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RESULTADOS DA 15.ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE A SIDA

20.07.2004 | Fonte de informações:

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"A história irá castigar-nos sem piedade se não lutarmos contra a SIDA por todos os meios ao nosso dispor", declarou na cerimónia de encerramento da 15.ª Conferência Internacional sobre a SIDA um dos líderes mundiais na luta contra a SIDA, Nelson Mandela. "O mundo tem que canalizar recursos financeiros para a salvação das vidas humanas", anunciou o director executivo da UNAIDS, Peter Piot.

"Não devemos esquecer a nossa responsabilidade", adiantou Nelson Mandela. Os participantes da Conferência apelaram numa declaração especial - "The Bangkok Leadership Statement" - ao reforço da vertente política da luta contra a epidemia. A maioria dos intervenientes - políticos, personalidades públicas, médicos, defensores dos direitos humanos, seropositivos - assinalaram a necessidade de aumentar o financiamento dos programas de tratamento e profilaxia da doença. Este apelo foi o principal tema da Conferência, dirigido antes de tudo ao Fundo Global de Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária, cujo doador principal são os EUA, ao empresariado de vários países e fundações particulares.

"A Conferência deu a oportunidade de conhecer os novos medicamentos contra a SIDA que foram elaborados" -, disse na entrevista à RIA "Novosti" o chefe do Departamento de Controlo da HIV/SIDA do Serviço Federal de Protecção dos Direitos dos Consumidores e Bem-Estar do Homem, Aleksandr Goliussov. - "Hoje já temos novos medicamentos que combatem ao vírus quando este ainda está fora da célula, ou seja, no espaço entre as células. Se desenvolvermos esta orientação poderemos contar com progressos significativos no que se refere à prevenção da doença. Quer dizer, seremos capazes de bloquear o vírus antes de este entrar nas células".

O perito russo adiantou que, apesar dos problemas financeiros, a Rússia tem todas as possibilidades de aplicar as novas tecnologias de tratamento e profilaxia da SIDA. Para tal existem o Programa Federal de Prevenção e de Luta contra as Doenças de Carácter Social (2002-2006) e os programas internacionais de financiamento da luta contra a SIDA na Rússia. O Banco Mundial disponibilizou à Rússia um empréstimo no valor de 150 milhões de dólares para próximos 5 anos para a realização do projecto "Profilaxia, Diagnóstico e Tratamento da Tuberculose e da SIDA". O Fundo Global da Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária aprovou um projecto do consórcio das cinco principais organizações não lucrativas especializadas no tratamento do HIV. Este projecto de prevenção será realizado ao longo de 5 anos em 10 regiões da Rússia.

É muito importante aumentar a participação das organizações não-governamentais na profilaxia e tratamento da doença, assinala Aleksandr Goliussov. Estas organizações têm bastante experiência de contactar com os grupos de risco (pessoas envolvidas na prostituição, toxicodependentes, mulheres grávidas, etc.). Há que fazer um trabalho entre os consumidores de drogas injectadas, o que irá reduzir os ritmos de proliferação da doença. Por enquanto os programas de redução de riscos através do sistema de troca de seringas são as únicos métodos de que os médicos dispõem para trabalhar com os toxicodependentes.

"Hoje em dia dispomos de métodos de tratamento capazes de fazer parar a doença, o que altera a situação radicalmente, pois faz com que uma parte dos seropositivos possam viver ao longo de muitos anos", repara o chefe do Centro Federal da Luta contra a SIDA, Vadim Pokrovski.

No entanto ainda nem todos os portadores do vírus têm acesso a este tipo de tratamento, constata o perito russo, pois é bastante dispendioso (cerca de 10 mil dólares por ano por pessoa). "Agora a nossa tarefa principal é disponibilizar a todos os seropositivos os necessários medicamentos e reduzir o preço do tratamento. Se comprarmos os medicamentos nos países em vias de desenvolvimento, tais como a Índia, ou os produzirmos no nosso país, como o faz o Brasil, poderemos reduzir os preços em dez vezes", conclui Vadim Pokroivski.

Olga Sobolevskaia comentarista RIA "Novosti"

 
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