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O factor OTPOR na Ucrânia?

23.11.2004 | Fonte de informações:

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Primeiro, foi na Geórgia, agora é a vez da Ucrânia. Forças pró-Ocidentais, prontos a venderem a alma a Washington em troca de meia dúzia de tostões, orquestradas pelos mestres estrangeiros, varrem tudo a frente na crista duma onda de revolta popular, hooliganismo e uma ausência de respeito pela lei. O factor OTPOR. Contudo, há uma diferença: se Eduard Shevardnadze conseguir alienar a corrente de opinião pública na Geórgia contra ele, na Ucrânia, seja como for a situação amanhã, metade da população torce por Viktor Yanukovich.

OTPOR

OTPOR é a palavra sérvia para “resistência” e é o nome dado aos activistas que derrubaram Slobodan Milosevic em Belgrado. A mão de OTPOR foi visível na Geórgia: o activista político pró-Ocidental Giga Bokeria, financiado pelo Instituto Eurásia do governo norte-americano, foi a Sérvia reunir-se com os activistas OTPOR, e recebeu-os na visita de retorno a Tblissi, financiado pela Open Society de George Soros.

As semelhanças entre os eventos na Sérvia, na Geórgia e agora na Ucrânia são evidentes e as tácticas quase iguais: utilização da insurreição popular para contestar dirigentes vulneráveis e a mobilização de transportes públicos para trazer grandes números de vocíferos manifestantes para a arena onde está reunida as média internacionais. Finalmente a marcha triunfal sobre o palácio presidencial, colocando uma ameaça directa perante as autoridades, que se vêem confrontados por manifestações gigantes e que têm de evitar um banho de sangue, imagem completada pelo atravessar de linhas de certos agentes de polícia, instruídos a colocar uma flor na arma antes de iniciarem a troca de posições, sempre acompanhada pelas câmeras. Pura e simplesmente uma manipulação mediática.

Intromissão

Na ausência da divulgação de quaisquer resultados oficiais pela Comissão Central das Eleições, ainda não é tempo para fazer comentários, mas os governos ocidentais não se contiveram: a condenação das primeiras notícias do eventual resultado é prova do espírito de intromissão nos assuntos internos da Comunidade dos Estados Independentes (ex-URSS menos os três estados bálticos).

Parece que o ocidente tem um ataque de histeria colectiva cada vez que há um processo eleitoral livre nas Repúblicas da CEI. Neste caso, seja qual for a situação amanhã, quando deveria ficar esclarecido o processo eleitoral na Ucrânia, Viktor Yushchenko, o candidato da oposição, é bem conhecido na sociedade ucraniana: foi primeiro-ministro entre 1999 e 2001, e se não ganhou uma vitória clara, por alguma razão será.

Onde estava esta onda de condenação no processo eleitoral dos EUA em 2 de Novembro?

Quando um comentador norte-americano fala de “fraude e abuso eleitoral”, é risível, depois dos dois fiascos nos EUA que constituem os maiores exemplos de manipulação eleitoral na história recente.

As críticas da OSCE, que dão combustível ao efeito OTPOR agarrado pela oposição, se centram na “manipulação dos média” e nas “pessoas não autorizadas” (polícias e agentes municipais) nas secções de voto. No entanto, contactos da PRAVDA.Ru na Ucrânia explicam que houve vários incidentes de violência durante as eleições e tais incidentes necessitam a presença das forças da manutenção da lei. De qualquer modo, a colocação dos agentes da autoridade cabe ao Ministério do Interior da Ucrânia, não à OSCE.

Outra afirmação ridícula desta organização foi que a grande concentração de votos na Ucrânia oriental foi “altamente suspeita”, enquanto nada disse sobre situações idênticas em regiões da Ucrânia ocidental, em que o processo eleitoral foi uma demonstração dum “espírito democrático forte”.

A reacção de Moscou

A reacção de Moscou foi bem mais equilibrado e como sempre, de acordo com as normas de diplomacia internacional, aceitando o conteúdo provisório da Comissão Eleitoral e aguardando a declaração final, que ainda não veio.

Perigo para a Ucrânia

Qualquer candidato e quaisquer forças que tentam fomentar a tendência natural da Ucrânia para a bipolarização, são perigosos. A Ucrânia ainda está a tentar sarar uma divisão profunda – entre Este e Oeste, pró-Moscovo e anti-Moscovo, Igreja Ortodoxa Russa e Igreja Ortodoxa Ucraniana, russófonos e ucranianófonos, os que falam ucraniano.

Se as acções do candidato Viktor Yushchenko lhe deram a vitória, ficará lembrado como o candidato que apelou à insurreição popular para ganhar o poder. Porém os primeiros resultados da Comissão deram a vitória a Viktor Yanukovich por 49,72% contra 46,7% - representando a vontade de continuar as políticas de reforma actuais.

Dois pesos e duas medidas

Seja como for o resultado final desta eleição, Vladimir Putin já declarou que os observadores internacionais deveriam ter tido mais responsabilidade, em vez de pronunciarem sua posição antes da declaração final da Comissão.

É verdade. Quando o Partido Republicano nos EUA distribui máquinas de contagem eletrônica do voto, compradas a financiadores do mesmo partido, que tinham declarado que tudo fariam para que o presidente incumbente ganhasse, os observadores da OSCE declaram que tudo corria bem e que havia problemas localizados mas não graves. Quando parece que um pró-ocidental vai perder uma eleição na esfera de influência de Moscou, parece que o Diabo cai pela chaminé abaixo.

A missão da CEI e o Instituto de Países do Leste da Europa declararam que a eleição foi “legítima” e que “responde às normas democráticas e do direito internacional”, nas palavras do porta-voz Emir Shleimovich.

Seja qual for o resultado anunciado amanhã, resta a noção do efeito OTPOR na Ucrânia.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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