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Sua Eminência Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah

22.07.2015 | Fonte de informações:

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Sua Eminência Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah. 22595.jpeg

[...] Nessa conferência [do Alto Comando Israelense], a falta de vergonha dos israelenses foi tal, que 'convocaram' uma aliança árabe-israelense para fazer frente ao terrorismo. Imaginem: Israel a convocar aliança árabe-israelense para enfrentar o terrorismo! Querem saber o que é terrorismo, para eles? É o Irã e todos os movimentos da Resistência. 


Mas, para a impostura não ficar muito visível, puseram o Daesch (o Estado Islâmico) junto conosco. Claro que não incluíram a Frente Al-Nusra, nem Al-Qaeda nem outros movimentos como Ansar Bayt al-Maqdis, ou Boko Haram ou... ou... ou...

Israel, a hipócrita, diz que mostra solidariedade ao Egito no Sinai, e incita o conflita entre Egito e a Faixa de Gaza, especialmente com o movimento Hamás. Na Síria, Israel apresenta-se como protetora dos drusos, ao mesmo tempo em que apoia integralmente a Frente Al-Nusra e os grupos de takfiri armados que ameaçam todos os sírios, não só os drusos. É pura hipocrisia. Hipocrisia e falsidade.

Mas, independente dos detalhes, Israel é que é mãe e pai do terrorismo, fonte do terrorismo, o país terrorista, entidade que foi fundada por uma organização terrorista e, para usar conceitos filosóficos: Israel é o único estado cuja própria essência é o terrorismo, cuja natureza é o terrorismo. E esse estado apresenta-se agora como se lutasse contra o terrorismo?! Vejam que tempos, esses, em que vivemos. 

É a mesma Israel que, há um ano, fez a mais cruel das guerras e cometeu os mais nefandos crimes, crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza, a tal ponto que os relatórios internacionais, que tradicionalmente sempre ignoram os crimes de Israel, não conseguiram, dessa vez, encobrir a verdade: o número de mulheres e crianças mortas por Israel, o número de casas destruídas em Gaza, todo o sangue de civis derramado em Gaza. E, depois disso, ainda se atreve a apresentar-se como país civilizado, e quer ser parte de um projeto ou Eixo que luta contra o terrorismo. Não há notícia de mais completa falta de vergonha.

E temos de tomar todo o cuidado para não nos deixar enganar, porque infelizmente há gente que, por causa do impacto do terrorismo em suas vidas, diz "E que tenho eu a ver com Israel?! Minha prioridade é o terrorismo que ataca minha casa!" Porque o terrorismo takfiri existente hoje é uma das mais terríveis adversidade que nossa Comunidade (muçulmana) enfrenta. Porque aqueles terroristas não lutam em bases políticas, por algum projeto político, mas exclusivamente em bases religiosas, ou contra determinada corrente de pensamento, contra uma afiliação religiosa. E todas as matanças que estão acontecendo hoje na região são cometidas por isso, e não por motivações políticas, ou por alguma luta política. 

E quem, para os israelenses seria 'ameaça' contra eles? Eles só olham numa direção, só um país é ameaça para Israel (depois do que aconteceu na Síria, a Síria foi removida da lista de ameaças). Hoje, a grande ameaça, para os israelenses, é o Irã. A República Islâmica do Irã. Por isso vimos, na conferência dos israelenses em Herzliya, antes e depois, que o espírito dos israelenses está completamente obcecado e foi tomado pelo Irã, pela República Islâmica: pelo programa nuclear iraniano, pelo desenvolvimento da capacidade balística dos iranianos, pela economia, pela democracia do Irã, pelo apoio que o povo iraniano dá aos seus governantes eleitos, pela saúde que o país preservou (...) 

Por tudo que se relaciona ao Irã, pode-se ver que Israel dedica ao Irã toda sua atenção, toda sua atividade, dentro e fora do país, em todos os fóruns internacionais. O único alvo, para os israelenses, é a República Islâmica e, ao lado dela, os movimentos de Resistência.

Quanto a Israel, apesar de toda nossa consideração e nosso respeito pelos movimentos de Resistência e por nós mesmos (e não é errado nos manifestar sobre nós mesmos!), os movimentos da Resistência ainda não alcançaram o estágio do qual sejamos, do ponto de vista de Israel, perigo existencial para Israel. Não é vergonha nenhuma reconhecer isso, e é verdade. 

Sim, os movimentos da Resistência representamos hoje um perigo estratégico, para Israel, isso sim. Mas ainda não chegamos ao ponto de sermos ameaça estratégica contra a entidade sionista.

Hoje, em toda a face da Terra, o único estado, a única entidade, a única coisa que Israel considera como ameaça e perigo existencial contra si é a República Islâmica do Irã. Se alguém disser que não é assim, que as coisas são diferentes, que se apresente e exponha sua análise. Nós o ouviremos e discutiremos. Mas hoje, essas são verdades inegáveis.

E é por isso que Israel incita o mundo inteiro contra o Irã: os EUA, o Congresso... Netanyahu está disposto a arruinar suas relações com a Casa Branca, de tanto que insiste em pôr o Congresso contra o Irã. Israel incita os árabes (contra o Irã). E muitos desses regimes árabes já tem, por natureza, os mesmos ímpetos, os mesmos cálculos, a mesma mentalidade, a mesma visão (hostil ao Irã). Essa é a realidade.

A pergunta que se destaca é a seguinte - se nos acalmamos um pouco, para analisar (e destaco também esse ponto), se nos acalmamos como árabes, muçulmanos, palestinos, se todos os povos da região acalmam-se um pouco e refletem com mas tranquilidade, apesar dos tiros, dos sofrimentos, dos gritos, se nós nos acalmamos para refletir com seriedade. - A pergunta que se destaca, então, é a seguinte: Por quê? 

Por que - de todo o mundo árabe e muçulmano, do bilhão e meio de muçulmanos que há no mundo, seus estados, exércitos, o povo -, por que Israel não teme qualquer outro país, só o Irã? Por que Israel não dá qualquer atenção a país algum, só ao Irã? Por que o Irã? Não temos, nós, de nos perguntar exatamente isso, na ocasião do Dia Internacional de Al-Quds (Jerusalém)? 

Por que essa hostilidade total, dos sionistas, contra o Irã? Por que não se observa sensibilidade alguma, preocupação alguma, nenhuma ansiedade, nem o medo, nem as preocupações, dos sionistas, contra, por exemplo, a Arábia Saudita? Ou a propósito de qualquer outro regime árabe? E não pensem que tento introduzir a força aqui a Arábia Saudita, que Sayed (Nasrallah), hoje, está azedo contra a Arábia Saudita. Nada disso. Minha pergunta é pergunta que surge naturalmente: por que Israel é obcecada contra o Irã, e não é obcecada contra a Arábia Saudita? Por quê?

Hoje, nesse momento, os países árabes e os exércitos árabes estão comprando bilhões de dólares em armas, jatos, mísseis, artilharia, armas antitanques, mísseis de longo alcance... 

Mas Israel não se incomoda, nada, absolutamente não se incomoda, porque há uma certeza, uma garantia, uma confiança, não só um compromisso assinado; Israel tem confiança absoluta nessa mentalidade árabe oficialista, e naqueles regimes árabes oficialistas, a ponto de nem precisar de garantias escritas. A história e a experiência são a melhor prova: durante 67 anos, o que, por exemplo, os árabes fizerem, a maioria deles? 

Para resumir: Israel sabe com certeza que os regimes árabes oficialistas já lhes venderam a Palestina, Al-Quds (Jerusalém) e todo o povo palestino. Prova disso é o que acontece há 67 anos, até hoje.


Bem... Esse ano, visitaram Gaza? As casas dos gazenses foram reconstruídas? Como vivem os feridos de Gaza? Onde está o bloqueio de Gaza? Como está o povo de Gaza? 

Se apenas uma fração dos bilhões de dólares que a Arábia Saudita gasta na guerra contra o Iêmen, na guerra contra a Síria, na guerra contra o Iraque e na repressão a povos árabes, fosse gasta em Gaza... não teríamos hoje situação mais aceitável em Gaza? Não são eles parte da Palestina? Não são parte da Comunidade Islâmica? 

(Perdoem-me por voltar a falar assim, mas hoje somos obrigados a falar nesses termos) E não são eles talvez parte da Comunidade Sunita? Não são eles todos muçulmanos que jejuam e rezam? Por que os palestinos foram abandonados? Porque há uma decisão no mundo árabe oficialista, de vender a Palestina (a Israel). Para o mundo árabe oficialista a Palestina não existe. E os palestinos são torturados e vivem entre ruínas por causa daquela decisão.

Porque Israel também sabe que o projeto takfiri, que é patrocinado por alguns países árabes, não se preocupa nem com Palestina nem com Al-Quds (Jerusalém), e que sua batalha se trava noutros campos, e que esse projeto takfiri serve direta e completamente aos interesses israelenses. E - sem que os israelenses fizessem qualquer esforço -, o mesmo projeto takfiri destruiu Síria e Iraque e participou da destruição do Iêmen e da disseminação de conflitos sectários e étnicos entre muçulmanos e cristãos, rompendo o tecido social e nacional dentro de cada país e partindo em mil pedaços nossa Comunidade islâmica. E tudo perfeitamente gratuito, para Israel.

Quem continua a carregar a bandeira da causa palestina? Não digo isso para elogiar o Irã, mas para que todos tomem posição. É indispensável tomar posição. O único que continua a levar a bandeira, que enfrenta o inimigo e recusa-se a reconhecer até a existência da entidade sionista, ainda que as negociações e qualquer acordo sobre a questão nuclear pudessem vir a ser interrompidos por esse motivo, ainda que as discussões em Viena demorassem mais que o previsto. 

Todos lembram de que Netanyahu queria que o acordo incluísse uma cláusula pela qual o Irã reconhecesse Israel. Pois lhes digo: se todo o dossiê nuclear fosse esquecido, se o Irã recebesse tudo que estava requerendo na questão nuclear, inclusive itens com os quais ainda nem sonhou, se a única condição para obter tudo isso fosse o reconhecimento, pelo Irã, da existência de Israel, a República do Irã, a República do Imã Khomeini, sob a liderança de Sua Eminência o Imã Khamenei, mediante seu governo, a Câmara de Deputados e o povo do Irã jamais aceitariam tal cláusula - porque o Irã estaria abandonando os fundamentos de sua religião. Todos sabem que isso é o Irã.

E porque o Irã continua a enfrentar o inimigo, é o Irã quem apoia o Eixo da Resistência, seus estados, seus povos e seus países, politicamente, moralmente, materialmente, financeiramente, em termos de armas, dentro e fora de casa. E aí está algo que ninguém teve coragem para fazer ou, sem medo de exagerar, tantos têm medo de fazer. Apesar das severas sanções que o Irã sofreu durante 30 anos, e da ameaça de guerra permanente e de ver suas instalações bombardeadas. 

Porque o Irã é tão tremenda ameaça contra Israel, e ao projeto norte-americano de dominação sobre toda a região, tantas guerras militares foram guerreadas no passado contra o Irã, e guerras jornalísticas, políticas, psicológicas e econômicas continuam a ser guerreadas contra o Irã, guerras que envolvem instrumentos e aliados dos EUA na região e que, pelo que têm feito, são o melhor apoio com que Israel conta, há décadas.

Nesse Dia Internacional de Al-Quds (Jerusalém), permitam-me falar francamente com muçulmanos, cristãos, árabes, palestinos, com os movimentos da Resistência e com todos que apoiam e mantêm a causa palestina: a única via que há para estar com a causa palestina é pôr-se ao lado da República Islâmica do Irã. E quem for inimigo da República Islâmica do Irã, será também inimigo da Palestina e de Al-Quds (Jerusalém). Por quê?

Porque nada disso são slogans vazios. Porque a única esperança, além de Deus Todo-Poderoso e Altíssimo, de recuperar a Palestina e Al-Quds (Jerusalém), é apoiarmos a República Islâmica, ajudá-la, ela e os cidadãos e os movimentos da Resistência, e, sobretudo, o apoio que dão ao povo palestino. 

Enquanto o mundo permanecer dividido em polos, campos militares e posições, temos de dizer com clareza e diretamente: se queremos ser sérios e sinceros, se deixarmos de lado todo o partidarismo, se queremos ser lógicos, só há uma visão lógica: Israel, a inimiga, reconhece unanimemente o que digo, não há uma pessoa em Israel que diga coisa diferente, sobre a República do Irã.

Quanto às tentativas para escapar dessa evidência histórica e decisiva, sob o pretexto de algum "Projeto Persa"... Não existe "Projeto Persa" algum! É mais uma mentira, para manter o povo afastado do único aliado genuíno e sincero de árabes e muçulmanos e de todos os povos da região: é o Irã. 

Qualquer outra coisa que tenha a ver com algum projeto safavida, não passa de palavras ocas, exumadas de alguma história velha. Qualquer ideia que evoque qualquer ostensivo crescente xiita é futilidade... 

Além do mais, o Irã está agora sendo acusado no Iêmen, mas... O crescente seria Irã-Iraque-Síria-Líbano: como esse crescente chegaria até o Iêmen? Quem tentam enganar? Não passam de mentiras inventadas pela mentalidade árabe oficialista corrupta, a mesma que já abandonou a Palestina e Al-Quds (Jerusalém): se alguém surge querendo estender uma mão de ajuda à Palestina e a Al-Quds (Jerusalém), eles imediatamente o apresentam como inimigo.

O Xá [do Irã] nunca foi inimigo deles quando foi aliado de Israel, apesar de o Xá ser xiita. Agora, querem apresentar o Irã como inimigo! E inventam que haveria um Crescente xiita, que disseminam o xiismo; inventam um Projeto Persa, um projeto safavida e tal, e tal... Nada. Só conversa absurda e frases vazias. [...] *****

 

"Israel é o terrorista total. Israel é obcecado contra o Irã"  
15/7/2015,  Blog The Vineyard of the Saker (transcrição e vídeo legendado em ing., excerto)

 

 
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