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MENSAGEM AO GRUPO DOS 77

15.06.2004 | Fonte de informações:

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Distintos participantes da Reunião Comemorativa do 40º Aniversário do Grupo dos 77:

Há quatro décadas, os países do Terceiro Mundo decidimos nos unir para impulsionar juntos nossas posições na economia mundial. Às vésperas da Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, já identificávamos problemas prementes para os países subdesenvolvidos e reclamávamos, como continuamos fazendo, nosso direito ao desenvolvimento econômico e social e a uma vida melhor para nossos povos.

Nos anos seguintes, outros povos do Terceiro Mundo conseguiram sua independência, e fomos somando novos membros a nosso Grupo. Hoje somos 132 países e, se agimos unidos, constituímos uma força capaz de defender com êxito nosso direito a viver num mundo melhor e mais justo.

A maioria dos problemas que identificamos no momento da criação do grupo dos 77 não só subsistem, mas se agravaram, à medida que foi se consolidando a ordem econômica mundial exploradora e injusta que caracteriza a globalização neoliberal.

Enfrentamos hoje um mundo em que:

· 20 por cento da população realizam 86 por cento do consumo total.

· Mais de 850 milhões de adultos são analfabetos.

· Mais de 12 milhões de crianças morrem a cada ano no Terceiro Mundo de enfermidades curáveis.

· 325 milhões de crianças dos países subdesenvolvidos não vão à escola.

· A desigualdade no comércio internacional se aprofundou. O poder de compra dos produtos básicos exceto o petróleo é menos de um terço do que era quando se criou a UNCTAD.

Torna-se evidente que a atual ordem econômica internacional, que gera crescentes desigualdades e injustiças, funciona somente para uma minoria da população do planeta e exclui de seus benefícios a grande maioria.

Existem os recursos para financiar o desenvolvimento. O que falta é a vontade política dos governos dos países desenvolvidos.

Os níveis da dívida externa do Terceiro Mundo são insustentáveis e incompatíveis com o desenvolvimento econômico de nossos países. A cada dia, enfrentamos novas condicionantes por parte dos países e organizações credoras, que, por essa via, procuram impor modelos que só conduziram ao empobrecimento ainda maior dos povos.

O problema da dívida externa deve ser resolvido de uma vez. A dívida deve ser perdoada. É impossível alcançar as metas do desenvolvimento com uma carga tão onerosa.

A Ajuda Oficial ao Desenvolvimento prometida pelos países industrializados ainda está longe de alcançar as metas acordadas pelas Nações Unidas. Os países desenvolvidos têm o dever e a responsabilidade de financiar o desenvolvimento dos países que foram suas colônias.

Vivemos hoje num mundo em que se investe na indústria da guerra uma proporção cada vez mais alta dos recursos, enquanto muitos milhões de pessoas sofrem a pobreza extrema, e a cada ano morrem dezenas de milhões por desnutrição e enfermidades curáveis.

São cada vez mais alarmantes a degradação do meio ambiente e o efeito devastador do câmbio climático nos países do Terceiro Mundo. Em nossos países, escasseiam os alimentos e as fontes de água potável, enquanto nos países desenvolvidos se desperdiçam continuamente os recursos.

No mundo atual, caracterizado por uma ordem global unipolar e neoliberal, sob a ditadura econômica e militar de uma superpotência que busca impor seu modelo como único padrão para toda a humanidade, os países do Sul devemos continuar fortalecendo nossa unidade e cooperação. Somente unidos poderemos aspirar a fazer prevalecer nossos direitos. Neste necessário esforço, cabe ao Grupo dos 77 um papel de extraordinária importância.

Na Cúpula Sul, celebrada em Havana já há quatro anos, foram reativados e atualizados as prioridades e mecanismos de nosso Grupo. Entretanto ainda há muito por fazer para cumprir cabalmente o Plano de Ação adotado naquela oportunidade. Por isso nos parece de capital importância a celebração de uma Segunda Cúpula dos Países do Sul, que será uma ocasião propícia para defender nosso ideal de preservar a paz, para reafirmar o multilateralismo e fortalecer a cooperação internacional.

Cuba, há mais de quarenta anos vítima do bloqueio, da guerra econômica e das agressões de todo tipo por parte do Governo dos Estados Unidos, que nas últimas semanas recrudesceu suas ações agressivas, procurando assim submeter nosso povo, reitera seu compromisso com a cooperação e a combinação de esforços entre nossos países, e reitera que não vacilará em continuar oferecendo sua solidariedade desinteressada e seu apoio aos povos do Terceiro Mundo.

Fidel Castro Ruz

 
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