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Fidel Castro: Notícias da Bolívia

14.04.2009 | Fonte de informações:

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A aprovação da Lei Transitória Eleitoral precisa da maioria em cada Câmara, portanto é-lhe muito fácil bloquear a aprovação no Congresso. No entanto, Evo dispõe de um recurso legal. Entre suas faculdades constitucionais possui a possibilidade de um Supremo Decreto para aprovar a Lei que é discutida. Além disso, nesse caso pode dissolver o Congresso e convocar a eleições parlamentares, porém não deseja fazer isso em seu afã de preservar a unidade do país. Por isso convida constantemente a posição a partilhar os esforços em favor do desenvolvimento do mesmo em benefício de todos os setores da nação. A nível internacional são reconhecidos sua honestidade e seu espírito democrático.

Há uns minutos estava a escutar o debate no Congresso. É incrível o ódio e a insolência dos líderes da oligarquia. Estão treinados no insulto e nas ofensas pessoais. Evo indigna-os, o primeiro indígena na história moderna de nossa América que governa um país que ademais é de origem e costumes ancestralmente indígenas.

Recém foi aprovada na Câmara a disputada Lei por 100 votos a favor e 30 contra. O debate tem lugar na Paz, na sala pertinente do edifício legislativo localizado bem próximo do Palácio de Governo.

Às 18h40 comunico-me novamente com Dausá. Ele me conta que representantes das organizações populares estão chegando à Praça Murillo, frente ao Palácio. Comenta do mesmo modo a insolência dos delineamentos, embora me expressa que nem todos os deputados da oligarquia são tão grosseiros, alguns se comportam corretamente. Também continuam as negociações e talvez durante a noite seja tomada uma decisão.

Escuto pela televisão o debate senatorial que já começa.

A transmissão cessou às 19h20, porque um senador da oposição pediu a suspensão da reunião para negociar, à qual se somaram mais outros senadores. Decorreram duas horas e meia e ainda não tinha sido reiniciada.

Às 20h41 telefonei para Dausá. Evo está bom, comunica-se constantemente com os seus quadros através do telefone celular. Continuam chegando pessoas à Praça Murillo. Nosso Embaixador conhece que as negociações avançam, porém a oposição pede que sejam retiradas as pessoas que se encontram na Praça e que Evo abandone a greve de fome. É difícil que possam conseguir ambas as coisas. Dausá acha que talvez ao finalizar a noite cheguem a um acordo. Prometi telefoná-lo outra vez.

Liguei para Dausá mais duas vezes, às 22h20 e às 22h49.

A primeira ligação coincide com as palavras de García Linera explicando a situação nesse momento. Continua o impasse no Congresso. Explica o que se tinha avançado durante o dia na mesa de negociações. Manifesta seu descontentamento devido à intransigência da minoria senatorial. Continuam a exigir que Evo abandone sua greve de fome e que a gente seja desalojada da Praça Murillo. Já não existem possibilidades de chegar a um acordo hoje quinta-feira. Quiçá na madrugada da sexta-feira, mas não é seguro. Evo bem e tranqüilo. Mantém invariável sua atitude. Na segunda ligação depois de ter feito alguns contatos que estavam pendentes me ratifica o anterior.

É meia-noite e não chegaram a um acordo. A oposição abandonou o Parlamento. Devo entregar este material a Cubadebate para que seja publicado em tempo em nossa imprensa. Não é um jogo de beisebol do Clássico, mas apesar disso deitar-nos-emos tarde demais. Não tenho a menor dúvida de que Evo sairá vitorioso.

Fidel Castro Ruz

 
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