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Genebra II vai acabar com a crise na Síria?

16.01.2014 | Fonte de informações:

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Genebra II vai acabar com a crise na Síria?. 19607.jpeg

A Síria está enfrentando uma crise que leva quase três anos e teve dois efeitos, tanto interna como externamente, por um lado, a origem de uma tragédia humana e graves danos à infraestrutura do país árabe e, por outro, uma grande ameaça à segurança, não só regional, mas internacional. Por essa razão, o mundo inteiro quer comemorar a Conferência Internacional de Genebra II a ser realizada no dia 22 de janeiro para acabar ou aliviar uma crise cujas dimensões estão afetando outros países, entre eles, Iraque e Líbano.

 

Por: Rasul Gudarzi

Hispan TV

Tradução: Valter Xéu

 

O que ameaça a segurança internacional?

Por que é cada vez maior o número de terroristas?

Como se podem remover os grupos radicais?

As conferências internacionais resultarão em uma solução para este problema?

 

De acordo com dados fornecidos por organizações de direitos humanos, a guerra matou pelo menos 40 mil pessoas civis na Síria, dos quais 25% eram mulheres e crianças, alguns dados poderia se repeti a qualquer momento, em qualquer lugar do mundo, seja em África, na Europa ou nas Américas, devido ao número crescente de grupos terroristas.

 

À semelhança do que aconteceu durante a ocupação do Afeganistão pelo Exército Vermelho da União Soviética e a criação do grupo terrorista Al-Qaeda pelos Estados Unidos, quando a crise eclodiu na Síria, graças ao apoio logístico e financeiro da Arábia Saudita, Qatar e Turquia, foi fundada o Exército Sírio Livre e a Frente Al-Nusra, e, graças a esses fundos também emergiu e se fortaleceram outros grupos rebeldes. No início da crise, os terroristas entraram no país sem qualquer restrição e seus patrocinadores imaginavam que a guerra terminaria em breve, levando à derrubada de Bashar Al-Assad. No entanto, como a guerra vem se arrastando há três anos começaram a surgir problemas entre os terroristas, o que levou à divisão entre eles e criando novos ramos radicais.

 

O aprofundamento e as discrepâncias entre os terroristas deu lugar à organização do grupo Estado Islâmico do Iraque e Levante. Além disso, dada a prolongada luta entre os rebeldes e sua falta de unidade com vistas a Conferencia Internacional de Genebra II, o ocidente e a Arábia Saudita decidiram formar um grupo que contará com uma maior variedade de membros que os demais, por isso é fundada em dezembro de 2012 a Frente Islamiya que conta atualmente com 75 membros de diferentes países como o Iraque, Arábia Saudita, Turquia e Chechênia e seu objetivo se centra na eliminação do governo de Bashar Al-Assad.

 

Desde a sua fundação, a Frente tem dois objetivos: primeiro, manipular a opinião pública sob a alegação de combater o terrorismo e a Al-Qaeda, a fim de atrair a confiança e o apoio da comunidade internacional, e segundo, fazer conhecer o seu slogan para derrubar Al-Assad, e que dessa forma alcançar o lugar de representação oficial da oposição síria e participar da conferência de Genebra II.

 

No entanto, a Frente Al-Nusra e o autodenominado Exército Sírio Livre se opuseram a ele e buscam dissolvê-lo, razão, pela qual em recentes previas a conferência, vem se testemunhando os confrontos entre a oposição, o que resultou na morte de centenas de terroristas.

 

Al-Assad ou terroristas?

 

No Egito, Líbia e Tunísia, onde os radicais islâmicos foram alijados do poder com a revolução a situação piorou e tem criado instabilidade se generalizado, tanto que não se pode desenhar uma perspectiva clara para a situação sócio-política. Agora, o que aconteceria na Síria se Al-Assad fosse derrubado?

 

Al-Asad ou os terroristas?

 

Por um lado, manter Al-Asad no poder contrária aos esforços da Casa Branca sobre o assunto, e por outro, os radicais, após a derrubada de Al-Assad, colocaria em risco a segurança do próprio EUA, considerando-se que, recentemente, um dos grupos vinculados a Al-Qaeda em declarações dadas ao Vice-News, advertiu: "Os Estados Unidos, sua hora vai chegar, você vai sangrar até a morte, e se Deus quiser, vamos levantar uma bandeira na Casa Branca." Também ameaçou que a guerra da Síria se estenderia para o Reino Unido e os EUA.

 

Os aliados de Washington no Oriente Médio, também, estão cientes de que, dado o aumento do poder dos terroristas, Síria sem Al-Asad seria um paraíso para os rebeldes armados e transformar o Oriente Médio em um inferno para eles. Haverá guerras entre as milhares de tribos e grupos étnicos que residem lá, os confrontos entre xiitas e sunitas, alauítas e drusos, cristãos e judeus, e como resultado, os governos em favor de qualquer religião ou etnia não cruzaria os braços, mas entrariam em uma guerra, com a presença do Líbano, Israel, Turquia, Arábia Saudita, Qatar, Iraque e Irã, sem dúvida, não teria nenhum vencedor.

 

Com esta perspectiva negativa, existe a possibilidade de que a mente dos norte-americanos ronde a ideia de ver a um Al-Assad no poder colaborando na destruição dos arsenais químicos nas mãos de radicais salafistas não haveria garantia alguma de que não provoquem outra guerra em algum ponto do mundo.

 

É por isso que EUA, que pretendia bombardear a Síria e considerava Al-Assad como Hitler e Saddam Hussein, agora agradeceu a Damasco por sua colaboração em o desarmamento químico.

 

 "O processo iniciado em tempo recorde e estamos gratos à Rússia por sua cooperação, e claro, a Síria pelo o seu consentimento", disse Kerry durante uma conferência de imprensa com o chanceler russo Lavrov, após uma reunião na ilha indonésia de Bali. Ao mesmo tempo, ele acrescentou: "Eu acho que é extremamente significativo que ontem, domingo (12), uma semana após a aprovação da resolução, estão sendo destruídas as armas químicas e penso que uma homenagem ao regime de Damasco, com toda franqueza é um bom começo e congratulamo-nos com isso".

 

Com tudo isso, vale ressaltar que, enquanto o mundo não está ciente de que a melhor maneira de resolver a crise na Síria está na cessação do apoio aos terroristas e sua eliminação, em seguida, para permitir que o povo sírio venha determinar seu destino, e que milhares de conferências internacionais não serão suficientes para mudar uma situação que poderia continuar ou mesmo agravar-se.

 

 
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