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AS ARMAS DE DESTRUIÇÃO MASSIVA DO IRAQUE

25.02.2006 | Fonte de informações:

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John Shaw é um ex-funcionário do Departamento de Estado norte-americano. Esteve envolvido em escândalos de corrupção da companhia Halliburton (famosa por seus laços com o atual governo dos EUA, em especial com o vice-presidente, que foi CEO desta empresa), e pediu demissão em 2004. Agora, John Shaw critica o governo Bush por causa da guerra no Iraque. O que aconteceu, o ex-funcionário se deu conta dos erros e mentiras que levaram à invasão deste país? Não. Shaw critica o governo Bush por ignorar evidência de que, no fim das contas, Saddam Hussein tinha as tais armas de destruição massiva, que foram o primeiro argumento para a guerra do Iraque.

As "evidências" apresentadas por Shaw são absurdas e irracionais, como não poderiam deixar de ser. Qualquer pessoa que não tenha tido seu senso crítico destruído pelas propagandas do governo e meios dos EUA reconhecerá que o que afirma o ex-funcionário do Departamento de Estado não tem nenhum sentido. Segundo ele, os EUA não encontraram as armas de destruição massiva porque, antes da invasão, Saddam Hussein, com a ajuda da Rússia, China e França, transportou-as para a Síria e o Líbano.

Segundo ele, seriam 100 milhões de toneladas de armas e munições. A intenção era a de proteger não apenas o governo de Hussein, mas também a Rússia, a China e a França, que teriam vendido ilegalmente armas para o Iraque.

Nem vale a pena analisar a história (que parece uma novela de Tom Clancy), sobre como ele, através de contatos com agentes de inteligência da Ucrânia, conseguiu as evidências sobre a ocultação das armas. Nem é necessário para desmenti-la. Basta pensar: como seria possível transportar e esconder uma quantidade tão imensa de armas (100 milhões de toneladas!), sem que os satélites e aviões de reconhecimento dos EUA e seus aliados se dessem conta?

E não só isso: não basta apenas levar as armas para outro local, para impedir que elas sejam descobertas é preciso apagar todos os vestígios de sua existência. Como conseguiu Saddam Hussein destruir todos os documentos relativos a tais armas? Como fez desaparecer todas as instalações necessárias a sua fabricação, estocagem e manutenção? E como conseguiu manter caladas as bocas de milhares de funcionários, militares e técnicos que as conheciam, mesmo depois da queda de seu regime?

A verdade é mais simples. Se houvesse armas de destruição massiva no Iraque, os EUA as teriam encontrado, se não elas diretamente, pelo menos as evidências que comprovassem sua existência (documentos, instalações, relatos de funcionários e militares).

E pode ter certeza que o governo de Bush, cada vez mais impopular (até nos EUA) por conta das mentiras e faltas de argumentos para a guerra do Iraque, não perderia a oportunidade, se esta se apresentasse, de mostrar ao mundo que Saddam Hussein tinha realmente armas proibidas.

A tentativa de John Shaw, de forjar um argumento completamente absurdo para mostrar por que não se encontrou as armas de destruição massiva, tem dois propósitos. O primeiro é o de salvar o governo de Bush, ao qual se nota que ele se mantém fiel. E o segundo é aproveitar para arruinar a imagem dos países que mais se opuseram à invasão do Iraque. Que "coincidência" que os países que supostamente ajudaram Saddam Hussein a ocultar as armas químicas e biológicas tenham sido justamente aqueles que mais criticaram a aventura de Bush no Iraque: Rússia, China e França! E que um dos receptores seja a Síria, outro país que Bush gostaria de invadir.

É impressionante como há gente que não desiste. Por mais indefensável que seja alguma ação, passam toda sua vida buscando qualquer argumento, por mais irracional e ridículo que seja, para justificá-las. E o mais impressionante de tudo é que tem gente que acredita. Tem gente que realmente crê que o governo de Bush fez um grande favor ao mundo, quando invadiu o Iraque. E que o mundo é mais seguro agora que o Iraque é "livre" e "democrático". Onde está o senso de realidade de grande parte dos estadunidenses, que crêem em tais delírios? Carlo MOIANA Pravda.ru Buenos Aires

 
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