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Fome e SIDA vs. Neo-Conservadores

23.06.2004 | Fonte de informações:

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Interessante este mundo dois mil anos depois do nascimento de Cristo. Há ainda quem defende Washington por ser o berço da civilização. Esta gente não reside em hospícios, circula nos palácios e centros de governo de muitos países, até na Europa, até em Portugal.

Os líderes políticos que apoiam a política de Washington, no seu acto de chacina no Iraque, fariam bem ler estas páginas de vez em quando. Quem não tem nojo de ter nascido ser humano, quando constata que Washington desperdiçou duzentos bilhões de dólares em atacar o povo iraquiano, enquanto há milhões de crianças a morrerem noutras partes do mundo só porque não têm acesso a água potável, ou porque os pais não utilizaram o preservativo, ou porque pelo acidente chamado local de nascimento, não têm comida suficiente para alimentar o novo bebé que Deus deu à família.

A ONU fala num “espiral de morte” na África Austral, com a população presa entre uma epidemia de SIDA que só tende a aumentar e a insegurança alimentar…na língua de alguns. Na língua de outros, soletra FOME.

“Um vácuo verdadeiramente extra-ordinária” está a ser causado pela morte de professores e profissionais de saúde na região, de acordo com as declarações de James Morris, representante especial de Kofi Annan para necessidades humanitárias na África Austral e Director do Programa Alimentar Mundial.

“Uma tragédia de proporções sem igual” em Malawi, Moçambique, Suazilândia, Namíbia. Infra-estruturas enfraquecidas, a contínua falta de pessoal por causa da pandemia da SIDA, aumento de pobreza, disparidade de riqueza, disparidade entre os géneros. Um défice humanitário.

A África Austral tem a maior taxa de prevalência de SIDA no mundo, com 11 milhões de órfãos hoje. E amanhã? Daqui a dez anos, este número está previsto a chegar a 20 milhões.

“Se um avião 747 caísse todos os dias, haveria uma onda de revolta numa escala internacional. O que enfrentamos aqui é o equivalente, mas não sentimos esta onda de ultraje”, disse James Morris.

Pois não. Nem ultraje, nem interesse. Crianças africanas não dão dinheiro, antes custam dinheiro.

Duzentos mil milhões de dólares, gastos por Washington, na “guerra” no Iraque. Depois de ter desrespeitado por completo a Organização das Nações Unidas, depois de ter desrespeitado a opinião pública mundial.

E depois de ter ignorado, propositadamente, as crianças da África. E ainda há quem defende o Bush.

Parem o autocarro. Deixem-me sair.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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