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Papa Bento XVI se ajoelha em celebração da Sexta-Feira Santa

22.03.2008 | Fonte de informações:

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Papa Bento XVI se ajoelha em celebração da Sexta-Feira Santa na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Bento XVI quebra tradição e não percorre Via Crucis.

 Papa Bento XVI assistiu da colina do Palatino na noite desta sexta-feira a tradicional Via Crucis, que lembra o calvário de Cristo até sua crucificação, evitando a procissão realizada sob chuva e vento em Roma.Segundo o programa oficial, o Papa deveria percorrer a pé as três últimas estações, mas devido ao mau tempo em Roma, o Santo Padre optou por não participar diretamente da procissão segundo AFP.

A decisão do Papa, 80 anos, de não percorrer a Via Crucis quebrou uma tradição instaurada em 1741 por Bento XIV e esquecida por vários anos, até ser retomada em 1925.

O cardeal italiano Camillo Ruini, vigário de Roma, se encarregou de dirigir a procissão até o final.
A cerimônia teve início às 21H15 local (16H15 Brasília) e foi acompanhada por milhares de católicos, entre eles muitos padres e freiras, que enfrentaram a chuva e o vento na região do Coliseu.

A decisão do Papa foi qualificada de um "gesto de prudência" por seu porta-voz, padre Federico Lombardi, que lembrou que este ano Bento XVI realizará várias viagens ao exterior, incluindo aos Estados Unidos, em abril.A Via Crucis este ano foi dedicada aos sofrimentos e perseguições contra a Igreja católica da China.


Como um gesto para manifestar sua atenção pessoal ao continente asiático e envolver os fiéis chineses, apesar dos acontecimentos no Tibete, o Papa pediu ao cardeal de Hong Kong, o chinês Joseph Zen Ze-Kiun, que redigisse as meditações e orações lidas nas estações do calvário de Cristo.
"Nos encontramos a esta hora e neste local, que nos lembra de tantos servos e servas que há muitos séculos, entre os rugidos dos leões famintos e os gritos da multidão, se deixavam esquartejar até a morte por fidelidade a teu nome", destacou o cardeal Zen em seu texto.

"Os Coliseus se multiplicaram através dos séculos em locais onde nossos irmãos estão sendo duramente perseguidos", prosseguiu, sem citar diretamente a China, mas evocando a "Igreja do silêncio".

"Em tantas partes do mundo estamos atravessando uma hora tenebrosa de perseguições".
"O Papa quer que chegue ao Coliseu a voz deste irmãos e irmãs, que estão distantes (....) mas esta noite estão conosco aqui, no coração do Santo Padre e em nossos corações; os mártires viventes do século XXI".

Em suas meditações, o cardeal de Hong Kong lembrou também os "perseguidores" e citou Pôncio Pilatos, o governador romano que condenou Jesus à morte: "É aquele que usa a autoridade como instrumento de poder e não para ditar justiça".

A Santa Sé rompeu relações diplomáticas com a China em 1951, dois anos após a vitória do comunismo, mas anos depois voltou a se aproximar de Pequim visando reunificar a Igreja católica naquele país, dividida entre a "oficial", reconhecida pelo governo, e a "clandestina", fiel ao Papa.
Uma jovem chinesa entregaria ao Papa a cruz na 12ª estação.

A Via Crucis foi transmitida ao vivo pela TV estatal italiana.
No sábado, o Papa presidirá a vigília pascoal na Basílica do Vaticano, e no domingo concluirá as celebrações da Semana Santa com a missa da Resurreição e a mensagem "Urbi et orbi".

 
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