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A Semana Revista

19.07.2005 | Fonte de informações:

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A ARTE DE DIPLOMACIA

Será que todos os países podem afirmar com honestidade que honram as normas da diplomacia?

A Diplomacia, com letra grande, é descrita como “A arte e prática de estabelecer e continuar relações entre estados”; “a habilidade em lidar com pessoas e estabelecer acordos”. Colectivamente, as nações membros do G8 deram um belo exemplo de como é possível juntar-se e implementar alterações necessárias em Gleneagles, empregando arte e habilidade. Contudo, individualmente nem todos esses países são bons exemplos.

No caso da Federação Russa, a voz de Moscovo já não é ligada a imagens de mísseis em paradas na Praça Vermelha, porque a Rússia de Vladimir Putin soube evoluir diplomaticamente em linha com as evoluções políticas, enquanto a União Soviética se transformou e o estado deixou de ser o feudo de qualquer orientação política singular.

Hoje, a Federação Russa é considerada universalmente como um parceiro amigável, que procura melhorar laços comerciais, políticas, diplomáticas e culturais com todos os membros da comunidade internacional numa base de amizade, discussão, debate, diálogo e igualdade, utilizando os Fóruns da Organização das Nações Unidas para a gestão de crises.

Enquanto a maioria dos membros do G8 tentaram distanciar-se do acto ilegal de chacina, que foi a guerra contra um Iraque que não tinha Armas de Destruição Massiva, em que até uma centena de milhar de pessoas inocentes foram assassinadas, sendo esse um dos maiores actos de assassínio em grande escala da história, os Estados Unidos da América, o Reuno Unido e a Itália se distanciaram do resto do grupo, os primeiros porque os falcões no pentágono já sabiam o que queriam – uma posição estratégica e os recursos do Médio Oriente – e os últimos entenderam que um divórcio entre os velhos e novos continentes seria arriscado demais, por causa de se terem fartado de propaganda durante a Guerra Fria.

Porém, poder-se-á afirmar com justiça que Sílvio Berlusconi e Tony Blair têm passado por momentos problemáticos em privado, conscientes que tomaram uma decisão errada, enquanto as constantes justificações de George Bush por aquilo que fez mais parecem um Bart Simpson a dizer “Não fui eu que fiz!”

O Reino Unido, apesar da sua participação na coligação, continua a usar a diplomacia como modus operandi na comunidade internacional, ligando acordos a pacotes de ODA, trocas comerciais e culturais e programas de formação mas nunca ameaças militares. Londres ainda é visto como amigo em países em que se poder-se-ia esperar o contrário, nomeadamente na Líbia, Síria e Sudão, entre outros. Por isso o Reino Unido de Tony Blair é um exemplo dum governo que errou, mas que através da diplomacia, conseguiu salvar em parte sua reputação como jogador sério na comunidade internacional e não um estado paria.

É o Washington de George Bush, e nunca o povo dos Estados Unidos da América, que se isola neste momento como o principal estado paria no mundo de hoje. Temos aqui um regime que utiliza a prepotência, chantagem e beligerância como utensílio de diplomacia, em vez das habilidades e arte acima referidas. Temos aqui um regime que impõe bloqueios comerciais, que nega o acesso a electricidade, a combustível, a medicamentos, a alimentos, até de computadores, a milhões de pessoas só porque Washington não gosta do governo. (Coréia do Sul está impedido pelos EUA de passar computadores Pentium usados para a Coreia do Norte, por exemplo). Washington prefere assassinar milhões de pessoas para conseguir um fim político. Afinal Maquiavelli continua bem vivo porque para Washington, qualquer meio é justificado para chegar ao fim.

Se habilidade e arte são o uso de afirmações do tipo “Choque e pavor”, se habilidade e arte são o acto de espalhar a liberdade e democracia através da abertura de campos de concentração, de habilidade e arte significam ganhar corações e mentes através de actos de tortura sistemáticos e incidências de depravação sexual, então o Washington de George Bush ganha todos os prémios.

Contudo, esse não é os Estados Unidos da América com que George Washington sonhou há dois séculos atrás. Naqueles dias, apesar do facto que as terras bravas estavam a ser cultivadas pela Bíblia e a bala, George Washington foi suficientemente grande para insistir no estabelecimento dum estado de lei e de direito baseado em preceitos de liberdade, democracia, igualdade e fraternidade, e não a verborréia empregado por George Bush e seu clique de elitistas neo-conservadores, que se enriquecem dia após dia, enquanto os cidadãos sentem o cinto a apertar cada vez mais.

Esse clique de elitistas, liderado por George Bush, é responsável por esfaquear as normas e o nobre conceito de diplomacia internacional no coração. Esse clique é um bando de traidores à causa que estabeleceu sua nação há pouco mais de duas centenas de anos.

30 ANOS DE INDEPENDÊNCIA

Presidentes de Moçambique, Cabo Verde, Gabão, Congo e Nigéria/União Africana presentes

São Tomé e Príncipe celebram os 30 anos de independência hoje, dia 12 de Julho, felizes que esses anos de luta produziram um tecido social pronto para progredir com a descoberta de novas riquezas mas tristes porque nem tudo corre bem, nomeadamente relativamente a um plano de acção nacional.

Celebrámos os 30 anos de Independência cientes do facto que temos um bem natural – o petróleo, que hoje substitui a riqueza de ontem, o cacau. Mas se fomos o produtor do melhor cacau do mundo e em maior quantidade, ontem, e esta riqueza nunca chegou a uma parte substancial dos cidadãos, será que amanhã o petróleo fará alguma diferença?

Enquanto não tivermos um plano nacional, sério, e implementado com os interesses do povo presente, ficaremos eternamente na mesma, uma espécie de paraíso tropical na costa ocidental da África, no Golfo de Guiné, para turistas usufruírem, passarem duas semanas ou dez dias entre nós, dizerem maravilhas e partirem outra vez para suas cidades.

Nós ficamos cá a guardar os segredos de 30 anos de independência. Será que nos chegam?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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