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Eleições na Venezuela, a síndrome de Atocha

18.09.2012 | Fonte de informações:

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Caracas (Prensa Latina) Na medida em que se aproximam as eleições presidenciais fixadas para 7 de outubro, os setores opositores ao governo do presidente Hugo Chávez deixam ver com maior clareza suas intenções de recuperar por qualquer meio o poder perdido em 1999. 

Numerosos analistas locais advertem há vários meses sobre planos de certo setor da oposição, dirigidos a criar o caos e a desestabilização no país, ante a certeza de uma quase inevitável reeleição do mandatário na próxima reunião eleitoral.

A vitória de Chávez nessas eleições dá-se por praticamente segura na maioria das pesquisas e as empresas consultoras que realizam de maneira periódica esses estudos só diferem ao avaliar o tamanho da vantagem que o presidente obterá sobre seu principal adversário, Henrique Capriles Radonski.

Com variações muito pequenas, quase todas as sondagens de opinião outorgam uma intenção de voto que oscila ao redor de 30 por cento a favor de Capriles, candidato único da maior parte das formações opositoras e genuíno representante da elite econômica e financeira privada.

Esses mesmos questionários prognosticam a reeleição do Chefe de Estado com percentagens de votação superiores a 57 por cento, enquanto o próprio Chávez tenta ir além, ao exortar aos seus partidários a buscar 70 por cento dos votos.

"A oligarquia, impossibilitada de deslocar o governo revolucionário pela via das eleições que eles mesmos desenharam, procura a via violenta para recuperar o poder", assinalou no final de agosto um respeitado colunista da imprensa da capital.

"Os golpes, as tentativas de captura violenta do poder por parte da oligarquia, são uma lei nas revoluções pacíficas, são sua constante", afirmou este analista e agregou que "as eleições, os períodos em que a oligarquia se mantém na legalidade, só são etapas de preparação e desgaste para novas investidas".

No que diz respeito às eleições presidenciais de outubro, uma das linhas da estratégia opositora move-se em dois níveis: por um lado participa com seu candidato no processo e, por outro, faz tudo o possível para deslegitimar o que o organiza, o Conselho Nacional Eleitoral.

Trata-se, na prática, de criar uma matriz de opinião de que o processo eleitoral não é confiável.

Ao mesmo tempo, mediante pesquisas pré-fabricadas realizadas por empresas desconhecidas ou de escasso prestígio nessa área, tenta-se induzir a ideia de que Capriles está bem perto, empatado ou inclusive acima de Chávez na intenção de votos.

Com isso se prepara o cenário para acusar de fraudulentos as eleições se, como tudo parece indicar, o atual mandatário é reeleito a 7 de outubro.

OS ACONTECIMENTOS DE AMUAY

"A sórdida campanha da burguesia, não a que ocorre na superfície, mas aquela soterrada, sutil, oblíqua, a que incide na psique coletiva, está em pleno auge", afirmou o jornalista Toby Valderrama, num recente artigo de sua habitual coluna Um grão de milho, que publica o diário Vea.

Nessa campanha, inserem-se as reações de líderes opositores e meios de imprensa privados em torno do trágico incidente ocorrido no sábado, dia 25 de agosto, na refinaria de Amuay, a maior da Venezuela, com um saldo de mais de 40 mortos e cerca de uma centena de feridos.

Em horas da madrugada desse dia, um vazamento de gás numa das áreas de armazenamento de combustíveis fósseis provocou uma forte explosão, que ocasionou graves danos materiais nesse setor da refinaria e nas zonas urbanas das proximidades, além das vítimas humanas.

Desde que se tomou conhecimento do acontecimento e durante vários dias, enquanto se lutava para apagar o fogo provocado pela explosão, multiplicaram-se as declarações, marcadas por um denominador comum: desacreditar a atual condução da indústria petroleira venezuelana e culpar o presidente Chávez pelo desastre.

Inclusive, a rede de televisão Globovisión, ponta de lança da oposição mediática ao governo Chávez, tirou do ostracismo José Toro Hardy, integrante destacado da chamada Meritocracia que dirigiu Petróleos de Venezuela (Pdvsa) até a sabotagem petroleira de 2002-2003.

Em declarações divulgadas por essa rede privada, Toro Hardy qualificou o ocorrido na refinaria de Amuay d"o maior desastre na história da Venezuela" e atribuiu-o "à demissão dos especialistas em matéria petroleira durante o ano de 2002".

Outros meios pronunciaram-se nessa mesma linha e atribuíram o acontecimento à falta de manutenção e a advertências sobre problemas na refinaria que não foram atendidos pela direção da Pdvsa, porque "os gerentes estavam pendentes do simulacro das eleições (previstas para o dia seguinte) antes que de suas funções".

Capriles, por sua vez, disse desconfiar dos trabalhadores da Pdvsa que estão comprometidos com a Revolução Bolivariana e afirmou que quando for presidente colocará na empresa petroleira "trabalhadores que estejam comprometidos com a indústria e não comprometidos com um partido político".

"O objetivo é o petróleo, o ministro de Petróleo e Mineração", escreveu Toby Valderrama em outro artigo, e agregou: "Procuram criar a imagem de falta de perícia, de desídia na empresa e falta de capacidade dos diretores".

A SÍNDROME DE ATOCHA

Na manhã de 11 de março de 2004, na estação madrilenha de Atocha, vários artefatos explosivos estouraram num trem das proximidades, com um saldo de 191 pessoas mortas e 1.858 feridas, o que foi qualificado o segundo maior atentado terrorista perpetrado na Europa até então.

Três dias depois, efetuaram-se as eleições legislativas, para as quais todas as pesquisas previam que o candidato do Partido Popular, Mariano Rajoy, se alçaria com o triunfo e substituiria José María Aznar como chefe do governo.

No entanto, o triunfo foi do socialista José Luis Rodríguez Zapatero com uma vantagem do 4,9 por cento dos votos, um resultado atribuído à influência dos atentados sobre o eleitorado espanhol.

Então, numerosos analistas da imprensa madrilenha coincidiram ao afirmar que a virada nas eleições se deveu à irritação causada pela manipulação informativa do governo sobre o atentado, o que se somou ao descontentamento pela participação da Espanha na invasão ao Iraque.

Agora, na Venezuela, a situação é outra e, no momento, se ignoram as causas exatas que originaram a explosão na refinaria de Amuay.

A persistente e ampla brecha que separa em intenção de votos Chávez de Capriles na maioria das pesquisas tem motivado em várias ocasiões perguntar aos especialistas se a consideram irreversível.

No julgamento de Oscar Schémel, presidente da pesquisa Hinterlaces, uma das mais prestigiosas firmas consultoras do país, essa vantagem é irreversível, a não ser que ocorra algum "evento extraordinário que gere uma angústia coletiva".

"Uma direita venezuelana miserável está se aproveitando do ocorrido em Amuay para criar uma matriz de opinião que semeie o medo entre os venezuelanos", disse o jornalista Mario Silva em seu programa La Hojilla, que transmite Venezolana de Televisão.

Tudo indica, em resumo, que o tratamento que a oposição política e a oposição mediática têm dado ao incidente da refinaria de Amuay, tenta, de todas as formas, propiciar em outubro, na Venezuela, o que os socialistas espanhóis atingiram oito anos atrás em Madri como consequência do atentado de Atocha.

* Corresponsável da Prensa Latina na Venezuela

 

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=88591b4d3219675bdeb33584b755f680&cod=10265

 
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