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Entrevista de Trinidad

17.01.2005 | Fonte de informações:

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Entrevista com Simón Trinidad para o semanário VOZ, realizada por seu diretor Lozano Guillén. À pergunta de se lhe vê alguma perspectiva à troca ou intercâmbio humanitário? Simón responde: - “Sim. Não só já houve um intercâmbio humanitário em 2001, como também as FARC têm, em razão desta guerra interna, a uma trintena de oficiais e suboficiais do Exército e da Polícia capturados não precisamente em parques jogando pião ou empinando papagaios, pelo contrário, rendidos em combates em diferentes lugares da Colômbia, respeitados em suas convicções políticas e religiosas e integridade física e cuidados como prisioneiros de guerra.”

13.1.2005 (Carlos A. Lozano Guillén/VOZ/COLOMBIA) – A extradição de Simón Trinidad é uma infâmia a mais do governo uribista. Foi a vingança do presidente Uribe Vélez contra a insurgência, porque não aceita suas chantagens e ultimatos. Porém, não retrocedeu ante seus verdugos, Simón Dignidad subiu ao avião do FBI lançando gritos e discursos. Com inteireza e com a cabeça erguida, gritou na escadaria do avião: Vivam as FARC-EP! Viva o comandante Manuel Marulanda! Viva Bolívar!

Nem à altura de seus sapatos alcançaram os que ordenaram sua extradição política, porque são indignos: não têm nenhum sentimento de pátria e nem sequer o menor respeito pela soberania nacional. São lacaios do império e apenas cumprem suas ordens.

Queríamos estar cara a cara com Simón Trinidad. Haveria sido a ocasião para dar-lhe um forte e fraternal abraço revolucionário e comunista de despedida. Porém, não se pôde. O Inpec retardou a solicitação da entrevista pessoal no Cárcere de Máxima Segurança de Cómbita, mediante a exigência de um emaranhado de requisitos e trâmites. Um passarinho nos contou que a ordem para não permitir nosso ingresso a Cómbita veio do próprio ministro do Interior e de Justiça, Sabas Pretelt de la Vega, “representante da sociedade civil” enquanto evento de paz houve antes de seu ingresso no governo uribista.

Para justificar a censura de imprensa, primeiro se inventaram um suposto plano de fuga organizado pelas FARC e, depois, com sensacionalismo e com o coro de RCN, a inteligência militar fez correr o rumor de um plano da guerrilha para silenciá-lo para que não delatasse a cúpula do Secretariado. Ambas as provocações foram desvirtuadas por Trinidad.

Com audácia nos arranjamos para ter comunicação à distância. Talvez foi melhor assim, porque fizemos chegar perguntas, contra-perguntas e recebemos respostas concretas, numa longa reportagem em etapas, cujo texto final de punho e letra de Simón chegou a nossas mãos em 30 de dezembro, um dia antes da extradição. Algumas das respostas foram resumidas para a edição impressa, porém, óbvio, respeitando seu estrito sentido. Na web se poderá ler o texto completo da entrevista.

Qual é seu estado de ânimo?

- É excelente e assim foi no transcurso do ano. As convicções filosóficas, ideológicas e políticas do revolucionário não se rebaixam pelo fato de perder a liberdade física. O cárcere é uma possibilidade certa para todos os que nos rebelamos contra o Estado, e não só aqui na Colômbia, ou nestes tempos que correm, não, em prisão estiveram sempre os revolucionários do mundo e de todas as épocas. E se isto se tem claro não tem porque afetar o ânimo, a vontade, a moral do prisioneiro de guerra ou político.

Como foram as condições do cativeiro na Colômbia?

- O Estado, o Governo, o Inpec e, muito especialmente, a Embaixada dos Estados Unidos se propuseram fazê-las mais drásticas, mais difíceis para mim que para o resto dos detidos. Desde minha captura me mantiveram em total isolamento. Uma primeira semana em um calabouço no Búnquer da Fiscalia e, em seguida, em alta segurança de Cómbita, onde permaneci todo o ano numa área especial retirada dos oito pavilhões e encerrado numa cela de três por dois metros, mínimo 22 horas diárias, solitário, sem ninguém com quem conversar a não ser com meus carcereiros, sem direito a ir à biblioteca, aos campos de futebol ou basquete e sem possibilidades de jogar xadrez. Tomo os alimentos só, na cela, aonde me os levam os guardas, diferentemente dos demais prisioneiros de guerra e presos políticos que compartem todas estas atividades desde as 05 às 17 horas.

Minha mãe, uma anciã de 84 anos, exilada no Paraguai, vem em setembro com a idéia de permanecer no país até dezembro e visitar-me cada quinze dias. Só pôde fazer num sábado por duas horas: na segunda-feira seguinte a chamaram por telefone e lhe disseram que sabiam quem era, onde estava alojada e que iam matá-la. Por isso, de maneira precipitada teve que sair do país de novo.

Aqui, em tudo, mandam os gringos da Embaixada. Os cárceres se constroem com seus planos, o regime interno para prisioneiros e guardas é copiado de seu sistema de prisões; por aqui vêm com freqüência a passar revista e assim propõem e dispõem o que lhes convier. Não exagero quando afirmo que estes cárceres são território estadunidense. A soberania aqui também se entregou por essa disposição da oligarquia colombiana de estar sempre subjugada ao império.

Como transcorre um dia seu no cárcere?

- Me levanto às 05:30, quando acendem a luz da cela, estendo a cama e faço limpeza; depois inicio exercícios físicos e de esquentamento durante vinte minutos, saio para um patiozinho ao lado da cela a andar outros vinte minutos antes de passar ao chuveiro, aí mesmo no pátio, com uma água deliciosamente fria.

Regresso à habitação e ouço notícias enquanto quebro o jejum; leio os jornais e na metade da manhã começo a estudar porque tenho um plano que contempla várias matérias; política, economia e história. Descanso com temas mais leves como novelas, biografias, poesia e contos que é o gênero literário que prefiro. À tardezinha respondo a correspondência de muitos prisioneiros e prisioneiras de guerra que me escrevem. De novo, ouço notícias e leio até que apagam a luz às 20 ou 20:30 horas. Escuto outros programas de rádio, de opinião e música. Sempre durmo depois das dez da noite e todos os dias leio textos de e sobre Bolívar. Às vezes, me levam ao patiozinho para tomar sol e caminhar, uma hora na manhã e outra na tarde.

Que de certo há no plano de fuga “descoberto” há poucos dias pelo Exército?

- Tudo é uma invenção de um coronel, bobalhão e mentiroso, de sobrenome Burgos, que pretendeu ganhar méritos fazendo crer ao país que deste cárcere alguém pode fugir com o apoio de três escopetas e dois revólveres. Nem a mamãe dele crê nesse dramalhão. Também inventou outras coisas, que o Secretariado me abandonou, agentes gringos me pressionaram para que entregasse o local onde estão retidos os três norte-americanos ou que dê testemunho contra meus superiores e, por último, inventaram a infâmia de que um franco atirador ia disparar contra mim para silenciar-me e impedir que delatasse aos meus camaradas na Corte Federal.

Eu sou um revolucionário íntegro e não um delator. São falácias e mentiras orquestradas pelos meios do regime.

Que significa para um guerrilheiro revolucionário estar em prisão num momento tão importante do processo político colombiano?

- As FARC não são uma horda, tampouco um homem, um caudilho. As FARC são uma organização com uma estrutura orgânica e hierárquica, com planos políticos e militares que seus distintos escalões de mando e responsabilidade devem materializar.

Tudo o que façam ou deixem de fazer as FARC descansa em organismos colegiados. Temos uns estatutos, um regime disciplinar e umas normas de comando. Há deveres e direitos para todos os militantes da organização. Somos um partido político com militantes em células muito ativas, que se reúnem, no mínimo, duas vezes ao mês. Somos uma organização que, ademais, conta com um numeroso grupo de quadros capazes e experimentados que intercambiam e discutem sobre a realidade nacional e mundial de maneira permanente. Nas FARC se estuda muito sobre todos os temas e as regiões e, para isso, se fazem escolas e cursos de diferentes níveis nos quais se preparam as novas gerações de quadros. Nas especialidades que requerem um Exército e um partido político.

E também estão o partido clandestino e o Movimento Bolivariano, organizações que também formam a novos revolucionários e lutadores, e se adiantam tarefas de organização, educação, mobilização e luta. Nos setores operários, camponeses, indígenas, estudantis, populares, de onde surgem novos líderes com novas experiências. Porém, ademais, existem outras organizações revolucionárias, populares e democráticas e milhares, milhões de colombianos que batalham por conquistar uma Colômbia democrática, com justiça social e soberania. Vocês em VOZ todas semanas publicam sobre as atividades destas organizações e seus dirigentes e suas massas, assim que não vou me estender nisto.

Então, minha luta está inserida numa luta social onde participam milhares que serão milhões na conquista do poder. Assim as coisas, a circunstância de estar hoje preso se vê em sua justa dimensão e a luta a continuam outros.

Eu fui para Quito para realizar a tarefa de contatar pessoalmente a ONU e ao ex-esposo de Ingrid [Betancourt] que trabalhava na embaixada da França nesta cidade, para dar-lhe novos brios à troca de prisioneiros. Capturam-me e o Secretariado nomeou ao camarada Felipe Rincón em minha substituição e Felipe tem as melhores qualidades como revolucionário e quadro das FARC para cumprir muito bem esta tarefa. Aí está o relevo, sem maiores traumatismos. E as FARC não vão se acabar com isso.

Afinal, como foi sua detenção em Quito?

- Foi uma operação de agentes norte-americanos e colombianos. Seguiram-me e me capturaram. Em seguida, me entregaram à polícia equatoriana, a qual inventou a história de que havia sido detido numa operação de rotina e de maneira coincidível.

Como vê o Plan Patriota tão celebrado pelas autoridades nacionais e pelos gringos?

- Li uma declaração em Semana do comandante das Forças Militares, general Ospina, onde dizia que os resultados do Plan Patriota não podiam ser medidos pelo alto número de mortos. E se referia aos mortos de suas próprias tropas. Aí entendi que a Uribe Vélez fracassa o Plan Patriotero. As desesperadas gestões do embaixador da Colômbia em Washington, mister Moreno, em busca de outra grande quantidade de dólares para este plano, é outra mostra do fracasso. As contínuas visitas ao sul do país do anterior e do recém-nomeado comandante do Comando Sul dos Estados Unidos para restituir a moral dos soldados colombianos é outra manifestação do estilhaço.

As reiteradas viagens de Uribe aos Estados Unidos para clamar pela continuidade da ajuda em dinheiro e em “assessores” também confirmam que o plano não vai bem. O aumento do número de soldados e mercenários – empreiteiros militares civis, segundo o eufemismo – em 100% e 50% respectivamente, para totalizar 800 ou 600 unidades, é outro exemplo do fracasso do plano desenhado pelos próprios gringos.

Há duas semanas, o senador Vargas Lleras, oficial profissional da reserva, disse num programa de rádio de Caracol – Hora 20 – que o Plano Patriota, ante as dificuldades encontradas pela resposta guerrilheira, estava atrasado sete meses e este começou em abril deste ano, assim que, com um cálculo simples com os dedos da mão o Plano Patriota só avançou um mês! e isso em meio a toda a propaganda, aviões, helicópteros, armas, radares e satélites que custaram milhares de milhões de dólares dos orçamentos dos Estados Unidos e da Colômbia, com todas as Forças Armadas dedicadas a cumprir o maior plano de guerra que se pôs em prática em toda a nossa história, desde o pacificador Morillo.

O ideólogo do guerreirismo na Colômbia, Alfredo Rangel, o general Valencia Tovar e o ministro da Guerra, encarregado de levar o Plan Patriotero à prática, estão dedicados à bizantina discussão de se se necessitam mais aviões ou helicópteros ou soldados profissionais. E os três estão equivocados. Com nada disso ganharão nem derrotarão as FARC.

Nas palavras de um major que passou por minha cela, agora que todos os dias o Exército passa em revista devido à mentira do suposto plano de fuga: “Nós estamos convencidos que à guerrilha nunca poderemos derrotar”. Em VOZ e El Tiempo li umas partes de guerra dos Blocos Oriental e Sul das FARC e ali o que se aprecia é uma guerrilha forte, vigorosa, que combate diariamente e conquista êxitos.

Como encara a decisão de sua extradição?

- Tranqüilo e com a dignidade de um combatente revolucionário. Sempre estive convencido de que a opinião da Corte Suprema de Justiça seria favorável aos interesses políticos dos Estados Unidos. Também de que Uribe Vélez não vacilaria em ordená-la, porque é uma espécie de vingança contra as FARC.

Por que?

- Porque a Corte só verifica que alguém seja a pessoa reclamada, que a documentação que apresenta o Estado requerente seja válida, que a providência emitida pelo país solicitante aplique para a extradição e que se cumpra o princípio da dupla incriminação, ou seja, que o que lá é delito aqui também seja. O presidente da Corte Herman Galán disse publicamente que ele não está de acordo com o atual mecanismo para autorizar a extradição de colombianos. E em um estranho instante de sinceridade diz que a Corte atua como um simples notário, melhor dizendo, somos uns escriturários e nada mais que membros de uma Corte Suprema de Justiça, são umas cortesãs dispostas a entregar-se ao amo sem vergonha alguma. Prostituem-se para entregar a dignidade e a soberania em troca do visto para ir aos Estados Unidos e de uns uísques e bocas-livres que lhes dão aos quatro de julho na Embaixada gringa em Bogotá.

Sobre que bases se fundamenta a extradição?

- Os fiscais gringos, apoiados em dois mentirosos agentes, um ad DEA e outro do FBI, inventaram cargos, viagens, datas, testemunhas e nada disso verificou a Corte. Se o Estado norte-americano inventou a existência de armas de destruição massiva no Iraque para invadi-lo e apropriar-se de seu petróleo, e para isso mentiram para todo o planeta, de que não será capaz o império de inventar contra um guerrilheiro, um revolucionário ou contra uma organização como as FARC que, desde seus inícios, enfrentou o imperialismo estadunidense?

Mente o Exército colombiano quando, num informe de inteligência, assegura que sou membro do Estado Maior Central. E desta falsidade se agarram o DAS, a DIJIN, o CTI, assim como os dois fiscais de Washington para definir-me como determinador da “tomada de reféns”. Mente o agente da DEA quando diz que estive em Vichada em atividades de narcotráfico para exportar cinco quilos de cocaína(!), quando todo o país conhece que estive no sul do país nas tarefas próprias do Comitê Temático, primeiro, e depois como porta-voz na Mesa de Diálogo, quando do processo de paz. Querem apresentar as FARC como organização terrorista e de narcotraficantes, porém somos uma organização revolucionária com 40 anos de existência e de luta política e guerrilheira. Mentem também as autoridades norte-americanas quando negam sua participação direta no conflito armado da Colômbia e disfarçam seus três prisioneiros de empresários e assessores em informática.

Acreditou na oferta de Uribe Vélez para adiar sua extradição?

- Nunca Uribe Vélez negou uma extradição depois do conceito favorável da Corte. Condicionar minha extradição à libertação dos 63 prisioneiros em poder das FARC foi uma chantagem. Pela grosseria da proposta o Governo me converteu em seu refém. Ademais, o que buscava Uribe era justificar o “coração grande” com Mancuso. Nos Estados Unidos se iniciará outra batalha. Não só minha, também das FARC. Porém, também de todos os colombianos e de todos os que no mundo estão contra esta prática imperialista, remanescente do colonialismo.

Vê alguma perspectiva em relação à troca ou intercâmbio humanitário?

- Sim. Não só já houve um intercâmbio humanitário em 2001, como também as FARC têm, em razão desta guerra interna, uma trintena de oficiais e suboficiais do Exército e da Polícia capturados não precisamente em parques jogando trompo ou empinando papagaios, pelo contrário, rendidos em combates em diferentes lugares da Colômbia, respeitados em suas convicções políticas e religiosas e integridade física e cuidados como prisioneiros de guerra.

O Estado tem, também, guerrilheiros capturados em combate e em outras tarefas revolucionárias. É assim como os prisioneiros de parte a parte podem e devem ser trocados como iguais. Isso não tem mais mistério, é a realidade, o concreto.

O absurdo é este critério do Comitê Internacional da Cruz Vermelha de que, nos conflitos internos, não há prisioneiros de guerra. Hoje, no mundo, a imensa maioria das guerras não são entre países, são guerras entre nacionais, pelo que esta concepção do CICV é, ademais de absurda, obsoleta. E a este critério se apega o Estado colombiano para, de uma parte, negar-nos como guerrilheiros a condição de prisioneiros de guerra e, de outra, negar a seus soldados e policiais o caráter de prisioneiros de guerra e apresentá-los como seqüestrados.

Sobre isto há um debate mundial, inclusive no interior do CICV; o problema é que os principais financiadores deste organismo são os Estados Unidos e os demais clubes de países industrializados, que, entre outras coisas, já superaram o problema das guerras fratricidas.

Se o Estado colombiano aceita a troca de prisioneiros de guerra, o problema dos políticos se soluciona em dois por três. Porém, a oligarquia e seus generais não estão interessados nesses soldadinhos: com dinheiro compram novos soldadinhos. Ainda que sou consciente que minha extradição afeta as negociações da troca e cria mais desconfiança desde nosso lado.

Crê que há perspectiva na luta revolucionária?

- Sim. Creio na solução política do conflito e na revolução. “O direito à revolução é o único direito realmente histórico, o único direito em que repousam todos os Estados modernos, sem exceção”.

Isso o disse Friedrich Engels e este delineamento tem plena vigência e em particular para todos os que lutamos contra o capitalismo, sistema causador de todas as marcas que açoitam a humanidade e hoje multiplicadas pelo império das transnacionais. Daí a pobreza e a miséria de 2 bilhões e 800 milhões de seres humanos, enquanto os gastos militares se elevam a 950 bilhões de dólares ao ano.

O capitalismo é o responsável pela tragédia de que 270 milhões de crianças não tenham assistência e 140 milhões de infantes careçam de educação escolar. Pelo capitalismo cresce o desemprego do mundo, se expande a AIDS e se permite a exploração infantil que abarca a 180 milhões de crianças. É o principal responsável do terrorismo de Estado e do comércio mundial de narcóticos com seus fabulosos lucros para o setor financeiro, o maior beneficiário. E tudo isto e muito mais sustentado na propriedade privada dos modernos meios de produção e na expropriação do homem pelo homem, o que faz mais atual que nunca a luta revolucionária.

E na Colômbia tudo isto tem sua réplica. A oligarquia, em sua voracidade pela ganância econômica e pelo poder político, mergulhou na pobreza a 29 milhões de colombianos no desemprego e no subemprego a mais de 50% da força laboral; monopolizou a banca, a indústria, a terra e entregou ao capital transnacional o petróleo, o carvão, o níquel, o gás, as telecomunicações; a corrupção é o pão de cada dia nas empresas e organismos estatais, erguida pelos empresários privados igualmente corruptos. A oligarquia, desde sempre, optou pela violência, pelo terror e pela guerra, e para isso se aliou estreitamente com os governos dos Estados Unidos.

Para um combatente como você que significam as novas condições do cativeiro?

- O cárcere não anula a luta, pelo contrário, lhe dá continuidade, o cárcere abre outros espaços.

Sente alguma frustração ou se crê responsável destas circunstâncias?

- Um revolucionário não pode sentir-se frustrado por haver lutado enquanto esteve livre e, menos ainda, ao perder a liberdade física. A reclusão não faz desaparecer nossas concepções filosóficas, políticas e, pelo contrário, as torna mais sólidas. O cárcere forja a condição de rebeldes, de revolucionários, de comunistas, de continuadores do ideário de Simón Bolívar. Basta ler a correspondência que intercambiamos, guerrilheiras e guerrilheiros prisioneiros de guerra, para comprovar isto. Uma carta de Yesid Arteta ou de uma guerrilheira de base, de um jovem guerrilheiro, o que transmite é revolução, dignidade, coragem, convicções.

Ademais, está a solidariedade de muitíssima gente no país e em outras partes do mundo, outros braços levantam nossas bandeiras, se agitam nossas palavras de ordem, se marcha e se protesta, se exige nossa liberdade e tudo isso estimula e motiva nossos ideais.

Uma mensagem antes de sua extradição.

- A oligarquia tem absoluta clareza de seu passeio: democracia para ela e restrição dos direitos políticos para o povo, como na Grécia e Roma antigas: democracia para os escravocratas e ausência de direitos para os escravos; sustentar o neoliberalismo econômico ou capitalismo selvagem para ela enriquecer-se mais e empobrecer ainda mais aos trabalhadores; submeter a Colômbia ao TLC como primeiro passo para chegar à ALCA e satisfazer os interesses das transnacionais e dos monopólios nacionais. Assim, estes fiquem como “cauda de leão” e terminar de rifar os recursos naturais e humanos do país; continuar a prática do terrorismo de Estado, agora mascarado de segurança democrática, e a guerra na pretensão de derrotar a guerrilha e amortecer as lutas populares; e entregar todo o pouco que resta de soberania aos interesses dos Estados Unidos como único meio de sustentar-se no poder formal.

Então, a mensagem é para o povo. E é esta:

Organização das lutas populares, alianças com setores democráticos e progressistas e respaldo ao movimento guerrilheiro. Unidade, unidade, unidade popular, democrática e revolucionária que é o meio para triunfar e construir a nova Colômbia.

É uma despedida ou um até breve?

Quando assumimos a luta revolucionária como a razão de ser de nossa existência – e eu não sei viver sem o compromisso total com a revolução – esteja nas condições em que esteja, no lugar que lhe toque e com o sacrifício que seja mister fazer, só há futuro e este é de luta.

 
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