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A Semana Revista

23.01.2005 | Fonte de informações:

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De União Soviética a Federação – alguns soluços mas o paciente está bem

Não se pode chamar a Federação Russa um “doente” mas sim um “paciente” porque as coisas não estão tão maus assim. No entanto, a situação dos pensionistas demonstrou esta semana exatamente onde estão os pontos mais sensíveis nesta transformação de União Soviética a estado com uma economia de mercado, onde tubarão come tubarão, onde cão come cachorro e cada um que se salve.

Se este modelo é melhor que o modelo soviético ou não, é o modelo na moda e a verdade é que se perguntar ao cidadão russo se vivia melhor nos tempos soviéticos, diria que sim, sem qualquer sombra de dúvida. Porém, se perguntar se ele quer voltar à URSS, diria que não, queria manter o sistema actual e trabalhar para dias melhores.

De facto a União Soviética foi um sucesso e logrou todos os seus objectivos, visto que trouxe um povo com um estilo de vida medieval para a linha de frente na educação, na ciência, na industrialização, na investigação, na exploração de espaço, na protecção do cidadão pelo estado, garantindo a paz, garantindo o emprego, comida, pensão, educação, casa e muito mais em apenas algumas décadas.

Agora, com a transição, alguns sectores da população sentem a falta desses benefícios, como transportes públicos grátis e vêem suas pensões a serem comidas pela inflação. As manifestações em São Petersburgo e Moscovo foram um resultado directo destas preocupações e a reacção do Presidente foi imediata. Instruiu o governo a agir e demonstrou uma grande preocupação com as reclamações deste sector do seu povo.

As pensões irão ser aumentadas imediatamente, e serão indexadas automaticamente à taxa de inflação. Contudo, o facto que foram necessárias as manifestações para atrair a atenção do governo é um sinal claro que mais uma vez, se vê uma classe política com elementos bem a vontade nos seus escritórios confortáveis, onde estão cada vez mais longe da realidade do povo.

Bush e Rice: Se metam na sua vida e naquilo que ´ é vosso!

George W. Bush e Condoleeza Rice sofrem duma patologia muito preocupante: têm a mania que mandam naquilo que não é deles. A jurisdição dos Estados Unidos da América se limita ao território nacional desse país e nem um metro mais.

Porém, esses dois começam a sua tomada de posse com declarações agressivas e arrogantes, falando de tirania e da libertação de povos. Quantos países gastaram duzentos bilhões de dólares nos últimos dois anos a chacinar dezenas de milhares de civis? Quem é o tirano, afinal?

Se Bush é um presidente tão popular que tem de se deslocar num carro tão blindado que mais parece um tanque de guerra, se é tão popular que nem sequer ousa sair dum avião na maior parte dos países, se é tão popular que onde for que seja que ele vai, é recebido por milhares de pessoas a protestar contra sua presença, imaginem, se fosse um presidente impopular.

Rice começou o seu mandato como Secretária de Estado dos EUA por defender a política de Washington no Iraque, depois disse que tinha feito erros. Então ela começa por defender erros? Depois disse que Saddam Hussein não tinha dito onde estavam as armas de destruição maciça. Tinha sim, disse que não existiam. Washington o acusou de mentir. Agora que Washington admite que não há nem houve ADM, quem é afinal o mentiroso?

Quanto mais Bush e Rice abrem a boca, pior cheira.

A ONU funciona

Escolhemos Jan Egeland para Personagem da Semana da PRAVDA.Ru por causa da maneira em que tem estado a coordenar os trabalhos das muitas equipas de trabalhadores humanitários na Ásia. É um belo exemplo de como pode funcionar a ONU se é apoiado e não desrespeitado, como fez Washington no caso do Iraque.

O segundo tsunami de doença que se temia, que era suposto a causar tantas mortes quanto o maremoto, não apareceu devido aos trabalhos das equipas da ONU e ONGs controlados por esta Organização.

As crianças estão de volta à escola em muitas áreas, outras zonas foram recuperadas e há progressos por toda a região, com obras de reconstrução e o estabelecimento de centros de tratamento médico, de formação profissional e de distribuição de bens alimentares e água potável.

Há muito mais a fazer, especialmente na parte do norte de Sumatra, onde a situação de pelo menos meio milhão de pessoas continua crítica. Por isso é crucial que a comunidade internacional continue a abrir os bolsos, juntamente com seus corações, e ajudar os que tudo perderam.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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