultados da Cimeira GUUAM

25.04.2005 | Fonte de informações:

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Segundo os instituidores, a GUUAM, com apoio do Ocidente, deverá "libertar" os seus membros da "tutela excessiva" da Rússia. Todavia, a recente cimeira da GUUAM veio demonstrar que o desenvolvimento desta organização é impedido por uma série de obstáculos.

O primeiro problema é a comunhão de interesses dos seus membros. A liderança informal na GUUAM pertence à Ucrânia e à Geórgia. Os Presidentes destes países têm sido unidos pelo "formato" da chegada ao poder, pelo desejo de aderir à NATO e pela prioridade concedida ao processo de integração na Europa. Tanto a Ucrânia como a Geórgia, começaram a expansão no espaço pós-soviético. Actualmente, a Geórgia adverte para uma "terceira vaga" de revoluções nos países da CEI, apontado para a Bielorrússia como "o primeiro candidato".

Entretanto, a Ucrânia apresentou à Moldávia um plano de regularização do problema do Pridnestrovie. Assim, pela primeira vez após o colapso da URSS, no espaço da CEI surgem tentativas de "influência externa" alternativas à Rússia. Todavia, estarão dispostos os outros membros da GUAAM a aceitar as ambições políticas da Ucrânia e da Geórgia?

A Moldávia encarou com cepticismo o plano de regularização da crise na região de Dnestr (Pridnestrovie), o qual deveria vir a ser o maior evento da cimeira. Para Chisinau, o pioramento das relações com a Rússia não significa que o lugar do "irmão mais velho" seja cedido ao "colega" na GUUAM que é a Ucrânia. Segundo as previsões de Yuschenko, esse plano de normalização deverá testemunhar, de forma clara e evidente, a capacidade desta nova estrutura política internacional.

O Azerbaidjão também não parece ter intenções de seguir a linha política externa da Ucrânia e da Geórgia. Para Aliev, a GUUAM não deixa de ser, antes de tudo, um mecanismo de desenvolvimento da rede de oleodutos para o escoamento do petróleo proveniente do Cáspio para os mercados mundiais. No entanto, os prognósticos quanto às "revoluções de veludo" em outros países da CEI podem vir a ser, para Baku, "um factor de desintegração e não de consolidação". Ainda antes da cimeira, Ilkham Aliev tinha-se esforçado por persuadir os seus colegas da "ausência de sinais de situação revolucionária". Não restam dúvidas de que para ele, a filiação na GUUAM nada terá a ver com um presumível "direito do povo de defender a democracia por via revolucionária".

Por fim, o Uzbequistão continua a ser um membro nominal, tendo fracassado as tentativas dos dirigentes georgianos no sentido de "despertar no Presidente Aliev um maior interesse pela cooperação". A ministra georgiana dos Negócios Estrangeiros, Salome Zurabichvili, viu-se obrigada a suspender a sua visita a Tachkent, sem ter conseguido convencer Islam Karimov da necessidade de participar na cimeira. Sob o pano de fundo do arrefecimento das relações uzbeco-americanas, o Uzbequistão inclina-se para a intensificação das relações com a Rússia, preferindo essa última ao Ocidente. Daí a compreensão dos eventuais "efeitos negativos" da participação "na cimeira anti-russa". Cumpre lembrar nesse contexto que no ano passado o Parlamento do Uzbequistão ratificou o Tratado de Parceria Estratégica com a Rússia.

O segundo problema prende-se com a Rússia que, por razões objectivas, não deixa de ser um centro de influência geopolítica no espaço pós-soviético devido a factores geográficos, económicos, políticos e estruturais. O discurso duro dos representantes da Geórgia e da Ucrânia sobre "as fracas potencialidades e perspectivas da CEI", bem como sobre a necessidade "de acabar com o império" (numa alusão a Moscovo), colocam os potenciais membros da GUUAM perante uma opção: ora tomar o partido de Moscovo, ora opor-se a ela.

Um exemplo elucidativo é o caso da Quirguízia. As visitas dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Geórgia e da Ucrânia a Bishkek a fim de convidar os dirigentes do país para a cimeira também não tiveram êxito. O Quirguistão que, a julgar por tudo, se devia solidarizar com a Geórgia e a Ucrânia, optou por distanciar-se da GUUAM, receando pelo possível agravamento das relações com Moscovo. A recusa de Bishkek de participar na cimeira voltou a demonstrar que a GUUAM pretende, antes de mais nada, limitar a influência da Rússia. O "factor revolucionário" passa para o segundo plano.

O terceiro problema refere-se ao Ocidente. Os EUA e a UE desempenharam um papel decisivo na criação de uma GUUAM que se opusesse a Moscovo no espaço pós-soviético. Os membros da GUUAM, por seu turno, esperam contar com apoio do Ocidente na solução dos conflitos nas relações com Moscovo: a Geórgia e a Moldávia esperam acelerar, dessa forma, a retirada das bases militares russas, a Ucrânia dispõe-se a prosseguir a integração na Europa e na NATO. Ao mesmo tempo, o Ocidente não está interessado em que no espaço da CEI, em vez da Rússia, venha a surgir um outro "jogador ambicioso". O que o Ocidente quer é limitar a influência russa. Mas tal "limitador" não se deve imiscuir na esfera de interesses dos EUA e da UE.

A título de exemplo vejamos as recentes legislativas na Moldávia. O Ocidente estava interessado em "enfraquecer o regime de Vladimir Voronin (na falta de uma "revolução de veludo"). A Geórgia e a Ucrânia ajudaram a fortalecê-lo e hoje Voronin conta com a maioria no Parlamento. Além disso, tanto os EUA como a UE, mantêm boas relações com a Rússia, podendo a retórica anti-russa fazer com que o Ocidente se distancie da GUUAM. Pelos vistos, a Geórgia e a Ucrânia não compreendem que o Ocidente pretende, pura e simplesmente, utilizá-las para o alargamento da sua influência no espaço pós-soviético.

A criação da GUUAM levará ainda à "atomização" do espaço pós-soviético: a influência da Rússia poderá ser diminuída sem que surja um país que constitua uma séria alternativa. Isto significa que a defesa dos interesses nacionais dos países da CEI dependerá, em maior medida, da ingerência externa.

Tatiana Stanovaia perita do departamento analítico do Centro de Tecnologias Políticas -RIA "Novosti"

 
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