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Eleições no Iraque: Uma análise da política externa dos EUA

20.01.2006 | Fonte de informações:

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Horas antes da publicação dos resultados das eleições no Iraque (realizadas em Dezembro), como serão? E quem consegue explicar porque no Iraque (437 mil quilómetros quadrados e 26 milhões de habitantes), leva seis semanas a publicar os resultados das eleições quando por exemplo no Brasil, um país com 8.512.000 quilómetros quadrados e com uma população de 186 milhões, leva horas?

Manipulação

A palavra-chave na política interna e externa do regime de Bush é “manipulação”. Tal como uma cassete de bin Laden vai aparecer cada vez que as sondagens sobre a política ou popularidade do regime de Bush começam a agravar, a manipulação de pessoas é um factor constante na política perseguida pelos elitistas corporativos que ditam a política de Washington.

A manipulação do medo foi um importante factor na re-eleição do regime, apoiado por cristãos que preferiram fazer vista grossa ao assassínio, tortura, prepotência, blasfémia, raptos, a prática de sodomia, perversões sexuais, urinar sobre prisioneiros, defecar na sua comida, os campos de concentração, as mentiras, documentos forjados e inúmeros outros actos repugnantes e execráveis que foram prática comum do primeiro mandato deste regime.

Levar seis semanas para publicar os resultados das eleições no Iraque, quando em qualquer República das bananas algures quente e húmido, onde os votos são levados a pé para uma estação de contagem manual, o processo levaria quanto muito duas semanas, portanto três vezes menos do que no Iraque dominado pelos Estados Unidos, faz levantar a suspeita mesmo daqueles com o máximo de boa vontade. Por isso a palavra “manipulação” surge outra vez como o melhor vocábulo para descrever a situação.

O quê é que o Bush fez para o Iraque?

O Iraque era um país estável, onde como a maioria dos países na região, existia um partido único (Ba’ath), enquanto em outros, há ditaduras controladas por famílias reais. O Presidente, Saddam Hussein al-Tikriti, manteve o país unido com um pulso de ferro, com a bênção de Washington, assassinando ou mandando assassinar aqueles que se opunham ao seu regime.

Os que não se envolviam em actividades políticas contra o governo eram mais ou menos livres a fazer o que queriam. A mulher no Iraque era talvez a mais livre no mundo islâmico, ou melhor, tinha os mesmos direitos como em qualquer outro país, o Iraque tinha mais dentistas per capita do que a maioria dos outros países (excepto Cuba) e o governo prosseguia uma política social progressista. No entanto, era uma ditadura, uma ditadura brutal e é inaceitável que no mundo de hoje, os que são politicamente activos contra o regime no governo sejam perseguidos – mas isso é um assunto interno, um assunto para ser resolvido pelos cidadãos do Iraque.

O que fez a política do regime de Bush para o Iraque? Muito.

Primeiro, enviou o país para trás um século em apenas três anos. Grupos de homens armados aparecem nas esquinas por todo o país, violando ou decapitando mulheres que não usam o véu. As pessoas não estão livres a irem para as ruas sem temerem pelas suas vidas. Os tropas dos EUA abusam as pessoas em público – não são populares e só nas câmeras das estações televisivas daquele país é que recebem flores. A religião assumiu uma importância que nunca tinha, porque sob o regime de Presidente Hussein, ser Sunni ou Shia era uma questão de escolha pessoal, não era uma afirmação pública.

O país foi destabilizado. Foram assassinados 26.000 civis directamente em consequência do acto de chacina das forças dos EUA e mais 75.000 indirectamente. O país foi destruído – as forças armadas dos EUA escolheram como alvos estruturas civis com equipamento militar, contra as Convenções de Genebra.

Os resultados das eleições

E qual será a abordagem manipulativa de Washington agora? Horas antes da publicação dos resultados, vimos apresentá-los aqui na PRAVDA.Ru.

Os vencedores declarados serão grupos que gravitam a volta de um clique de clérigos Xiitas, que tencionam impor uma forma da Sharia, gradualmente, claro, e sem Washington (ou seja, o grupo do lobby de energia que o regime de Bush permitiu ditar a política do seu país) aperceber-se exactamente de todos os detalhes. São esses clérigos que assinaram uma lei dando direitos a maridos castigarem as mulheres que “se portavam mal”.

Mas parabéns, Senhor Bush! Num país onde o extremismo islâmico nunca existia, agora existe; num país onde o terrorismo islamista nunca existia (embora o senhor dizia que sim, antes de dizer não), existe hoje; numa sociedade que estava em paz agora há guerra, num país onde as mulheres podiam andar livres agora são violadas ou decapitadas se não usarem o véu. Que bom, eh?

Basta ver que em 2006, no Iraque, 270 pessoas perderam a vida e 221 foram feridos (cifras aceites pelas autoridades dos EUA) e alegadamente morreram mais 140 membros das forças armadas ou de segurança dos EUA, houve dois massacres de civis, a violação de uma moça de 9 anos, o saque de uma universidade, a detenção e abuso de uma deficiente de 70 anos (actos alegados e confirmados por algumas fontes mas não confirmados nem aceites pelos EUA), para formular uma opinião.

A situação no Iraque é uma tremenda mancha no registo do regime de Bush, que tem de aceitar a responsabilidade por aquilo que fez, porque foi avisado muitos vezes acerca do erro que iria cometer, e prosseguiu arrogante e cegamente, motivado por ódio, gula e vingança. Estes preceitos não pertencem na comunidade internacional de hoje.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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