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Novidades da Cúpula

14.05.2005 | Fonte de informações:

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A Argentina se opõe a isso. Kirchner se retirou da cúpula devido a desavenças com ele e sobre a balança comercial que desfavorece seu País ante o Brasil. Duas novidades foram de que os 22 países árabes, incluindo Síria e Líbia, aceitaram reconhecer Israel. Além disso, os 34 assinantes reconheceram “o direito dos povos de resistir à ocupação estrangeira”. Este poderia ser usado pelo Hamas ou pelo Hezbola e também pelas FARC. A cúpula chocou-se com os Estados Unidos ao opor-se ao unilateralismo e as sanções contra a Síria.

Também pediu que seja respeitada a unidade do Sudão, apesar de que muitos cristãos do País são favoráveis a separar-se de um estado fundametalista islâmico, acusado de permitir um genocídio

Tradução: Daniele Alves

Cúpula América do Sul-Países Árabes Tanto a América Latina quanto o mundo árabe são duas zonas do “terceiro mundo” compostas por cerca de vinte países que compartilham entre si línguas, crenças, culturas e histórias comuns. Ambas regiões carecem de armas nucleares e de assento permanente no conselho de segurança, e mantêm amizade e receio com os Estados Unidos.

A Cúpula América do Sul-Países Árabes é o maior evento internacional presidido por Lula. É parte de sua estratégia para entrar permanentemente no organismo máximo das Nações Unidas e de encabeçar um bloqueio sul-americano em favor da multipolaridade, que mantenha uma certa autonomia frente a Washington e tenha laços bilaterais com Rússia, Europa, África e Ásia. Junto com a China e a Índia organiza uma linha central com os três colossos geográficos do Sul.

Este tipo de evento pode aprovar críticas aos Estados Unidos, Israel ou Grã-Bretanha. Porém, o Brasil deve tentar arquivar radicalismos a fim de não contrariar Bush, para que ele não vete seus anseios de ter um lugar fixo no conselho de segurança.

Lula deseja ser o mediador entre Washington e os “radicais” de Caracas, Havana e outras regiões.

O Brasil quer capitalizar o fato de contar com muitos descendentes de imigrantes do Oriente Médio e que a América do Sul tem mais de 10 milhões de descendentes árabes (alguns deles chegando a encabeçar o governo ou a oposição na Argentina, Equador e El Salvador).

O comércio entre as duas regiões segue sendo limitado. Apenas cerca de 3,5% das importações do Oriente Médio provém da América Latina. Mas, o encontro busca ampliar os vínculos, captar investimentos árabes e abrir novos mercados para frutas, soja, grãos, metais e carne sul-americanos. O Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo firmaram acordos.

A cúpula, que deveria servir para unir o bloco sul-americano, tem demonstrado a fragilidade das relações entre os vizinhos Chile-Peru e Brasil-Argentina. Kirchner se retirou prematuramente do encontro. A Argentina e o México se opõem ao projeto brasileiro de entrar no Conselho de Segurança, pois isso os faria se sentir inferior como potências latino-americanas menores. As exportações brasileiras sobre a Argentina estariam duplicando e apresentam um maior valor agregado que as de seu vizinho, que reclama desequilíbrio.

A Venezuela aponta a usar o encontro para avançar as tratativas para uma multinacional petroleira estatal sul-americana (Petrosul) ligada à OPEP, e também para tecer um bloqueio que proponha a “soberania” e contenha o “intervencionismo e unilateralismo” norte-americano.

A América do Sul e a Liga Árabe apresentam regimes muito distintos. Enquanto o primeiro subcontinente tem democracias de livre mercado que vem elegendo governos de esquerda moderada, a região árabe tem poucas democracias e está incluída entre as autocracias mais draconianas que há e certas ditaduras nacionalistas protecionistas.

Apesar do pouco intercâmbio comercial e da pouca afinidade ideológica entre os dois blocos, um fator que ambos querem usar é o de buscar o apoio mútuo para conseguir melhores relações comerciais e políticas com o norte.

Isaac Bigio Analista internacional. Foi professor de política brasileira e latino-americana na London School of Economics. Tem uma coluna diária no jornal Correo, o diário em espanhol de maior circulação no Pacífico, e escreve para dezenas de meios de comunicação dos cinco continentes.

 
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