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A Semana Revista

18.07.2004 | Fonte de informações:

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O NOVO PM DE PORTUGAL

Pedro Santana Lopes é herdeiro político de Durão Barroso

Enquanto José Manuel Durão Barroso se prepara para assumir a Presidência da Comissão Europeia, Jorge Sampaio exprime a sua preferência por Pedro Santana Lopes em vez das eleições que o povo pedia.

Presidente Jorge Sampaio decidiu ontem pedir ao número 1 do Partido Social Democrata, o maior partido na coligação governamental (juntamente com o Partido Popular, Conservador), formar um governo, poupando a coligação duma derrota quase certa numa eleição antecipada.

Pedro Manuel Santana Lopes aguarda o aval (certo) do seu partido para apresentar um novo governo ao Presidente na função de Primeiro-ministro.

Nasceu em Lisboa no dia 29 de Junho de 1956. Pedro Santana Lopes interessou-se pela política na sua infância, conversando com seu pai e avô. Entrou na faculdade de Direito de Lisboa em 1974, trabalhando como professor a noite e vendendo livros de dia para ajudar nos custos do seu curso.

Foi na faculdade de Direito que Pedro Santana Lopes começou a revelar as suas capacidades como orador, liderando um movimento estudantil (Movimento Independente de Direito) antes de se ingressar no Partido Social Democrata (PSD) em 1976.

Tendo terminado seu curso em 1978, ganhou uma bolsa de estudos do governo alemão para estudar Ciência Política e Estudos Europeus. Um ano depois, entrou na equipa do Primeiro-ministro Sá Carneiro, fundador do PSD, como conselheiro legal e em 1980, foi eleito Deputado da Assembleia Nacional, com 24 anos.

O Primeiro-ministro Cavaco Silva nomeou Santana Lopes como Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, posto que foi interrompido durante dois anos (1987-1989) quando foi membro do Parlamento Europeu. De volta a Portugal, foi Secretário de Estado de Cultura entre 1989 e 1994.

Foi daí que Pedro Santana Lopes deu provas daquilo que era capaz, restaurando edifícios degradados, lançando iniciativas múltiplas que testemunharam a criação de três orquestras, 48 bibliotecas, a modernização de numerosos espaços públicos – cinemas, anfiteatros, salas de exposição para pinturas e fotografias e financiamento público e privado para companhias e iniciativas suportando as áreas da dança, teatro, música e artes plásticas.

Pedro Santana Lopes cresceu com o posto, presidindo sobre o Conselho Europeu de Ministros de Cultura em 1992.

Em 1995, num breve intervalo da vida política, Santana Lopes se candidatou com êxito para a Presidência do Sporting Clube de Portugal, dando continuação ao trabalho de Sousa Cintra, estabilizando as finanças do clube e nomeando o pessoal que iria nos anos seguintes trazer os primeiros troféus a este clube lisboeta durante décadas.

Em 1997, tornou-se Presidente da Câmara da Figueira da Foz, ganhando louvores como o Presidente mais energético e com mais êxito de sempre. Melhorou a acomodação escolar, a rede rodoviária, melhorou áreas residenciais, parques públicos, a rede sanitária, criou empregos, aumentou o turismo e atraiu visitantes para os numerosos eventos culturais que patrocinou ou organizou.

Passado quatro anos, ganhou a eleição para a Câmara de Lisboa de forma brilhante, iniciando um programa ambicioso para melhorar os problemas de trânsito e uma série de iniciativas para dar mais-valias aos espaços urbanos e à vida dos lisboetas.

Acusado por alguns de aplicar soluções cosméticas em vez de estratégias de longo prazo, Pedro Santana Lopes é talvez o único membro desta coligação com o carisma suficiente para lhe dar qualquer hipótese eventual de vencer as eleições daqui a dois anos.

Como Primeiro-ministro, é justo dar a Pedro Santana Lopes uma folha em branco para ele escrever o seu destino. Peter’s Principle

Cada pessoa sobe para o nível da sua incompetência

Assim vai o preceito inventado por Laurence J. Peter, chamado o “Princípio de Peter” (Pedro, em português). Será que Pedro Santana Lopes, o novo PM de Portugal, acertou na escolha do seu novo governo, ou será que o ex-autarca de Lisboa irá encalhar nas águas turbulentas da vida política portuguesa?

Em primeiro lugar, se bem que se pode perguntar ao eleitorado português, “Foi você que escolheu este Primeiro-Ministro?”, se pode perguntar com toda a justiça, “Foi Santana Lopes quem escolheu este governo?” A resposta seria “nim”. Um começo mau.

Seis dos 19 ministros são iguais ao executivo de Durão Barroso, que se apressou a instalar-se em Bruxelas, suspirando de alívio sem dúvida já que está livre do pesadelo que criou (uma duplicação da taxa de desemprego em dois anos – grande obra – e uma situação em que o desempregado tem de esperar até sete meses para receber qualquer subsídio do estado). Ainda mais, o novo Ministro de Negócios Estrangeiros (António Monteiro), é um amigo pessoal do antigo Primeiro-Ministro, que conseguiu manter o Ministro de Estado e da Presidência, Nuno Sarmento (que vê aumentado seu estatuto como Ministro de Estado) e José Luís Arnaut, agora Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional, por procuração. Maria da Graça Carvalho continua no seu lugar como Ministra da Ciência e Ensino Superior e Luís Filipe Pereira continua como Ministro da Saúde.

Também o partido na coligação, o Partido Popular, xenófobo (que apesar do nome conseguiria angariar sensivelmente menos que 5% dos votos neste momento), viu aumentar o seu poder no governo, subindo de três para quatro ministérios e registando uma subida de cotação em termos de peso político, ganhando o Ministério das Finanças.

Assim António Bagão Félix, Independente mas ligado ao CDS/PP, transita do Ministério de Segurança Social e Trabalho para o Ministério das Finanças e da Administração Pública. Luís Nobre Guedes, o número dois do PP, assume o Ministério do Ambiente, que tanto surpreendeu a média em Portugal mas sem necessidade, visto que há um ano e meio dizia ao seu círculo de conhecidos que estava interessado nesta pasta. O novo Ministério do Turismo é criado para Telmo Correia, líder da bancada do PP no parlamento e Paulo Portas, o líder dos Populares, fica como Ministro de Estado e da Defesa Nacional, apesar de ter querido mudar de pasta (já farto de fazer revistas aos tropas e comprar helicópteros e submarinos para enfrentar qualquer eventual invasão da…Quirguistão?)

Dos restantes ministros novos, quantos são “Santanistas” e quantos pertencem às escolas dos barões do PSD, um partido vastíssimo em termos de vertentes políticas do centro e da direita? Poucos. Carlos Costa Neves, açoriano, Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas, é próximo do Presidente do Parlamento, Mota Amaral (açoriano). Daniel Sanches, que agora ocupa a pasta de Ministro da Administração Interna, é protegido de Dias Loureiro (que ocupou esta pasta no tempo do Primeiro-ministro Cavaco Silva, 1987 – 1995) e José Aguiar-Branco (Ministro da Justiça, que substitui Celeste Cardona, PP) é amigo do antigo líder do PSD, agora comentarista político, Marcelo Rebelo de Sousa.

Restam apenas sete novas caras escolhidas pelo novo PM/Partido PSD/Presidente Jorge Sampaio (ex-Socialista, hoje em dia, ??). Na escolha de Álvaro Barreto, número dois do governo (Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho), Pedro Santana Lopes tem um animal político com uma história de grande competência em várias pastas…há dez ou vinte anos atrás. Quem o conhece hoje em dia diz que o Álvaro Barreto de hoje não é a mesma pessoa. Será fundamental seu empenho neste governo novo.

Maria João Bustorff é a novo Ministra da Cultura, Maria do Carmo Seabra assume o Ministério da Educação, Fernando Negrão chefia o novo Ministério da Segurança Social, da Família e da Criança, António Mexia entra na pasta de Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.

Santanistas, Santanistas mesmo…são apenas dois. Henrique Chaves é o Ministro adjunto ao Primeiro Ministro (seu braço direito) e Rui Gomes da Silva é o Ministro dos Assuntos Parlamentares.

Afinal, o novo governo em Portugal é um guisado político com muitos ingredientes, uns mais indigestos que os outros e é precisamente aí que Pedro Santana Lopes vai ser julgado.

Quem o conhece, e apesar dos boatos, sabe que é um homem solidário com seus amigos, com preocupação social, com grande sensibilidade quanto a assuntos de exclusão social e de marginalidade.

Será que Santana Lopes tem a maturidade e a habilidade suficiente para ser um costureiro político capaz de reunir gregos e troianos que se agruparam a volta dele porque Pedro Santana Lopes é a única figura política no governo com carisma e qualidades pessoais capazes de evitar uma eleição precoce?

Ou será que o governo de Santana Lopes, que desde já muito favorece o empresariado português (que pouco ou nada entende da vida diária dos cidadãos), irá desmoronar-se numa guerrilha de interesses pessoais e de grupinhos de pressão?

Muito dependerá de Pedro Santana Lopes, a quem seria correcto e justo dar o benefício da dúvida, uma página branca para ele escrever os primeiros sinais, antes de começarmos a criticá-lo. O resto dependerá dos poderes da oposição, que tem todo o direito, e a obrigação, de se expressar.

Daqui a dois anos veremos se Santana governou bem ou se chegou ao nível da sua incompetência.

O Realpolitik actual

Os eventos dos últimos dois anos são evidência que hoje em dia a decência comum e a vida política estão divorciados

Nos bons velhos tempos, se esperava que na palavra dum Primeiro-ministro da Grã-bretanha ou dum presidente dos Estados Unidos da América, residia a verdade, toda a verdade e nada senão a verdade. Hoje em dia, infelizmente, não é o caso, sendo aliás uma questão de mentiras, mais mentiras e até mais mentiras, enquanto o Mundo desce para um inferno frenético de loucura, orquestrada por Washington e de certa forma, por Londres.

Nos bons velhos tempos, se um político cometeu um erro, que é humano, pedia desculpa, colocando sua posição à disposição do seu superior, ou se demitia e pedia ao seu eleitorado que decidissem. Hoje já não é assim.

Apanhados com os dedos na caixa de chocolates, Bush e Blair agem como as serpentes que eles são, tentando desesperadamente protegerem-se e justificar o que fizeram, em vez de agir com decência comum (pedindo desculpas publicamente) e admitindo que utilizaram chantagem, ameaças de força, documentos forjados e mentiras como instrumentos de diplomacia internacional.

O argumento original era que Saddam Hussein tinha ADM e que era um ameaço a curto prazo (45 minutos) aos EUA, ao Reino Unido e aos seus aliados. Esta afirmação foi suportada por “provas” compostas por fotografias tiradas por satélite, maquetas, desenhos com setas, “inteligência magnífico” e a afirmação que “sabemos onde estão os ADM”, enquanto Saddam Hussein era suposto ter ligações com Al Qaeda e foi demonizado a tal ponto que a opinião pública foi preparada para o acto de o retirar do poder.

Cá estava o segundo passo do argumento. Quando a mentira foi descoberta – que as ADM nunca existiam, que Washington sabia muito bem que não existiam, que Colin Powell mentiu entre os dentes na ONU, que Blair e seus amigos exageraram as “provas”, copiando e colando uma tese da Internet, que era desactualizada em 12 anos, acerca do estado de prontidão das ADM do Iraque – veio a afirmação que dizia “Bem o Saddam era uma sacana da pior espécie e por isso o mundo está melhor sem ele”.

As frases “O mundo está melhor sem ele”, e “Liberdade e democracia” foram repetidas inúmeras vezes. No entanto, não se trata duma campanha de publicidade e a opinião pública não deve ser bombardeada por imagens e mensagens subliminais, especialmente oriundas deste clique de criminosos de guerra e assassínios em grande escala, que violaram a lei internacional, estupraram a dignidade das normas de diplomacia, desrespeitaram a ONU, quebraram a Carta da ONU e a Convenção de Genebra.

Quem diria que isso fosse possível há poucos anos?

A gestão de crises não pode e nunca deve ser baseada em provas falsificadas inventadas para servir os interesses dum clique da elite corporativa que rodeia um governo e ditam sua política e a de outras nações que pretendem ganhar pontos por se rastejar aos pés do mestre no outro lado do lago, ou que são covardes até ao ponto de se renderem à chantagem de Washington, que é sinónimo hoje em dia para diplomacia.

A verdade é que Bush e Blair são mentirosos descarados, que inventaram um causus belli sabendo que não existia – ou se não souberam, são pelo menos incompetentes, pelo que ou deveriam demitir-se e sempre levados a um tribunal para responder pelos seus crimes.

Bush e Blair são responsáveis por uma guerra ilegal em que milhares de pessoas foram assassinados, em que dezenas de milhares de pessoas foram mutiladas, em que armas de precisão foram utilizadas contra infra-estruturas civis, em que ADM foram deitadas em áreas residenciais, em que as vidas de crianças foram colocadas em risco, em que Urânio Empobrecido deixou algumas áreas com níveis de radioactividade perigosas.

Não chega, nem podemos deixar que seja o suficiente, um encolher dos ombros e dizer que o mundo está melhor assim. Um causus belli e qualquer casus belli, têm de ser baseados nas fundações sólidas dum pretexto cristalino, em resposta a uma ameaça real e não inventada. E será que o mundo é mais seguro agora do que antes, com o Iraque em caos, um paraíso para terroristas e terrorismo, que não era antes, agora que qualquer fanático tem uma razão de ser, agora que Washington e Londres perpetraram um acto de terrorismo numa escala nunca antes visto?

O facto que Bush e Blair possam estar sentados nos seus lugares e a defenderem o que fizeram diz tudo sobre a integridade destes dois homens (h pequeno) e providencia a possibilidade de ver a frieza das suas acções e a baixeza até onde podem chegar seus regimes.

É este o Realpolitik do mundo de hoje, que seria melhor, sim, sem Bush e Blair.

O cúmulo da injustiça

Como Washington faz e quebra a lei

Um homem velho, enfermo e fraco está sentado num edifício junto a um tribunal, sua cara avermelhada espelho da pressão arterial que resultou da injustiça dos últimos quatro anos, tentando defender-se dos “crimes” que é acusado a cometer por um “tribunal” ilegal e inconstitucional, que não tem qualquer legitimidade, que nem tem o apoio dos Estados Unidos da América, que tenta convencer outros países a não o reconhecer mas no entanto utiliza este instrumento para realizar acções que lhe são convenientes.

A figura velha e enferma no tribunal está frequentemente demasiado doente para continuar sua defesa, devido à maneira como tem sido tratado, depois de ganhar as primeiras eleições democráticas no seu país em 1990 e outra vez em 1992, e depois de tentar resolver as questões étnicas na região explosiva em que seu país se situa.

Slobodan Milosevic, o homem enfermo na Haia, foi raptado ilegalmente da Sérvia em 2000, depois duma fracção do governo jugoslavo ter aprovado “legislação” que precisava sob a lei da República Federal da Jugoslávia e da República da Sérvia, do aval de todo o governo ou pelo menos da maioria. Ao menos, Slobodan Milosevic deveria voltar a Belgrado um homem livre, para o devido processo de extradição iniciar.

Contudo, dado que ele tem sido detido ilegalmente durante quatro anos, há que pagar-lhe uma indemnização e seria correcto exigir que esse mal fosse corrigido antes do caso continuar. Senão, a justiça internacional pode ser considerada estar fundamentada em fundamentais falsos: rapto e detenção ilegal, com danos pessoais e físicos.

As tentativas de Milosevic de parar o conflito na Bósnia-Herzegovina, Croácia e Kosovo foram bloqueadas por um ocidente intrusivo e agressivo, que armou e financiou o Exército da Croácia, enviando mercenários, que ajudaram a massacrar civis sérvios – depois ajudaram a Al Qaeda e os terroristas albaneses a infiltrar na Bósnia e em Kosovo. O grande crime de Milosevic foi que ele tentou lutar contra os terroristas que foram e são protegidos por Washington, e na altura, Bin Laden.

Quando a OTAN, o fantoche de Washington, decide rotular um grupo terrorista como organização legítima, qualquer coisa que mexe contra ela é classificada como paria. Por isso a Ushtria Çlirimtare ë Kosovës, o Exército de Libertação de Kosovo (KLA), organização das mais bárbaras que alguma vez existiram, fazendo da Máfia italiana uma reunião das tias e avós por comparação, ganhou a bênção de Washington e assim seus líderes, criminosos e assassinos, traficantes de pessoas, armas e drogas, jantaram em Capitol Hill, que através deles começou a controlar o tráfico de heroína através da Turquia. A única peça do puzzle que faltava era Afeganistão.

Não se fez referências aos albaneses aterrorizados, os Kosovares, que fugiam deste bando de criminosos para leste, onde estava a relativa segurança das forças federais da Jugoslávia. Não se fez referências às moças albanesas que cobriam as caras para não serem vendidas para redes de prostituição na Itália, precisamente pelos terroristas da Ushtria Çlirimtare, os queridos de Washington.

Os crimes de guerra da OTAN, os crimes contra a humanidade perpetrados pelas forças armadas desta Organização, que bombardearam comboios cheios de civis, que lançaram foguetes contra autocarros, edifícios civis, escolas, matando centenas de pessoas, não importam porque não estão no tribunal da Haia.

Pois não. Foi mais fácil culpar um homem, isolá-lo e raptá-lo, mantê-lo detido ilegalmente e depois inventar um rol de acusações para atirar na sua cara. Esse foi a Liberdade e Democracia do Clinton. O de Bush, bem, a história recente fala por si.

Limpar a porcaria da OTAN

Uma lembrança do caos deixado pela Organização Terrorista do Atlântico Norte

A OTAN, quando não esta a intrometer-se nos assuntos de nações soberanas e praticar uma política de dividir e reger, quando não está a deitar bombas de fragmentação por cima de autocarros cheios de civis aterrorizados, quando não está a ajudar terroristas a semear o pânico ou rebentar bombas em casas particulares, fica com as orelhas bem baixinhas, deixando os outros limpar a porcaria que faz.

OTAN se envolveu nos Balcãs, armando, treinando e financiando as Forças Armadas da Croácia, utilizando Tudjman e seu clique de nacionalistas, forjado durante as visitas dele aos EUA em 1987 (bem antes das guerras balcânicas eclodirem), quando promovia a ideia duma reconciliação croata e a formação duma Grande Croácia.

O palco estava preparado. Segui-se Bósnia-Herzegovina, com a população muçulmana devidamente armada e preparada por Al Qaeda, trabalhando em uníssono com os Estados Unidos de Reagan e Bush sénior e os terroristas albaneses (KLA), equipados e instruídos, seus líderes viajando para Washington para receber dinheiro e instruções dos seus controladores em Capitol Hill.

Contudo, antes disso, a República Federal da Jugoslávia era um país próspero com uma força de trabalho motivada e feliz, gozando dum nível de vida relativamente alta.

Entrou a OTAN, suas cordas puxadas por Washington, criando o caos na região por meio do seu acto de intrusão criminosa, contra a qual Sérvia teve de lutar para proteger sua população. Milhares de sérvios foram chacinados pelas forças Ustache (croatas cripto-fascistas), Muçulmanos/Al-Qaeda e terroristas albaneses. Porém, foi o Milosevic que rotularam o Carrasco dos Balcãs, um rótulo fácil de colar porque já tinha sido isolado sistematicamente pelos tentáculos do polvo cuja cabeça reside em Washington.

O resultado dez anos após o conflito é que continua a haver dezenas de milhares de refugiados sérvios que não podem voltar às casas onde viviam e às aldeias onde nasceram. A ONU tenta ajudar esta população com o Programa de Acomodação e Integração Social.

Programa de Integração Social? Nunca teria sido necessário se a OTAN não tivesse interferido e fornecido o vapor para a panela de pressão explodir, depois de selar a tampa, acender o fogo e comprar todos os ingredientes.

Os albaneses kosovares, os croatas, os bósnios muçulmanos e os sérvios tinham vivido lado a lado durante séculos, como irmãos, partilhando suas culturas e vidas antes que um Ocidente imperialista decidiu meter o nariz numa região que não lhe pertencia e que nunca entendeu.

Este acto de intrusão criminosa destruiu o tecido social de grandes áreas da região, semeando o ódio onde não existia e colhendo os frutos do caos resultante.

Washington assim consegue reger a Europa por criar pontos de discórdia e observando como o Velho Continente se divide em grupos de pressão, tão fáceis de controlar quando são tão fragmentados. Os Balcãs eram o início, Iraque a continuação. Quem segue?

QUANDO CORTAR EMPREGOS SE CONSIDERA UM INVESTIMENTO

Os Partidos Socialistas de hoje são alternativas aos Democratas Sociais da Direita

Podem rotular-se de vários nomes. Cristãos Democratas, Conservadores, Democratas Sociais, até Partidos Socialistas mas basicamente, todos seguem a mesma linha de pensamento – concentrando-se na linha de fundo em vez da necessidade de providenciar verdadeira protecção social para seu eleitorado.

A nova abordagem “linha de fundo” é seguida pelos monetaristas, que adoptam um ponto de vista liberal relativamente à economia, em que o resultado final justifica os meios, desde que produz um lucro cada vez mais gordo, despesas cada vez menores e estruturas cada vez mais reduzidas. Basicamente, esta abordagem se resume em reduzir a dimensão das empresas e departamentos de estado, tornando-os “eficientes” e “contabilizáveis”.

O que querem dizer esses dois termos bonitos é que em termos práticos, esta abordagem tende a enviar famílias para a drama de desemprego, numa altura em que os estados tudo fazem para dificultar a vida do recem-desempregado. Em Portugal, por exemplo, um novo desempregado tem de esperar às vezes sete meses até receber o primeiro cheque da Segurança Social. O quê é que as pessoas são supostas a fazer? Prostituirem-se? Roubar? Ir ao mercado e apanhar folhas velhas de couve e pedir uma cabecinha de peixe para fazer uma sopinha? Pedir na igreja?

Um exemplo clássico do Partido Socialista virado à direita, é o New Labour britânico, liderado por Tony (ou será Tory?) Blair. A revisão das despesas publicada ontem parece uma campanha de choque e pavor do estilo Bush e demonstra que entre um regime supostamente do centro esquerda e um regime assumidamente à direita (Portugal), o espaço é zero.

Para providenciar fundos para melhorar a qualidade dos serviços públicos, Gordon Brown, o Ministro das Finanças, vai cortar 104.000 empregos. Cento e quatro mil empregos, quer dizer pelo menos cento e quatro mil famílias.

Embora muitos destes terão pacotes de reforma antecipada, nem todos serão cobertos e embora se irão criar novos empregos, com certeza não serão 104.000.

Como era de esperar, os Sindicatos irão responder com acção industrial e greves. E têm razão. Numa altura em que a direita ocupou todo o palco político, chega a altura para a Esquerda fazer ponto da situação, analisar as opções e reagir.

Entre estas opções figura a capacidade de falarmos através duma imprensa verdadeiramente livre e apontar os muitos pontos negativos das políticas liberais e monetaristas da direita, que levam a um grau zero de segurança social, de instabilidade, lançando famílias inteiras para o pesadelo de nem saberem de onde vem a próxima refeição, criando uma ausência de qualidade de vida.

São estas as áreas em que a Esquerda deveria estar a lutar. As políticas dos partidos sociais democratas ou socialistas são iguais: favorecem um tipo de sociedade em que cão come cão e o Diabo leva o que estiver mais fraco. Foi por isso que foram eleitos?

E providenciar serviços públicos? Segurança social? Uma clima de segurança no emprego? A alegria de viver? A confiança para adquirir uma casa e gozar espaços culturais?

Como é que as pessoas podem gozar as suas vidas se nem sequer têm estabilidade de emprego ou segurança social? Se não podem comprar uma casa ou um carro porque estão presos por uma pele numa porcaria dum contrato a prazo que pode não ser renovado?

Isso chama-se governar?

Como é que alguém pode considerar sério um governo que corta 104.000 empregos para libertar fundos? O New Labour de Tony Blair e Gordon brown é o Partido Conservador com uma nova face, com outra cor mas com o mesmo credo.

Que vergonha que os Socialistas se deixaram levar pela direita e que vergonha que no Reino Unido de hoje, há um primeiro-ministro que é um criminoso de guerra, um assassino e um incompetente que traiu os seus valores e os valores da Esquerda.

Tal como ele, os outros Partidos Socialistas abandonaram a Esquerda e filiaram-se nas fileiras dos sicofantas que vão a Washington lamber as botas do mestre, seguindo as mesmas políticas que entregam o mundo às corporações que gravitam à volta da vida política em Capitol Hill.

São uma cambada de traidores. A única esperança para termos uma vida digna e completa, com segurança e com qualidade, é que as pessoas se fartem deste tipo de humilhação e começam a acordar. Mas para isso os partidos da Esquerda têm de estar à altura.

A ver se eles estão. Se falassem mais entre eles em vez de estarem de costas viradas...

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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