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A Semana Revista

13.06.2004 | Fonte de informações:

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ELEIÇÕES EUROPEIAS. VOTAR, PARA QUÊ?

Se houvesse um Partido da Abstenção, ganharia

A total falta de interesse nas eleições para o Parlamento Europeu, que terão lugar entre 10 e 13 de Junho, é um sinal claro da falta de liderança política neste Continente onde os eurocratas e o povo europeu vivem numa separação de facto.

A total falta de interesse nas eleições para o Parlamento Europeu, que terão lugar entre 10 e 13 de Junho, é um sinal claro da falta de liderança política neste Continente onde os eurocratas e o povo europeu vivem numa separação de facto.

Seria de esperar que depois de tantos anos de existência da Comunidade/União Europeia, sua população estaria politicamente democratizada ao ponto de poder votar pelos Membros do Parlamento Europeu, entendendo quais são os agrupamentos políticos em Estrasburgo, entendendo os poderes do Parlamento Europeu, entendendo que seu voto conta para estabelecer equilíbrios neste organismo para escolher esta ou aquela política.

Mas infelizmente a realidade é muito longe disso. A taxa de abstenção para esta semana tem sido estimada em cerca de 70%, o que, sendo a verdade, quer dizer que menos que 30% da população adulta deste continente se sente motivado a votar sobre assuntos de interesse comum.

Por quê? Porque em primeiro lugar, a União Europeia, é um dos organismos menos democráticos em existência. No caso do Parlamento, o único organismo que é votado directa e democraticamente não tem qualquer poder executivo. No caso da União, foi implantada de cima para baixo num processo anti-democrático, sem ninguém explicar o que estava a acontecer e quais as implicações para o futuro para cada sector da população.

Em segundo lugar, será que a população entende quem é seu membro do Parlamento Europeu (MPE) e quais são as políticas que vai seguir? Entende aquilo que o Parlamento Europeu faz?

Para atrair o voto, os partidos têm de escolher os temas mais interessantes, quer que tenham algo a ver com a UE ou não. Muitas vezes, se discutem assuntos de natureza interna com relevância nacional, não políticas pan-europeias com impacto internacional e depois o eleitorado é suposto fazer a ligação entre estes temas e o Parlamento Europeu, ligação que não existe.

De facto, a única utilidade destas eleições é precisamente de natureza interna, medindo o grau de apoio aos governos nos 25 países membros, que no caso de Portugal deve, e merece, ser muito escasso.

Cabe à média cada vez mais assumir o lugar de liderança política, explicando ao eleitorado os assuntos e questões que a priori deveriam ser apresentadas por aqueles que os defendam ou atacam. No caso do Parlamento Europeu, há oito blocos principais de partidos.

PPE-DE Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos) e Democratas Europeus. É o maior partido com 232 lugares dos 626 deputados. A seguir, há o Partido Socialista Europeu, com 175 deputados. Seguem os Liberais Democratas e Reformadores (54), a Esquerda Unitária Europeia (50), os Verdes e a Aliança Livre Europa (45), a União pela Europa das Nações (22), a Europa das Democracias e das Diferenças (17) e há ainda 31 lugares para outros grupos independentes.

O número de deputados aumentará para 732 na Europa de 25 países, com um número de MPEs consoante a sua população, nomeadamente:

99 – Alemanha; 78 - França, Itália, Reino Unido; 54 – Espanha, Polónia; 27 – Países Baixos; 24 – Bélgica, Grécia, Hungria, Portugal, República Checa; 19 – Suécia; 18 – Áustria; 14 – Dinamarca, Eslováquia, Finlândia; 13 – Irlanda, Lituânia; 9 – Letónia; 7 – Eslovénia; 6 – Chipre, Estónia, Luxemburgo; 5 – Malta.

Sem sequer saber isso, os cidadãos irão votar, para quê?

VERGONHA!!

A influência moura na sociedade portuguesa

Uma vergonha! Portugal iniciou a campanha pelo Campeonato da Europa duma péssima maneira, não pelo resultado frente à Grécia (1-2) mas pela forma infantil, primária, malcriada e petulante em que certos sectores da população estão a reagir. Ontem entre as cinco e sete horas da tarde, a geração de ouro do futebol português levou uma lição de futebol duma equipa grega excelentemente organizada, humilde, determinada, motivada, sem medo nem tensões, sem complexos, que joga como uma unidade, como equipa. Sabe atacar e sabe defender.

Agora, é tudo a culpa de Scolari que apenas soube ganhar a Taça do Mundo de forma brilhante com a equipa brasileira há dois anos. A reacção ao primeiro jogo da UEFA 2004 é a seguinte: Pois é, batem no estrangeiro, é a culpa dele, vá-se embora para o Brasil, venha o Mourinho, um português.

Que vergonha! Nem sabem perder um jogo de futebol? Onde está o espírito de lutar juntos, como equipa, de cerrar fileiras, de mostrar apoio a alguém numa hora difícil? De mostrar um pouco de respeito e de agir como gente grande?

Mas não conseguem. Está nos genes, está intrinsecamente entranhado na psique colectiva portuguesa. Como aconteceu com os Mouros, os portugueses preferem estar a observar a batalha duma distância confortável, ver em que direcção está a soprar o vento e se as coisas começam a correr mal, lincham o seu próprio rei, esfaqueando-o nas costas à primeira oportunidade.

Portugal perdeu um jogo de futebol ontem mas perdeu muito mais que isso com as reacções. Perdeu o respeito por ele próprio, perdeu qualquer semelhança de decência, de fair-play.

É fácil culpar o Scolari, muito mais fácil que admitir que os gregos deram um banho de futebol e mereceram ganhar o jogo. Mas há uma verdade crua e cruel: Scolari não estava a jogar. Quem estava no campo foi a equipa portuguesa, ou agora vamos culpar o Deco porque nasceu fora?

Também não devem ter ajudado muito as palavras de Figo, que supostamente criticou a escolha de Deco na equipa porque não é português. Em vez de concentrar-se no futebol, larga sentenças destas.

O português tem uma incapacidade quase total de enfrentar a realidade, reagir e fazer qualquer coisa para melhorar a situação, tem um medo patológico de críticas. “Quem não está bem, vai-se embora!”

Pois, que maneira mais infantil de reagir a uma sugestão.

Agora, como fazer? Portugal não precisa de cometer um acto de suicídio colectivo. O que precisa é de reagir, apoiar o seleccionador nacional, apoiar as suas decisões, apoiar a equipa, tentar vencer os restantes dois jogos no grupo (frente à Rússia e Espanha) e passar para a fase seguinte. Sem Figo mas com Deco, e Scolari.

G8 – A VER SE A GENTE SE ENTENDE

Sea Island, Geórgia, EUA. O ponto de reencontro?

Depois do divórcio de Washington e Londres da comunidade internacional, por vontade própria, chega a altura de fazer um balanço da (péssima) situação internacional e fazer as devidas correcções. Os filhos pródigos voltam a casa? Um talvez, o outro talvez ainda não.

Criticado por alguns como “O clube dos ricos”, as reuniões do G8 são de facto uma boa oportunidade para os líderes dos países mais industrializados falarem sobre uma variedade de assuntos sem as restrições impostas em eventos mais específicos, por exemplo sobre o ambiente ou sobre doações no evento duma crise específica. Nesta reunião, os líderes da Federação Russa, dos Estados Unidos da América, da Alemanha, da França, do Reino Unido, Itália, Canadá e Japão irão discutir vários documentos, entre os quais “Médio Oriente e Norte de África”.

Será uma boa oportunidade para os membros deste Grupo explicarem a Washington que a diplomacia internacional não se faz por grupos de pressão, erros graves e depois donativos e paliativos para diminuir os efeitos destes.

Por exemplo, depois do acto de chacina perpetrado pelos Estados Unidos da América no Iraque, vem a proposta (cínica) (por Washington) para um fundo de cem milhões de dólares para a região do Médio Oriente e Norte de África. Depois dos EUA terem gasto 200 mil milhões de dólares na guerra no Iraque, faz algum sentido os outros membros do G8 financiarem um fundo que constitui uma vigésima parte desta quantia, especialmente quando os países desta região têm recursos suficientes para fazer cobertura às necessidades?

Por isso, os restantes sete membros dos G8 não estão dispostos a contribuir, nem o aliado fiel dos EUA, o Reino Unido.

Washington não consegue comunicar com o resto da comunidade internacional, isolou-se e pagará o preço, tal como a República da Jugoslávia, Afeganistão e Iraque, cujas missões diplomáticas não conseguiram evitar o isolamento.

Que irónico, os três “diabos” de Washington ensinam o carrasco (casmurro) sobre como não deve agir. Nem assim o Bush aprendeu. Chega a altura para uma mudança de regime, como Bush gosta de dizer.

ABU GHRAIB: NOVAS PROVAS

Forças Armadas dos EUA encobrem violação sistemática de mulheres inocentes

O Partido dos Operários Comunistas do Iraque apresentou à PRAVDA.Ru provas novas sobre a prática da violação sistemática de mulheres iraquianas inocentes na prisão de Abu Ghraib, Bagdade, por soldados norte-americanos.

Uma dos dirigentes deste partido, Houzan Mahmoud, afirma que as muitas histórias acerca da violação de mulheres, muitas negadas pela coligação, são de facto verdadeiras. “As provas vivas dos seus crimes agora começa a emergir...Recentemente a notícia das mulheres iraquianas que foram libertadas daquela prisão, ou suicidaram-se ou foram mortas pelos seus familiares, nos chocou”.

Tradicionalmente no Iraque, a violação duma mulher traz a vergonha para a família e para o país. O facto que muitas destas mulheres engravidaram quando estavam presas em Abu Ghraib dá mais provas que apontam para um regime de terror de natureza mais retrógrada sob as forças comandadas por Washington. “Os valores mais desumanas e retrógradas mais uma vez renascem com a ocupação, que providenciou a plataforma necessária para que os islamistas possam impor as ideias mais misogenistas sobre a população”, diz Houzan Mahmoud.

Vários cidadãos prometeram vingar-se, oferecendo somas avultadas pela captura de mulheres soldados das forças de ocupação, para que possam sentir na pele o que as suas mulheres, filhas ou irmãs sofreram. “Os métodos dos EUA e dos Islamistas são sadistas, opressivos e são os dois lados da mesma moeda. Devem parar”, afirma a dirigente.

Os soldados dos Estados Unidos da América providenciaram estas mulheres com a existência mais infernal desde a sua libertação. As mulheres que eles violaram e cujas vidas destruíram agora encaram a exclusão social como a melhor hipótese, porque a ocupação dos EUA permitiu que as forças mais reaccionárias levassem a sociedade iraquiana outra vez para a idade média. Muitas destas mulheres irão preferir o suicídio a encarar suas famílias, outras irão ser mortas pelos seus familiares por causa da vergonha que impuseram na sua honra. Por quê? Porque foram violadas por soldados norte-americanos, na prisão, indefesas, punidas desta bárbara maneira por crimes que elas não cometeram. Pelos soldados comandados pelo regime de Bush em Washington.

As mulheres levadas por estas forças armadas não tinham cometido crimes nem actos de sabotagem. Foram presas simplesmente porque eram familiares de homens que foram procurados por serem membros do Partido Ba’ath. Agora, como todos sabem, “interrogação” pelas forças dos Estados Unidos significa actos sistémicos e sistemáticos de tortura...isso com o aval do Pentágono, de acordo com memos recentemente descobertos.

“Quando os soldados dos Estados Unidos da América entram numa casa a procura dum homem, muitas vezes levam a mulher ou a irmã ou a filha”, diz Houzan Mahmoud, acrescentando que “O que tem estado a acontecer nas prisões do Iraque mais uma vez demonstra a hipocrisia do governo dos Estados Unidos da América e sua falsa e deshumana justificação pela ocupação no Iraque”. Morreram Ronald Reagan, Sousa Franco e Lino de Carvalho

Entre muitas outras pessoas, claro. A tragédia da morte duma pessoa é um constante, seja qual for sua nacionalidade, sua cor, sua raça, sua religião, seu partido político. Todos nós nascemos nus e todos nós iremos acabar da mesma maneira, sem uso para a roupa em que saímos vestidos.

Por isso, um abraço colectivo e uma introspecção sobre quem somos e onde vamos seria uma atitude bem mais inteligente do que assumirmos posições contra os norte-americanos só porque são norte-americanos, contra comunistas só porque são comunistas e contra políticos de várias cores só porque tinham várias cores.

Somos todos seres humanos. Nascemos iguais e morremos de forma igual. O resto é uma questão de quantos anos e o que fazemos, mais nada.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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