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Opinião: Para refletir em tempos de insegurança geral

13.05.2007 | Fonte de informações:

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O chamado crime organizado não é uma mera ficção da mídia, nem de qualquer outro setor. As organizações criminosas sempre existiram, diferenciando-se apenas em seu maior ou menor grau de eficiência (pragmática), organizacional, a par das diferenças culturais etc.

Evandro Steele

O chamado crime organizado não é uma mera ficção da mídia, nem de qualquer outro setor. As organizações criminosas sempre existiram, diferenciando-se apenas em seu maior ou menor grau de eficiência (pragmática), organizacional, a par das diferenças culturais etc.

Na atuação destas quadrilhas sempre se observou ao longo da história (veja-se as máfias italianas e as norte-americanas - estas ainda presentes, por exemplo, nos sucessores de Joe Colombo, etc.) a existência de um fortíssimo e blindadíssimo "controle" e "comando" geral de incidências criminais, que tem num de seus braços mais potentes os agentes corruptores , cujas ações se direcionam à classe política e aos demais Poderes constituídos, chegando às altas esferas dos mesmos, como agora se noticia.

Em que pese esta multifária gama de ações criminosas (crimes contra a administração pública, crimes financeiros e contra a ordem tributária, narcotráfico, roubos expressivos, extorsões mediante sequestro, tráfico de mulheres, contrabando de armas, "pirataria", exploração de jogos inclusive com material contrabandeado, com a conseqüente lavagem do dinheiro sujo) a maior ou menor incidência, num dado período, caracteriza o que costumo chamar de "sazonalidade criminal".

Assim como o clima sugere o plantio de tal ou qual vegetal, é exatamente o "clima repressivo" que maior influência exerce nesta sazonalidade. É dizer, quando, por exemplo, o aparelho repressivo (no Brasil é falho e o preventivo é absurdamente ineficiente) do Estado (falo do Estado em sentido amplo, claro) se direciona com mais eficiente intensidade sobre um tipo de delito a organização se e o "recolhe", diminui sua "temperatura" e se direciona pra outra modalidade. E assim, dentro de cada "modalidade" criminal também as ações desencadeiam o surgimento de um conjunto expressivo de "submodalidades".

Vivemos isso no passado. Lembram-se da "onda" de assaltos a bancos? (não falo daqueles que se justificavam por seus fins políticos-ideológicos não! Falo do chamado "crime comum").Quando a repressão se fez mais eficiente, partiu-se para a "onda” de extorsões mediante seqüestro, que tiveram seu início e apogeu a partir do “ caso Roberto Medina” onde atuei profissionalmente.

Só no Rio, nos anos noventa/noventa e um foram mais de cento e trinta seqüestros de considerável duração, quase todos desvendados, sem qualquer absolvição, entre as raras, equivocada (trabalhamos nestes casos). Depois a ação criminosa se espraiou pelo País, mas episodicamente. São Paulo, por exemplo. Com a repressão forte aos seqüestros, esta prática recrudesceu e foi deslocada para Estados da Federação menos "visados". Minas Gerais e Espírito Santo foram "vitimizados" por estas ações tenebrosas.

E por aí vai... Agora se chega ao banditismo sofisticado pela tecnologia, e, enganosamente, se pretende trazer a Colômbia como "modelo de eficiência no combate ao crime organizado!”! Agora é a vez do contrabando de peças, da pirataria, dos jogos eletrônicos, das lesões patrimoniais via Internet, da compra de sentenças, sempre com aquele "braço audacioso" a procurar se infiltrar e corromper políticos e altas autoridades. muitas vezes conseguindo ingressar nas próprias estruturas dos Poderes.

Você há de perguntar agora por que motivo eu estou lhe dizendo tudo isto se você já sabia. É para relembrar e apresentar, para sua reflexão, um dado importantíssimo:

Neste mundo globalizado há uma modalidade que, pela grandiosidade do lucro, nunca deixará de invadir nosso universo existencial. É o NARCOTRÁFICO.

Fontes seguras informam que as "estruturas superiores" destas organizações contam com valiosas assessorias, nas áreas não só "jurídicas" mas também de "marketing", "serviços de inteligência", "psicologia em geral e social", "economia" etc...

Percebeu-se que a eclosão ("onda") da chamada "geração saúde", com a proliferação das Academias de Ginástica precisava ser contida, de forma a não abalar os fantásticos lucros do consumo das drogas. A sutileza destes "gigantes" da criminalidade, fortes em suas "assessorias técnico-científicas" se deu conta de que o primeiro passo seria "bombar", porque a vaidade natural das pessoas, em especial dos jovens. muitos ansiosamente (e conflitadamente) exigia "pressa" nas modulações de seus músculos. As "bombas" então começaram a proliferar. Sem se dar conta dos riscos à saúde, em poucas semanas o “garotão” ou a "gatinha" apareciam "saradérrimos" e as capas das revistas, inclusive especializadas, passaram a enaltecer o "malhadão", a "saradona".

Veio o passo seguinte: "fazer a cabeça" destes jovens no sentido de que certas drogas não abalavam o "saradismo", nem a "mente"! A "onda" era "legal"! As "assessorias" a que me referi acima pontuaram algo extremamente inteligente. Era preciso, para isso, deslocar o foco dos malefícios à saúde para o cigarro comum. O cigarro, que todos sabem ser agressivo à saúde, passa a ser o vilão solitário.

O Governo embarca nessa “onda” e massifica campanhas contra o tabaco e esquece drogas ilícitas e o álcool. E surge a máxima que eles, os narcotraficantes aproveitaram para difundir: "Maconha não faz mal à saúde, cigarro destrói, dá câncer, enfisema etc.” E chegam ao requinte de se utilizar de pesquisas sérias sobre os efeitos da maconha para "descaracterizar" questões relevantes, entre elas, a velha mas imbatível tese da chamada "hipótese de degrau", evidente na escalada do vício. Qualquer um pode ouvir sobre isso no depoimento de diversos dependentes em recuperação. Basta assistir uma reunião de Narcóticos Anônimos (reuniões abertas) e verão o que é a chamada "lua de mel" com a droga.A noiva é a maconha...

E fiquei pasmo quando li recentemente no jornal que o atual Governador do Rio de Janeiro teve a “coragem” de propor a “legalização” da erva maldita! Grande “exemplo”!

Bem, desmontada a "tônica da onda" da "geração saúde", inclusive com, por exemplo, a sagaz brincadeira, parodiando aquela música de péssimo gosto de que "um tapinha não dói" ("tapinha" = "puxada de um fuminho-maconha"), o caminho ficou livre para ingresso, agora mais sutil e periférico ( ressalto que não se pode imputar levianamente qualquer facilitação das Academias, que , em princípio são de existência extremamente salutar, como as escolas etc) de outras drogas , a maioria delas euforizantes.

Mais uma vez a “inteligência” destas organizações se aproveita da existência no mercado consumidor de "energéticos", de venda permitida, e da bebida alcoólica, esta, com certeza, para muitos que sofrem da doença do alcoolismo, uma "droga lícita". E buscam então a associação do euforizante expresso no uso destas drogas que surgem sofisticadamente sintetizada com o álcool e de "quebra" um energético, para expandir a idéia de que a "onda" é super "manera"..."tipo assim... numa boa, kara, radical esta parada”."

A festas do estilo “faz a cabeça da galera” ,da "moda" , são cenários ideais para propagação, divulgação, incentivo e consumo...

Parte crescente de uma geração se perde e muitas na chamada dependência "cruzada" - droga e álcool...( tem quem só bebe quando "cheira" e precisa, outros precisam "cheirar" para beber, ou usam independentemente). Eu prefiro falar de dependência “múltipla”. Porque cruzar é passar de um lado para o outro.E aqui falo de adição, de soma.

O Brasil está verdadeiramente adormecido diante destes dois tipos de câncer cujas metástases atingem em cheio o que temos de mais promissor em nossa tecitura social: a juventude, através do assustador incremento das dependências químicas- por drogas ilícitas e álcool. É inacreditável, por exemplo, que a grande maioria dos médicos nada sabe sobre a doença do alcoolismo e, passada a fase de sua atuação, recomenda ao alcoólico : "só pode tomar duas latinhas heim!....",até porque muitos deles desconhecem que se trata, segundo a Organização Mundial de Saúde.de uma doença, aliás, progressiva, incurável e de terminação fatal, e se o doente tomar um único gole ressurge mais dramática ainda sua agonia e a dos que com ele convivem - co-dependentes).

Meu objetivo fundamental aqui é alertar você para os perigos de uma droga que está sendo derramada de modo brutal em nosso País. Falou-se nela e depois foi esquecida. Mas ela está aí, com seus tentáculos tenebrosos : trata-se do SKANK.

Não preciso aqui falar sobre ela com detalhes técnicos. Você pode entrar num “site” de busca da Internet e ler sobre esta droga sintetizada em laboratório. Esta droga, que os "barões do narcotráfico" tentam difundir como "uma maconha um pouquinho mais forte, mas que não tem cheiro nem fumaça" equivale a uma "supermaconha". Digamos: é uma "maconha" com seu THC (princípio ativo - tetra hidro canabiol) potencialmente SETE (7) vezes mais forte que a "erva"...

E ninguém "melhor" para mostrar aos "sarados " e "saradonas" que esta nova "maconha", da "boa", não faz mal (é como se você "puxasse mais uns baseadinhos”) que pessoas ligadas a atividades esportivas, em especial aos "narcisos" de seus músculos "de aço"!Os marketeiros sabem bem escolher as pessoas que "passam a imagem" do prazer, do belo, de tudo mais que induz ao consumismo:"as loiras que suam no sol escaldante das praias", os que pegam "as ondas do mar",as "neves"...e por aí vão....

Quem melhor que um fisiculturista para "trabalhar" nesta área?

Quem melhor que um "profissional de saúde", um "guru religioso", enfim, alguém para aplacar sentimentos de menos valia, incertezas e culpas no caminho inconsciente da morte, no passeio para o abismo?

Há muitos e muitos meses a polícia vem trabalhando na tentativa de surpreender alguma expressiva "operação" de Skank e , mais que isso, obter a efetiva conexão entre os Estados da Federação, tendo por meta principal localizar a origem da droga, ou seja, tentar focar a "rota". O trabalho tem sido difícil e penoso e não cabe aqui questionar nem comentar nada a respeito. Mas surgem fortes indícios de que a rota inclui uma parte de conexão no eixo "Rio de Janeiro-Espírito Santo”. Há registros, por observação, da utilização, em crescente escala. desta droga em "festas e festinhas" em ambos os Estados, especialmente Vitória, Rio de Janeiro e Niterói.

Dias atrás o Ministério Público do Espírito Santo em comunhão de ações com a Polícia Rodoviária Federal prendeu na BR 101, na bela Guarapari, um campeão de fisiculturismo (F.N.) e sua mulher A. B.em sua casa, apreendendo, entre outras "coisas", 1,5 quilos de SKANK e uma escopeta calibre 12..Ah....e como não podia faltar, centenas de anabolizantes...eis aí a sedução de alguns sarados e pretendentes! É interessante notar um aspecto desta operação. A.B., além de fisiculturista seria também nutricionista.

E de onde F. vinha? Segundo o MP e PRF, vinha do Rio de Janeiro. levando o Skank para ser consumido no Espírito Santo, com ênfase em Vitória e em Guarapari.

Através desta abordagem, chegam o MP e a PRF a um terceiro – R. B.C. e com ele são apreendidos anabolizantes e "micropontos" de ácido lisérgico (LSD).Lembram-se dos "tempos deste ácido"? Pensávamos que foi um tempo que já passou não é? Que nada! Ele está aí mais escondido do que nunca...."A onda" volta "como uma onda no mar", só que,diversamente da bela música, ela volta em tons diversos, mudando de cor como o camaleão para capturar sua presa!

Pois bem....prisões feitas, drogas apreendidas, eles serão julgados, nada se pode afirmar por enquanto, salvo aquilo que decorre da própria publicidade da ação empreendida pelo Ministério Público com a Polícia Rodoviária Federal. Sei que existe a chamada “presunção de inocência”, que é preciso haver condenação definitiva etc. para se poder imputar a alguém a prática de crime.

O mundo prossegue, a vida corre...tivemos na zona sul do Rio a “marcha da Maconha”, onde poucas dezenas de “jovens conscientes” expressavam anseios sob máscaras de políticos e “canabis” de plástico, tudo em paz, inclusive sob o cínico pretexto de que liberar esta droga é combater a criminalidade. Haja paciência!

Mas eu queria refletir com você sobre uma questão:

Até quando vamos nos deixar enganar por este Estado, eu falo do Estado em sentido amplo, em todos os níveis (Federal e Estadual principalmente.) que não cuida da prevenção......Aonde uma política pública séria em face da dependência química de drogas ilícitas, muito menos de alcoolismo? E os governos, ineficientes, "sazonais" e superficiais na repressão, quando vão fazer seus agentes chegar aos Barões do Narcotráfico? E quando vão “algemar” seus protetores , estes da sempre impune “criminalidade dourada”?

Que você alerte seus filhos, netos, sobrinhos, amigos de que esta "maconhazinha sintetizada que não tem fumaça nem cheiro" está solta por aí! Que adotem todas as cautelas e que ser "sarado e sarada" é ter a mente sã num corpo saudável. Se tudo fracassar e você se sentir desprotegido, não “chame o ladrão” , chame o “segurança da boca”!

No mais eu proponho uma utopia: COLOCAR O ESTADO NA CADEIA!

Evandro STEELE

BRASIL

Procurador de Justiça (aposentado)

Professor Universitário

 
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