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Discurso de Bush: Patetóide mas sinistro

22.09.2004 | Fonte de informações:

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George W. Bush fez um discurso infantil, simplista e pouco profundo na 59ª sessão da Assembleia-geral da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque, a Organização cuja Carta ele quebrou e cujas instituições ele desrespeitou e insultou quando lançou seu chocante acto de chacina contra os civis no Iraque.

George Bush entrou no edifício das Nações Unidas sabendo muito bem que os olhos dos cidadãos do mundo estariam postos nele. O que seguiu foi uma demonstração perfeita da sua hipocrisia e uma perpetuação da teia de mentiras que ele e seu regime teceram.

Seu discurso tinha quatro pontos principais: uma tentativa fraca e nada convincente de justificar o ataque contra o Iraque, um pedido de ajuda para lutar contra o terrorismo internacional (juntamente com uma ligação clara mas não dita do Iraque a esse assunto), uma exigência que a ONU faça mais na reconstrução do Iraque e uma palmadinha na mão de Israel, um adendum cosmético para os mais ingénuos, desinformados e ignorantes engolirem.

De facto, os discursos de George Bush ficam cada vez menos profundos, cada vez mais simplistas e simplórios e cada vez menos convincentes, enquanto ele chafurda na lamúria que ele inventa pela sua incompetência, limitações e estupidez, como um animal preso numa ratoeira, que ao tentar escapar, faz movimentos cada vez mais bruscos, que desafiam cada vez mais a lógica, com os resultados óbvios.

Em primeiro lugar, como é que se pode justificar o injustificável? O ataque contra o Iraque foi ilegal sob os termos da lei internacional e a pessoa ou pessoas que talharam este discurso para Bush ler o sabiam muito bem que sob cada e todas as resoluções e sob os princípios da Carta da ONU, a decisão de travar uma guerra tinha necessária e obrigatoriamente de passar por um voto a favor pela maioria dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU. Foi esse o Conselho que Bush evitou a todo o custo, sabendo que nunca iria obter esta aprovação, apesar de ter utilizado chantagem e prepotência em vez de diplomacia. Um golo na própria baliza. 0-1. Em segundo lugar, como é que Bush pôde estar perante a comunidade internacional e reiterar ou perpetrar a mentira que ele e seu regime inventaram, nomeadamente que o Iraque e o terrorismo internacional tinham qualquer ligação? Ou George Bush é agora um mentiroso descarado e compulsivo, que acredita nas suas próprias invenções e alucinações, ou levou uma lavagem do cérebro pelos seus companheiros Wolfowitz, Rumsfeld, Cheney et alia, ou então ele tem estado outra vez a comer demasiados pretzels sem mastigar.

Se o Iraque tivesse tido qualquer ligação com o terrorismo internacional, por quê é que o próprio Bush admitiu mais do que uma vez que não havia qualquer prova de ligação a Al-Qaeda? Por quê é que o regime de Washington mencionou Armas de Destruição Maciça e não terrorismo internacional?

Porque nem pensaram nisso. Só quando a primeira mentira foi desvendada, é que alguém decidiu lançar a segunda, a ver se pegava. O 9/11 foi suficientemente forte para convencer muito americano, incluindo o ingénuo Bush, que nem sabe ler um mapa. Mas será ele e as pessoas que querem elegê-lo os únicos a acreditarem nesse tipo de disparate. Outro golo na própria baliza. 0-2.

Em terceiro lugar, exigir que a ONU presta mais apoio na reconstrução do Iraque é o cúmulo de arrogância e miopia política, depois de ter insultado esta organização tão rotundamente. Já agora, por quê é que ele não corta os pneus do carro do professor e depois reclamar quando este chega atrasado às aulas? Se o Iraque está preparada para eleições, é devido ao grande trabalho da ONU, incluindo Sérgio Vieira de Mello, e não às forças bárbaras e assassinas de Bush, que são responsáveis por crimes de guerra, deitando bombas de fragmentação em áreas civis, escolhendo infra-estruturas civis como alvos militares, cometendo massacres e matando ou mutilando dezenas de milhares de pessoas inocentes. Outro! 0-3.

De facto Bush quase marcou um golo, um único golo, quando mencionou o terrorismo internacional mas também, onde estava ele e onde estava seu país quando Moscovo estava a falar nisso há alguns anos? Estavam tão interessados que até chamaram os terroristas chechenos de “rebeldes” e “separatistas” e depois viraram olho grosso a programas de armamento e financiamento dos mesmos e ao facto que bons aliados de Washington continuam hoje em dia a oferecer asilo político a terroristas procurados por Moscovo. Quanto melhor, foi um remate que saiu muito ao lado.

Foi querido e doce sua menção de Beslan mas também, que valor tem a palavra dum assassino em grande escala e dum criminoso de guerra, quando fala da chacina de crianças mas quando as forças armadas de Washington, dos quais Bush é o comandante-chefe, fizeram a mesma coisa no Iraque? Qual é a diferença entre metralhar uma criança nas costas e deitar uma bomba de fragmentação na sua casa? Os terroristas chechenos chacinaram centenas de crianças russas numa escola. Os terroristas norte-americanos chacinaram centenas de crianças iraquianas nas suas casas. Outro golo na própria baliza. 0-4.

Mas a cereja no bolo neste discurso e insultuoso (para a inteligência colectiva da comunidade internacional) terá de ser a referência a Israel, que tem de desmantelar os assentamentos ilegais e tem de parar com o tratamento desumano e a “humilhação diária” do povo Palestiniano.

Quem foi que sempre apoiou, financiou, treinou e armou o Israel desde o primeiro minuto, quem foi que sempre vetou ou se absteve de todas as resoluções que criticavam as políticas mais feias do Zionismo-Fascismo de Israel? Quem fez sempre vista grossa e se recusou a encarar a realidade no Médio Oriente?

Depois de cinco golos na própria baliza, seria melhor substituir o jogador.

São horas para uma mudança de regime.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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