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Fidel Castro: Notícias da Bolívia

14.04.2009 | Fonte de informações:

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Fidel Castro: Notícias da Bolívia

O prestigio de Evo cresce na Bolívia e no mundo. Cada vez mais recebe o apoio popular apesar da oligarquia contar com quase todos os recursos midiáticos. Uma campanha exemplar de alfabetização acabou com o analfabetismo em tempo recorde; atualmente toda a população tem acesso aos serviços médicos; importantes necessidades históricas do povo boliviano estão a ser atendidas com métodos originários e novos.

A economia e as reservas em divisas crescem. Isto enlouquece a oligarquia que no Parlamento bloqueia as eleições convocadas para os finais do presente ano. A manobra obrigou Evo, o partido dirigente e as massas a adotarem medidas de luta que se caracterizam pela força moral que implicam.

O Presidente Evo Morales, a Coordenadora Nacional a favor da Mudança e a Central Operária Boliviana declararam-se em greve de fome maciça no Palácio de Governo, exigindo respeito à Constituição e à Lei Transitória Eleitoral, demorada durante meses para sabotar as eleições.

Evo Morales declara o seguinte:

“Companheiros das diferentes organizações sociais do país, perante a negligência de um grupo de parlamentares neoliberais, estamos obrigados a defender o mandato do povo.

“Os parlamentares sabiam que em 60 dias deviam aprovar a Lei Transitória Eleitoral.

“Contudo, não querem que seja aprovada uma lei que permita garantir a implementação da Constituição.

“Pedir um novo padrão, é simplesmente dizer que não há eleições nacionais para os finais deste ano, nem eleições nas prefeituras, municipais no ano próximo.

“Por isso, reitero, este esforço de dirigentes sindicais e das autoridades principais, liderando COB e CONALCAM, pela defesa do voto sagrado do povo.

“Numa entrevista coletiva eu explicava como a proposta de alguns senadores dizia que o padrão dos residentes no exterior deve ser aprovado por dois terços no Congresso, quando sabem que esse dois terços não serão atingidos.

“Também não isso é o que diz a Constituição vigente.

“Isso é para que as pessoas residentes no estrangeiro não possam votar.

“Os bolivianos residentes no estrangeiro também têm direito a decidirem o destino do país e quais as autoridades em sua pátria.

“É a defesa do voto.

“O ano passado vieram da Argentina pedindo que esse direito fosse aprovado no Senado, mas não foi aprovado.

“Quando também faziam referência à densidade de população para garantir a circunscrição especial, realmente era para que não exista.

“Pois este esforço também esta a defender as circunscrições especiais do movimento indígena.

“Escutamos por ai alguns meios da imprensa que dizem que o governo, que o presidente esta a fechar o Congresso.

“Não falemos de cerco, melhor pronunciemo-nos em favor de que a lei seja aprovada.

“Apelamos para esta medida em defesa da democracia.

“Os antidemocráticos de antes, agora acham que são grandes defensores da democracia.

“Aqui estão os companheiros que têm dado sua vida e seu tempo em favor da verdadeira democracia.

“Por isso, para assumir uma verdadeira democracia são aprovadas normas no Congresso Nacional.

“No Congresso os parlamentares têm uma das melhores oportunidades para garantir democracia e também transformações profundas no que respeita à estrutura.

“Peço aos parlamentares opositores, fazer juntos a história, todos.

“Há que pensar na igualdade e nas soluções sociais que quer o povo, aqui não deve haver egoísmo, sectarismo.

“Primeiro deve ser o povo, primeiro a pátria e depois os interesse setoriais ou regionais.

“Meus cumprimentos, verdadeiros, por juntos ter assumido a defesa da democracia, do voto do povo, do voto no estrangeiro e de outras reivindicações de caráter estrutural através do esforço da greve de fome.

“Muito obrigado.”

Com este apelo concluiu suas palavras.

Durante o dia iremos conhecendo como se desenvolvem os acontecimentos.

Às 14h25 conversei com Rafael Dausá, nosso Embaixador em La Paz. Quis obter notícias por essa via.

Evo está bom, animado e calmo. Só bebe água. No Palácio está acompanhado por líderes da Central Operária Boliviana e por dirigentes camponeses da Coordenadora Nacional em favor da Mudança. O Congresso é presidido por García Linera, como vice-presidente da Bolívia. Numa comissão se levam a cabo trocas com a oposição oligárquica. Uma questão muito discutida é o número de legisladores indígenas da proposta de Evo sobre a representação dessas comunidades, cumprindo com a Constituição aprovada, sem fixar cifras.

Evo propõe 14, a oposição apenas aceita 3. Enviei meus cumprimentos a Evo. Até esse momento não tinham acontecido fatos violentos.

Às 16h01 converso novamente com Dausá. Já tinha transmitido meus comprimentos a Evo, que tinha programado visitar Cuba no dia 9 de abril. Viu-o absolutamente sossegado. Estava a jogar xadrez com seus companheiros. O povo soma-se à greve de fome; esta se estendeu a El Alto, Cochabamba, Santa Cruz, La Paz e outras cidades. Organizações populares telefonam para ele constantemente oferecendo-lhe apoio. A Câmara dos Deputados apóia-o esmagadoramente. Nesse setor do Congresso a vantagem ultrapassa os dois terços necessários. O problema está no Senado, onde a oligarquia era majoritária.

 
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