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A Semana Revista

18.04.2004 | Fonte de informações:

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Bem vence o Mal

Os proponentes de diálogo, discussão e debate, nomeadamente Moscovo, Pequim, Paris, Berlim, Brasília, sempre disseram que a ONU é o foro de lei habilitado a resolver crises internacionais, alias a Carta da ONU foi elaborada precisamente para isso. Bush, Blair, Barroso, Berlusconi e Aznar decidiram romper as normas de diplomacia internacional, atacando ou dando seu aval ao ataque contra o Iraque, fora dos auspícios da ONU, quebrando a lei internacional.

No entanto, quem cospe para o vento…a paz no Iraque é o início da guerra e os norte-americanos se demonstraram inteira e rotundamente incapazes de vencer esta guerra. O Iraque está em caos, centenas de milhares de militantes fortemente armados jorram pelas fronteiras dentro todos os dias e os soldados norte-americanos são esforçados a cederem a acções de cessar-fogo e aceitar ultimatos dos imãs, sobre onde podem e não podem ir.

Para esfregar mais sal na ferida, a visita da mulher de Saddam Hussein à base onde está detido o homem que rastejou fora do buraco perto de Tikrit, se riu dos norte-americanos, proclamando de viva voz que não era esse seu marido, mas um duplo.

Agora, Bush e Blair são esforçados a aceitar os planos da ONU (Organização desrespeitada pelos Estados Unidos da América, o Reino Unido, Portugal, Espanha, Polónia, Austrália e Dinamarca) sobre a entrega de poder aos iraquianos e a realização de eleições.

As forças invasoras não ganharam a guerra, porque não a houve, e não vencem a paz. O exercício foi um rotundo falhanço, que causou dezenas de milhares de mortos, desestabilizou o país totalmente e criou um vácuo perigoso, que está a ser aproveitado por extremistas. Os responsáveis são Bush, Blair, Barroso, Howard e Aznar, entre poucos outros sicofantas, que se renderam a Washington contra a vontade do seu povo.

Agora se ouve, finalmente, as vozes de razão, provenientes de Moscovo, de Brasília, de Paris, Berlim e Pequim, da ONU. A comunidade internacional sai mais forte, os perpetradores desta chacina saem enfraquecidos.

A notar também esta semana, a onda de raptos de civis. Cerca de quarenta estrangeiros foram raptados no Iraque pela milícia. Um italiano foi morto com um tiro na nuca, outros estão ameaçados, alguns foram libertados (os russos e ucranianos devido à posição de Moscovo contra a guerra).

Se bem que estas pessoas estão em terras alheias, a maioria foi lá para ganhar dinheiro, primeiro, e ajudar, segundo. Um segurança norte-americano ou britânico que trabalha nas firmas dos seus países no Iraque ganham mais que mil USD por dia. Um iraquiano que entrou nas novas forças de segurança (controladas pelos norte-americanos) ganha menos que dez.

Isso põe a questão em perspectiva.

Sharon, perigosamente arrogante

Depois do assassínio de Yassin, ontem foi assassinado Rantissi, dois líderes do Hamas em pouco mais que um mês. Se Sharon pensa que é inteligente, se Sharon pensa que ganha alguma coisa com isso, está enganado.

A história já provou que quando surge um movimento terrorista, lutar só com força não resolve, em vez disso, aumenta a tensão. A verdade é que o Hamas levou dois socos no queixo e está a cambalear…mas atrás do Hamas há muitas organizações que eventualmente irão fazer Israel e o seu mestre, Washington, pagar. Infelizmente, isso traduzir-se-á em mais baixas civis.

Se Sharon sentasse à volta da mesa com Yasser Arafat, que reúne o movimento palestiniana à sua volta, e acedesse a retirar suas tropas e seus colonatos das terras que ocuparam ilegalmente, seria um bom passo no sentido de reduzir a tensão no mundo.

No entanto, Sharon tem muitos cúmplices na comunidade internacional, protagonistas como Bush e Blair e palhaços como Barroso, Berlusconi et alia, que ganham protagonismo por procuração, agarradinhos às camisas dos outros.

Barroso, triste espectáculo

José Barroso deveria ter aprendido que o melhor seria calar aquela boca de cherne e aquela vozinha estridente, esperar mais dois anos, perder as eleições e entrar nos anais da história como o pior primeiro-ministro que Portugal alguma vez teve a infelicidade de sofrer…assim poderia surgir daí a uns vinte anos, falar do seu bom passado no mundo diplomático e talvez até ser presidente, que sabe?

Mas não. Além de palhaço, é burro. Dá seu aval ao acto de chacina dos seus mestres norte-americanos e britânicos no Iraque (neste caso se fosse homem, teria de admitir que concorda também com a chacina de 10.000 civis, fazendo dele um assassino e criminoso de guerra por procuração) e agora critica a Espanha por querer tirar os tropas do Iraque (onde nunca deveriam ter ido).

Se Barroso visse um ataque terrorista em Lisboa (e com seu comportamento vai fazendo que isso seja bem possível), como é que ele reagiria?

Lavrov – basta de hipocrisia

A União Europeia gosta de se meter na vida da Federação Russa, tal como a Organização Terrorista do Atlântico Norte gosta de a provocar. Depois de ver a sua moção para censurar Moscovo sobre os direitos humanos na Chechénia chumbada, começa a virar olho grosso às graves falhas em direitos humanos nos seus novos membros no Báltico, nomeadamente Letónia, Estónia e Lituânia, onde a população russa está a ser discriminada.

Sergei Lavrov, Ministro de Relações Exteriores da Federação Russa, pediu à U.E. que fosse coerente nas suas decisões. Muito bem. A Rússia não precisa disso para nada e é bom que a U.E. lembre que a visão de Moscovo não está virada para o ocidente, mas para o oriente. A Federação Russa acaba lá para além do Japão e é bom que a U.E. se lembre disso.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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