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Colômbia oferece amnistia aos paramilitares, rebeldes vão à ONU

24.07.2003 | Fonte de informações:

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Os colombianos celebraram o Dia de Independência no Domingo com gritos de “Paz para a Colômbia”, enquanto o governo de Uribe pondera uma decisão que foi criticada pelas organizações de direitos humanos: amnistiar os paramilitares que cometeram crimes contra a humanidade, se eles deixarem as armas. Simultaneamente, o maior grupo rebelde, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, pediram uma reunião com o enviado da ONU, James LeMoyne, para dar uma explicação objectiva do conflito interno.

Sendo assim, num conflito que ceifa 3,500 vidas por ano, os chefes dos paramilitares fascistas não serão presos se fizerem uma “promessa” de deixarem as armas. A noticia foi dada por Luis Carlos Restrepo, o Comissário para a Paz da Colômbia, que declarou que o governo estava a considerar maneiras alternativas deles pagarem seus crimes, como por exemplo compensação financeira aos seus vítimas.

Os paramilitares foram acusados de serem responsáveis para as piores atrocidades na Colômbia, incluindo massacres de civis, supostos a estarem a colaborar com os rebeldes esquerdistas. Também são acusados de serem um exército em paralelo que defende os donos da terra e os barões da indústria, ligados ao tráfico de drogas, daí a reacção dos activistas dos direitos humanos.

“É totalmente inaceitável, é a definição de impunidade”, disse à AP Robin Kirk, da Human Rights Watch, organização baseada em Nova Iorque, que se afirmou “muito desapontado”. Três dos líderes das Forças Unidas de Auto-Defesa da Colômbia (AUC), o maior grupo paramilitar, foram indiciados por crimes de tráfico de drogas nos EUA.

Para Robin Kirk, um dos perigos nesta decisão é que os grupos rebeldes irão insistir em igualdade de tratamento, exigindo as mesmas condições. De acordo com esta organização, os paramilitares e rebeldes utilizam a venda de drogas para financiar a sua guerra, que começou há 40 anos atrás.

Por sua vez, as FARC estão prontos para iniciarem conversações de paz, exigindo zonas seguras e outras condições que o governo não aceita. Por isso pediram uma reunião com o enviado da ONU para iniciar um processo de diálogo. Em resposta, o Secretário-Geral declarou que a iniciativa das FARC é um passo positivo e pediu que libertem todos os seus reféns. Estima-se que os paramilitares e as FARC raptam cerca de 3,000 pessoas todos os anos.

Apesar destas cifras, reina um clima de optimismo sobre o sucesso dum acordo de cessar-fogo com os paramilitares. No entanto, não houve qualquer iniciativa de paz proveniente do governo para com os rebeldes esquerdistas, que por sua vez procuram apoios no estrangeiro. Alguns observadores consideram que a preferencia do governo para as forças fascistas irá causar um aumento de hostilidades. FARC ameaçou matar todos os candidatos para as eleições municipais de Outubro, afirmando que eles e as suas famílias serão considerados alvos militares. É possível que a política de Uribe de negociar com a direita e combater a esquerda ameace a frágil democracia na Colômbia.

A lembrar que na República Weimar na Alemanha, quando o exército decidiu agir depois do Putsch de Kapp, o sistema foi salvo pela greve geral declarada pela esquerda.

Hernan ETCHALECO PRAVDA.Ru

Traduzido por Márcia MIRANDA

 
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