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Fallujah: EUA comete crimes de guerra

15.11.2004 | Fonte de informações:

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Amnesty International publicou um relatório hoje em que a organização baseada em Londres afirmou que estava “profundamente preocupada” que os EUA tinha cometido crimes de guerra em Fallujah.

Depois do nosso relatório na semana passada, em que apresentámos provas que crimes de guerra estavam a ser cometidas já antes desta operação final, PRAVDA.Ru agora tem relatórios em primeira mão por testemunhos oculares, que começam a emergir deste pesadelo. Sim, crimes de guerra foram cometidos e estão aqui as provas.

Quando examinamos os primeiros relatórios, não surpreende que as autoridades dos EUA não apresentam qualquer referência às mortes de civis, porque ao admitir os seus crimes de guerra, alguém tem de ser responsabilizado.

As provas são chocantes na sua violência e pelo facto que são tão numerosas. Temos relatórios de testemunhos oculares a agências de notícias acreditáveis, de actos de chacina, demonstrando um total desrespeito pela segurança dos civis, crueldade numa escala horrífica e um desprezo pelos termos da Convenção de Genebra, mais uma vez.

O fotógrafo da Associated Press, Bilal Hussein, disse à jornalista da AP, Katarina Kratovac, que ataques com artilharia e por via área foram cometidas sem qualquer cuidado acerca de quem era o alvo. “Havia destruição por todo o lado”, declarou, acrescentando que “soldados americanos começaram a abrir fogo contra as casas”.

Falou de ter “visto helicópteros a atirar contra, e matar, as pessoas que tentavam atravessar o rio”, por exemplo uma família de dois adultos e três crianças.

Outra mulher disse à imprensa internacional que sua irmã tinha sido assassinada por um piloto norte-americano que atirou foguetes contra sua casa, matando ela e o bebé de sete meses que trazia no ventre. Oito membros da família foram chacinadas neste massacre, neste acto de terrorismo. Aborto à força, ao Bush.

Testemunhos oculares falam do “fedor de corpos a descomporem” nas ruas. Um fuzileiro norte-americano foi apanhado na câmara dando ponta-pés a homens feridos nas ruas, outro foi apanhado por uma equipa de TV (Channel 4) britânico a assassinar um homem já ferido atrás duma muralha. Ganhando corações e mentes?

Foguetes foram lançados contra residências privadas sem que ninguém desse o trabalho de verificar quem estava lá dentro, seja um “insurgente” ou um bebé. Espalhando a Liberdade e a Democracia?

Um ataque “precisão” com um míssil contra um hospital assassinou cerca de vinte membros da equipa médica e “dezenas de civis” em 9 de Novembro. Na mosca! Um rapaz de nove anos morreu em casa, depois dum fragmento ter-lhe acertado no estômago, depois dum piloto norte-americano deitar sua bomba na sua residência. Libertando o rapaz, talvez? O Crescente Vermelho no Iraque tentou enviar ajuda humanitária para a cidade mas foi proibido pelas autoridades militares norte-americanas.

Mais um exemplo bradante das tácticas grosseiras de Bush, em tratar um problema inteiramente criado por ele. Estes crimes de guerra horrorosos irão incentivar dezenas de jovens a agarrarem o repto e combater contra o que entendem ser, e é, uma força terrorista de invasão que comete crimes de guerra e assassínio em grande escala.

E o que é que os EUA ganharam com isso? Além de mais ódio entre o mundo muçulmano e no mundo em geral? Os líderes dos “insurgentes” tinham saído da Fallujah já muito antes desta ofensiva, como dissemos na PRAVDA.Ru na semana passada. Washington afirma que “matou cerca de 1.200 insurgentes”, admitindo que perdeu 38 tropas norte-americanas e 6 iraquianos, com 215 feridos, que precisavam de internamento hospitalar.

Se 10% dos feridos graves morrer e se se aplicar a equação normalmente utilizado nestas circunstâncias, de dividir o número de baixas entre o inimigo e multiplicar as baixas admitidas, por três, em números redondos reais, e não as mentiras de Washington, o balanço final seria cerca de 150 tropas norte-americanas/Iraquianos colaboracionistas e 400 “insurgentes”.

E os civis?

Quem é responsável e quem vai ser responsabilizado?

“Ninguém” não é resposta que chega.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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