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A Semana Revista

20.06.2004 | Fonte de informações:

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EUROPA VOTA CONTRA

Voto de Protesto registado em toda a Europa

A oposição de esquerda ganhou votos contra governos de direita, as forças de oposição de direita melhoraram suas posições contra formações de esquerda ou centro-esquerda, enquanto noutros países, os Euro-cépticos ganharam ao custo da direita e da esquerda. Em conclusão, foi um voto de protesto numa taxa de votação que registou um novo recorde negativo, de 43%, traduzido num cartão amarelo para os Eurocratas.

Num cenário perfeito, 350 milhões de europeus bem informados teriam lido a mapa política em 2004 e teriam decidido que neste momento da história mundial, seria prudente colocar em Estrasburgo o máximo número de políticos da esquerda quanto possível, para ganhar algum peso contra a onda neo-conservadora proveniente dos Estados Unidos da América.

Contudo, como era previsível, o evento que se chama “Eleições para o Parlamento Europeu, 2004” se tornou num conto triste de apatia política escrita por uma população cada vez mais confusa e céptica em relação ao Projecto Europeu.

Primeiro, poucos são aqueles que sabem em quem estão a votar, quais são os agrupamentos em Estrasburgo, quais os poderes do Parlamento Europeu e qual a significância deste organismo sobre a sua vida quotidiana. Em Portugal, por exemplo, a coligação no governo (PSD/PP) envia seus dois partidos a lados opostos da Câmara dos Deputados em Estrasburgo, mas disputa a eleição como um bloco único.

Com a contagem e análise dos votos, o único factor comum parece ser que a Oposição, seja qual for, ganhou em quase todos os países e que a população de Europa está firmemente contra o acto de chacina chamado a Guerra contra o Iraque.

Coligações de esquerda ou centro-esquerda ganharam votos contra governos da direita em 7 dos 25 Estados-Membros: Áustria, onde o Partido de Liberdade (extrema-direita) perdeu 4 dos seus 5 lugares; em França, onde os Socialistas fizeram mais ganhos; na Itália, onde a coligação de Berlusconi viu sua percentagem do voto cair dos 29,4% até 21%; em Portugal, onde os Socialistas e Bloco de Esquerda fizeram ganhos significantes, os Comunistas mantiveram a posição e o governo de centro-direita (PSD) e da direita (PP) foi esmagado numa onda de revolta popular contra suas políticas anti-sociais e pouco populares; na Lituânia, a oposição do centro-esquerda venceu os Democratas Sociais, em Malta, os verdes e o Partido Socialista venceram o Partido nacionalista e na Estónia, o governo de centro-direita foi quem mais votos perdeu.

As forças anti-guerra desempenharam um papel fundamental em Dinamarca, onde o governo Liberal foi punido por ter apoiado a guerra pelos Democratas Sociais (pró-integração) e nos Países Baixos, onde um novo agrupamento anti-guerra, Europa Transparente, ganhou dois lugares. Com os Socialistas da Espanha a manterem sua posição e o governo pró-guerra de Portugal a ser esmagado, a Europa falou bem claro contra os sicofantas de Washington e sobre a sua posição perante a política externa de Bush, baseada em beligerância, prepotência e chantagem.

A oposição da direita política ganhou em 5 países: na Alemanha, onde os Cristãos Democratas impuseram o pior resultado desde a Segunda Guerra Mundial ao SPD de Gerhard Schroeder; na Hungria, onde a oposição conservador ganhou 13 lugares e onde o primeiro cigano foi eleito ao Parlamento Europeu; na Eslovénia, onde a oposição do centro-direita fez ganhos contra o centro-esquerda; na Letónia, o Partido Para a Pátria e Liberdade foi o vencedor e na Finlândia, o Partido Conservador da Coligação Nacional foi o que maior partilha dos votos ganhou.

Os partidos no governo mantiveram a sua porcentagem do voto em 6 países: na Bélgica, onde se efectuou uma taxa de votação de 90,08% e onde o governo Liberal-Socialista ganhou 2 lugares; na Grécia, onde o Partido Conservador no governo manteve a distância sobre os Socialistas; na Espanha, onde os Socialistas permaneceram a frente; na Eslováquia, onde o governo manteve a posição de liderança mas onde menos que 17% da população foi votar; na Irlanda, onde o Partido Fianna Fail (governo) mantém seus 5 lugares e a oposição Fine Gael seus 4 e em Luxemburgo, onde o Primeiro-ministro Jean-Claude Juncker confirmou seu estatuto como Chefe de Governo por mais tempo na União Europeia, numa taxa de votação de 85%.

Forças anti-União Europeia ou Euro-cépticos fizeram ganhos em 5 países: na república Checa (o Partido Democrático Cívico, com 9 dos 24 lugares), onde a taxa de votação foi de apenas 29% e onde os Democratas Sociais no poder venceram menos que 9% do voto; na Polónia, os Euro-cépticos e partidos da direita fizeram substanciais ganhos contra o centro-esquerda (com uma taxa de votação de menos que 20%); na Suécia a força euro-céptica Lista de Junho venceu 14% do voto; no Reino Unido, Labour e o maior partido da oposição, o Partido Conservador, perderam votos contra o novo Partido de Independência, anti-UE, que ganhou 16,1% do voto com 2, 650,000 votos, mais que o bem estabelecido Partido Liberal Democrático. Em Chipre, o voto soletrou um claro NÃO contra a unificação.

Em conclusão, um voto claro para uma Europa de Nações, juntos mas não unidos por um acordo comercial com base muito larga e flexível com muita margem de manobra e um voto contra uma Federação de Estados controlados pelos Eurocratas em Bruxelas, Estrasburgo e Luxemburgo. Ninguém perguntou à população da Europa se quiseram este modelo, ninguém sabe em quem ou em que está a votar porque ninguém nestes três cidades se motivou a explicar de forma eficaz aos cidadãos o que estão a fazer e para onde vamos.

Ninguém pode exigir que a população da Europa pratique a democracia quando as instituições em que votam são dos mais antidemocráticas em existência, pois o único organismo que é eleito directamente é o único que não detém nenhum poder executivo. Os Eurocratas fariam bem se ouvissem a vox populi, que falou de forma inequívoca e entregou-lhes uma mensagem clara: um cartão amarelo ao actual modelo. A elevada taxa de abstenção é uma prova da falta de satisfação dos cidadãos, um voto contra o sistema. Cabe aos políticos motivá-los a votar e isso se faz por acções, não palavras e omissões.

ELEIÇÕES EUROPEIAS: PORTUGUESES FALAM DE FORMA CLARA

Não há dúvidas: o Governo PSD/PP não tem o apoio do povo português

José Barroso responsável por pior resultado de sempre para a direita política em Portugal.

Fazendo a análise dos resultados da eleição para o Parlamento Europeu no Domingo em Portugal, uma mensagem bem clara foi entregue ao governo pelo povo português: um cartão vermelho.

A coligação do Partido Social Democrata (centro-direita mas com cariz de Direita assumida) e do Partido Popular (Direita assumida mas com cariz de Extrema Direita) receberam o que mereceram dum povo que está farto de políticas que não têm qualquer preocupação social (basta a Ministra das Finanças dizer constantemente que não há reformas sem dor), nem age de forma Democrática, nem pelos vistos é muito popular.

O grande vencedor não é só o Partido Socialista, que ganhou 44,52% do voto, com quase 400.000 votos mais do que a coligação PSD/PP, cuja campanha absurda em conjunto, quando em Estrasburgo sentem em blocos diferentes, não deve ter passado despercebida. Também grande vencedor foi o Bloco de Esquerda, que viu um aumento substancial da sua base de apoio (de 1,79% em 1999 para 4,92% agora) o que vale um deputado em Estrasburgo – Miguel Portas.

A Coligação Democrática Unitária (PCP e os Verdes) mantém sua posição como terceiro maior partido político com 9,10 % do voto, mais que 300.000 eleitores e consolidada sua base de apoio em Beja (29,47%), Évora (26,57%), Setúbal (17,39%) e Portalegre (15,51%).

Não é só a campanha insípida da coligação PSD/PP, que já nem tem ideias novas, que levou o país à berma da ruptura social mas que continua dois anos depois a culpar os outros, que causou uma onda de pessimismo político que depressa infectou a economia numa altura internacional delicada…a culpa dum José Barroso que queria ser Primeiro-ministro a qualquer custo mas sem a devida preparação.

O cartão vermelho a esta coligação, que com 33,26% do voto ficou (os dois partidos juntos) mais que onze pontos percentuais atrás dos socialistas, se deve à maneira desumana que tem conduzido a política económica e social de Portugal. Utilizando um sistema de políticas de laboratório, seguido por políticos cinzentos profissionais que nada percebem da realidade do povo que os elegeu para liderar em tempo de crise, esta coligação viu o desemprego subir em flecha de 4,5% a 7,3% e gerou a situação em que chega a demorar seis meses para o subsídio do desemprego chegar às famílias.

Isso, quando não há ninguém no governo capaz de criar a faísca que irá acender o motor económico em Portugal. Há muita boa gente em Portugal que começa a contar os dias até à próxima eleição legislativa em Portugal, que deve ser em menos que dois anos.

Com este pior resultado de sempre da direita política em Portugal, se pode fazer o balanço dos dois anos de chefia do governo por José Manuel Barroso, o pior primeiro-ministro na história quase milenar de Portugal.

EURO 2004: RÚSSIA SAI COM CABEÇA ERGUIDA

Decisão absurda do árbitro entrega resultado a Portugal. 2-0 Gostaríamos de pensar que não há árbitros incompetentes, gostaríamos de pensar que não há tráfico de influências dentro da UEFA e que Portugal não está a ser ajudado a chegar à fase seguinte. Gostaríamos de pensar que Sergei Ovchinnikov colocou sua mão sobre a bola fora da sua área.

Gostaríamos de pensar que não há árbitros incompetentes, gostaríamos de pensar que não há tráfico de influências dentro da UEFA e que Portugal não está a ser ajudado a chegar à fase seguinte. Gostaríamos de pensar que Sergei Ovchinnikov colocou sua mão sobre a bola fora da sua área.

Porém, para os que não vêm aquilo que existe, a patologia é bem simples de resolver: uma visita ao oftalmologista. Para aqueles que começam a ver coisas que não existem, é bastante mais complicado. O árbitro norueguês Tarje Hauge é pelos vistos um que sofre desta patologia e por isso deveria estar num hospício, e não num campo de futebol. Prejudicou a Rússia e terminou sua campanha precocemente. Uma vergonha.

No entanto, Rússia fez um excelente jogo de futebol, passando a bola entre o meio campo e o ataque com fluência e coerência e chegando por diversas vezes à baliza de Ricardo, embora com dez homens durante mais que metade do jogo. Rússia demonstrou que tem uma equipa coesa e com habilidades individuais que daqui a dois anos vai causar sensação no Mundial de 2006 na Alemanha.

As equipas alinharam:

Portugal

Ricardo; Miguel, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Nuno Valente ; Costinha, Figo, Maniche, Deco; Simão Sabrosa, Pauleta.

Treinador: Felipe Scolari

Rússia

Ovchinnikov; Smertin, Evseev, Sennikov, Bugayev ; Kariaka, Loskov, Izmailov, Alenichev, Aldonin; Kerzhakov

Treinador: Georgi Yartsev

Portugal marcou cedo, depois de ter testado a defesa da Rússia já desfalcada por três elementos devido a lesões e castigo neste novo Estádio da Luz, lar do SL Benfica. No entanto, o golo foi trabalhado por jogadores do FC Porto. Deco venceu um marcador na defesa e passou a Maniche, que recebeu a bola fora da pequena área e disparou forte. 1-0 para Portugal.

Sete minutos. A multidão cheirou sangue no ar, previa-se um massacre.

Não para esta equipa russa. Arregaçou as mangas e tocou a trabalhar humildemente, como equipa. Reagiu e aos poucos foi entrando no jogo. Aos 11’, Kiriaka testou o flanco esquerdo da defesa portuguesa, vencendo Ricardo Carvalho, um dos muitos lances de classe por este médio russo. Aos 15’, Rússia começou a montar séries de passes, com Kerzhakov, Loskov e Alenichev testando mais o flanco esquerdo. Deco, Figo e Simão Sabrosa mantiveram a pressão por parte de Portugal e cada vez mais ficou evidente que o jogo estava equilibrado, que não haveria um massacre e que a Rússia afinal sabe dar toques na bola.

Aos 20’, a pressão por Loskov e Kerzhakov se traduziu no cartão amarelo de Ricardo Carvalho. Com Smertin e Evseev controlando Figo e Deco, Simão Sabrosa e Nuno Valente incapazes de penetrar na betão constituída pela defesa russa, Ovchinnikov deve ter estado a sentir cada vez mais tranquilo.

Loskov, Kerzhakov, Alenichev e Kariaka faziam raids cada vez mais profundos e previa-se o golo do empate. Foi aí que o árbitro Hauge fez sua intervenção clínica, tirando o coração da equipa russa no momento certo. Aos 45’, Ovchinnikov teve de sair da sua área para impedir que Pauleta fizesse danos, depois de ter interceptado um mau passe de Sennikov. Caiu por cima da bola, mantendo suas mãos fora do esférico.

Possivelmente e por um micro-segundo, sua luva direita tocou na bola mas não influenciou a jogada. Se houvesse contacto, era bola na mão e não mão na bola. O árbitro norueguês não hesitou e agarrou a única oportunidade que tinha para deixar sua marca no jogo. Expulsou Ovchinnikov, reduzindo a Rússia a dez homens. Os danos foram feitos. Missão cumprida (telefonema à UEFA…consegui!)

Yartsev manteve o sangue frio e substituiu Aldonin pelo segundo guarda-redes, Vyacheslav Malafeev, uma excelente escolha que manteve a Rússia no jogo.

Na segunda parte, Rússia saiu determinada e se recusou a deixar cair os braços. Com Bugayev e Sennikov firmes na defesa, Izmailov e Kariaka começaram outra vez a explorar oportunidades mais perto da baliza de Portugal, culminando com um remate fulminante de Kariaka aos 53’ que passou por cima da barra.

Confirmando o perigo, Scolari substituiu Pauleta por Nuno Gomes, um jogador atacante que recua mais que o número 9, que auxilia no meio campo. Um sinal claro que a Rússia estava a crescer.

E continuou a fazê-lo. A resposta foi dois ataques e dois remates por Kariaka dentro de um minuto, faltas cometidas por Deco e Jorge Andrade no minuto seguinte, um livre directo por Loskov aos 60’, mais dois remates aos 61’ e aos 62’ uma tentativa por Kariaka. Aos 63’, Simão foi substituído por Rui Costa.

No entanto, se não fosse Malafeev na baliza da Rússia, seus companheiros não estariam tanto a vontade na frente. Aos 64’, defendeu bem, empurrando um remate de Figo contra um poste.

Rússia respondeu com um movimento atacante que viu Kerzhakov cair na área portuguesa, empurrado por Ricardo Carvalho. Desta vez, o árbitro não viu aquilo que existia. Aos 68’, Alenichev e Kerzhakov trabalharam a bola, entregando-a a Kariaka, cujo remate foi bloqueado por Miguel na defesa de Portugal.

Aos 71’, Malafeev teve de intervir outra vez, negando Nuno Gomes, provocando a substituição do já cansado Izmailov por Bystrov aos 72’.

Aos 74’ Malafeev mais uma vez negou o golo a Deco com uma intervenção chave.

No entanto, há um limite para tudo e os dez homens da Rússia começaram a ficar cansados. O ambiente, a multidão, o calor e o árbitro estavam contra eles. Os ataques portugueses ficaram cada vez mais incisivos e cada vez mais frequentes. Malafeev teve de trabalhar cada vez mais, negando Figo, Rui Costa, Miguel.

Scolari manteve a pressão, substituindo Figo por Cristiano Ronaldo. Yartsev respondeu com a substituição corajosa do médio Kariaka pelo atacante Bulykin, jogando agora com três avançados.

Aos 81’, Bystrov caiu na área portuguesa mas o norueguês outra vez fez vista grossa.

Até ao final do jogo, a equipa portuguesa manteve a pressão até que aos 89’, Rui Costa marcou o golo que matou o espectáculo. 2-0.

Parabéns a Portugal, mas deve dizer-se que a Rússia não teve nenhuma felicidade neste campeonato, enfrentando as duas equipas ibéricas na Ibéria e no calor ibérico. No entanto, a equipa lutou com coragem e deixa uma excelente imagem para no futuro, brilhar. Sai de Portugal com a cabeça erguida, tendo ganho muito respeito e muitos amigos.

Que belo campeonato e que bela festa de futebol que é esta UEFA 2004. A lamentar, o atitude de Maniche, que recebeu a bola do seu colega de equipa no FC Porto Alenichev para efectuar um ponta-pé livre…mas fingiu que a bola lhe tinha sido arremessado à cabeça, deitando-se e enrolando-se no chão com expressão de dor aguda. Que triste espectáculo. A ver se Portugal não sai logo da competição, numa espécie de castigo divino, hoje frente à Espanha.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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