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Um exemplo da Segurança Nacional do Estado, estilo Bush

23.04.2004 | Fonte de informações:

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Hoje os escritórios da Pravda.Ru em Lisboa receberam um transcrito em português dum documento que é suposto ser uma entrevista entre Al Jazeera e Mohammed Al-Asuquf, o terceiro homem na hierarquia da Al-Qaeda, onde este faz revelações chocantes relativamente à total falta de segurança nos EUA de George W. Bush. Depois daquilo que acabo de ver, não me surpreendo nada, caso fosse verdade.

Para começar, deveríamos explicar como estas coisas funcionam. Os escritórios das três versões da Pravda.Ru em Moscovo e Lisboa recebem centenas de e-mails por dia. Alguns destes são notas de parabéns, outros mensagens insultuosas, outros, histórias falsas para ver se publicamos um disparate e de vez em quando, material de primeira qualidade para nós investigarmos (além do material dos nossos correspondentes).

O material de hoje, em termos jornalísticos, é uma potencial bomba de neutrões. É o transcrito duma entrevista supostamente entre Al Jazeera e Mohammed Al-Asuquf, em que este, o terceiro homem na hierarquia da Al Qaeda afirma que há sete aparelhos atómicos nos estados Unidos da América, que foram levados para lá antes do 9/11, que a segurança antes e depois do 9/11 é uma farsa e explica em pormenor como levaram os aparelhos para os EUA e onde foram comprados.

O documento foi supostamente traduzido para o português a partir do árabe por um professor da comunidade árabe no Brasil, de onde foi enviado para os nossos escritórios em Lisboa, onde está na mesa à minha frente.

O documento poderia ser uma cambada de mentiras, um disparate absoluto, inventado por algum rapaz aborrecido de dezassete anos e com mais nada a fazer, mas com uma boa imaginação. Contudo, no mundo de hoje, quando se fala em bombas nucleares, se há-de prestar atenção, vale a pena averiguar a veracidade do documento e informar as vítimas potenciais do conteúdo daquilo que anda na Internet. Por muito que estamos em desacordo com as políticas do regime de Bush, não queremos ver mais pessoas magoadas, feridas ou mortas.

Por isso, telefonei a Embaixada dos EUA em Lisboa e pedi para falar com a secção de Segurança Nacional (como é costume). “OK Senhor, espera aí um momento por favor!”…três vezes…depois “Pois, senhor? Lamento que não há ninguém da segurança nacional no edifício neste momento…poderia por favor telefonar ao senhor X. na Embaixada britânica? Ele tem as mesmas funções”.

Então, a Embaixada britânica faz o trabalho de Bush em Lisboa, pelos vistos? Telefono para a Embaixada britânica e peço para falar com o dito senhor. Passam a chamada e recebo uma mensagem gravada, dizendo que ele não está disponível neste momento, mas posso deixar uma mensagem. Deixo a mensagem e até agora estou à espera da chamada. Já enviei este artigo em inglês para a versão inglesa, já foi colocada e está disponível, já escrevi mais dois artigos, já passaram duas horas e vinte e três minutos.

Agora, quanto à verificação das fontes…Telefonei a Al Jazeera no Qatar, para verificar se esta entrevista teve lugar ou não (nunca se sabe). Disseram para chamar outro número. Telefonei e passaram a chamada para outro número que apitou 70 vezes (nunca desligo antes) até que eu desliguei.

Esperei 15 minutos e telefonei outra vez. Desta vez, me passaram para a secção da língua inglesa, que indicou outro número, que tocou 70 vezes e...eu desliguei.

Não vou revelar todo o conteúdo do documento porque não posso copiar da Internet tudo que recebo, sem verificar as fontes. Por isso espero uma resposta da Al Jazeera (enviei uma mensagem por escrito).

Ainda estou à espera da chamada da Embaixada britânica. Se o conteúdo da “entrevista” for um disparate, nada perdido, nem vencido. Mas se for verdade? Como se sente, caro leitor, estar a ler este artigo, com as implicações terríveis que poderia conter pela Segurança Nacional dos EUA, antes dos serviços de segurança deste país, e do seu aliado mais próximo, terem alguma ideia daquilo que poderá estar a passar?

Pergunto eu, os cidadãos norte-americanos se sentem verdadeiramente seguros nos EUA de Bush? Então há de descartar para já aquele factor dele ser o candidato que garante mais segurança, nesta campanha eleitoral.

Além de assassino e mentiroso, é rotundamente incompetente.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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