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O Legado de Bush

16.09.2004 | Fonte de informações:

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Como um rapaz que leva um raspanete, George Bush vê-se obrigado a escutar as palavras do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, cabisbaixo, caladinho, com os olhos pregados ao chão e a engolir em seco, quando Kofi Annan proclama ao mundo que a guerra no Iraque foi ilegal e que quebro a Carta da ONU. Que figura tão absurda. Que vergonha. Um criminoso caladinho a propor-se para ser presidente. P pequeno.

Se o Bush fosse um Homem de carácter, demitir-se-ia e passaria o resto dos seus dias com uma pá nas mãos a tirar o estrume das vacas dos caminhos a volta da sua fazenda milionária no Texas. Ou talvez pudesse aparecer nos jantares do dia de Acção de Graças a servir pratos de peru, de plástico, para os bons americanos que estivessem dispostos a pagar bom dinheiro para gozarem duma boa risada ao seu custo, os mesmos bons americanos que ele deixou com uma dívida de duzentos mil milhões de dólares na sua procura da Gralha Sagrada no Iraque, enquanto deitou bombas de fragmentação nas suas crianças.

Contudo, George W. Bush nem é Homem e nem tem carácter. Quebra os acordos internacionais e contratos vinculativos a vontade e quando entende, porque recebe as mensagens de Deus (delirium tremens?) ou do seu Vice-Presidente com boca de cicatriz, Richard Cheney, neste caso instruindo-o a lançar o acto de chacina mais chocante na história recente do planeta, em que dezenas de milhares de pessoas inocentes perderam as vidas ou foram mutiladas.

Kofi Annan chama a guerra no Iraque “uma lição dolorosa”. Muito, para o rapaz que perdeu os braços e as pernas, os olhos e a família próxima e estendida quando um piloto norte-americano decidiu que seu apartamento foi um alvo militar legítimo. Muito doloroso para as crianças que estavam a observar o veículo Bradley em Bagdade, na semana passada, quando um helicóptero norte-americano obliterou tudo e todos na área. Doloroso também para os detidos em Abu Ghraib (“Abu-Ga-rob” nas palavras de Bush), que foram esforçados a chuparem os pénis uns dos outros e a cometerem actos de sodomia. Bons cristãos, esses tropas de Rumsfeld.

“Do ponto de vista da Carta, foi ilegal”, diz Kofi Annan. Qual é a resposta de Bush? Não tem. Não responde porque não pode. Não pode produzir um contra-argumento e por isso tem de se calar, morder no lábio, corar e levar com tudo que é-lhe atirado, com cara de palhaço. Grande político.

Para esclarecer o assunto, sob a lei internacional, George Bush tinha de colocar uma resolução perante o Conselho de Segurança da ONU sobre a necessidade de lançar uma guerra contra o Iraque. Devido ao facto que a política tradicional de Washington de utilizar chantagem e prepotência (que eles chamam diplomacia) não iria produzir os resultados pretendidos (é surpreendente como a prestação de “favores pessoais” podem produzir mudanças de opinião, especialmente em países menos desenvolvidos), Bush decidiu agir quase unilateralmente, acompanhado por um clique de sicofantas covardes, sem espinha, que olharam para os seus interesses antes da questão moral e ética. Polítiquices praticados por políticóides que voam muito rente ao chão.

Além disso, qual foi a justificação que o George Bush deu para lançar esta guerra? Foi Armas de Destruição Maciça, que colocavam uma ameaça imediata aos EUA e aos seus aliados. Rumsfeld até disse onde estavam: “Em Bagdade e Tikrit e a norte, a sul, e leste e oeste destas cidades”. Colin Powell utilizou uma linguagem menos precisa “Estão a ser levadas pelo deserto fora...em…veículos”; mas agora dizem que a guerra no Iraque tem a ver com terrorismo internacional. E amanhã? Será por causa do chupa-cabras?

A guerra no Iraque não é, não foi e nunca foi, acerca do terrorismo internacional. Saddam Hussein a Al-Qaeda eram opostos, porque Saddam Hussein e bin Laden odiavam um ao outro. Deixem o Bush agora inventar outra mentira e dizer que eram casados.

Se a guerra no Iraque é ilegal (e Kofi Annan não fala a toa), então George W. Bush é um criminoso. Mas ele pensa ainda em ser presidente?

George W. Bush é um líder de péssima qualidade a actuar num palco de porcaria, feito por ele próprio, armadilhado pelas suas limitações e sua incompetência. O legado de Bush é essa figura triste e solitário, inteiramente fora de pé no mundo em que foi esforçado a entrar (embora deve estar curtindo a experiência) só que é completamente incompetente, criminalmente negligente e totalmente incapaz de cumprir o seu papel.

O legado de Bush é um mundo muito mais perigoso, que caminha na direcção de outra guerra, mais vasta, mais destrutiva, mais assassina. O que o regime de Bush tem feito durante os últimos quatro anos é totalmente inaceitável para a maioria dos cidadãos do mundo e é a responsabilidade colectiva dos cidadãos dos Estados Unidos da América utilizarem os mecanismos de democracia que têm e tirar esse regime do poder antes que seja tarde demais.

Votar nesse criminoso, esse assassino, esse mentiroso, esse pau-mandado, esse fraco exemplo de humanidade, criaria a noção que o povo dos EUA decidiram seguir um caminho muito perigoso, completamente sozinhos. Para o Inferno, juntamente com o Diabo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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