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A Semana Revista

12.12.2004 | Fonte de informações:

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DESEJO DE ARMAR CILADA A PUTIN

Imprensa ocidental obcecada com a ligação de Putin à Ucrânia

A imprensa ocidental está repleta de histórias que trazem a mensagem do tipo “Derrota da Rússia na Ucrânia” e aqueles que engolem este tipo de disparate já agora podem começar a acreditar que é a cegonha que traz os bebés e que o grifo vai comer as crianças mal comportadas. A verdade mais uma vez foi distorcida.

Para começar, não foi o Presidente Vladimir Putin que congratulou Viktor Yanukovich quando a primeira declaração foi feita na Ucrânia quanto à sua vitória, foi um adido seu, que respondeu de acordo com as normas diplomáticas e de acordo com a posição da Federação Russa relativamente ao respeito pela lei internacional e à sua crença que as relações internacionais e a gestão de crises devem ser regidos pelo foro de lei estabelecido para tal, nomeadamente o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Depois de ter-se apercebido que a Comissão Central das Eleições na Ucrânia ainda não tinha deliberado sobre o resultado final, Vladimir Putin declarou imediatamente que a posição da Federação Russa não é intrometer-se nos assuntos internos da Ucrânia mas sim, deixar espaço para as autoridades competentes resolverem os problemas e questões relativos ao país, uma política que Vladimir Putin seguiu desde o início até ao fim deste assunto, num exemplo de coerência política e diplomática.

Esta linha de coerência não traz e nunca trouxe uma situação em que a Federação Russa entrasse em colisão com o Ocidente, porque a Federação Russa não é, como a União Soviética nunca foi, bastião de beligerância. Por isso se coloca a questão, qual é o problema que o ocidente tem para com a Rússia e com Vladimir Putin, cuja política externa é focada num desejo de formar relações amigáveis entre os estados, numa base de fraternidade e igualdade, assinando acordos bilaterais que estimulam os laços económicos, políticos e culturais e que visam a criação dum mundo em que uma irmandade de nações vive lado a lado, resolvendo os seus problemas através do devido foro de lei, o CS da ONU?

Será isso um crime tão grande? Se não, talvez o ocidente deveria começar a pensar e reconsiderar. A posição de Vladimir Putin relativamente à Ucrânia é que é um assunto interno deste país, ponto final.

Evidentemente, cabe aos ucranianos decidirem se querem o lacaio ocidental, Yushchenko, que tentará instalar bases da OTAN no seu solo em troca de contratos bilionários, que irá representar os ucranianos ocidentais, mais pobres e rurais e que irá alienar os ucranianos orientais, mais desenvolvidos e mais prósperos, cujo desenvolvimento industrial não tem igual na região e que podem muito bem decidir recolocarem-se na Rússia, se as condições forem criadas.

Viktor Yanukovich teria sido a garantia contra essa eventualidade mas não é a Federação Russa que está obcecada em falar nestas eleições. Se os ucranianos quiserem o Yushchenko, assim seja e boa sorte. Quem perde são eles, quem ganha é a Rússia.

Contudo, antes de sabermos os resultados oficiais da eleição, a posição correcta seria, e é, no caso de Vladimir Putin, deixem que o povo da Ucrânia decida. Por quê é que o ocidente tem um problema com isso?

ELEIÇÕES GANHAS POR FRELIMO Mais uma vez RENAMO se queixa de fraude

Embora os observadores internacionais tenham afirmado que as eleições legislativas e presidenciais em Moçambique correram bem, embora com alguns problemas localizados, Afonso Dhlakama, líder da RENAMO, quer a anulação das eleições e um novo escrutínio daqui a seis meses.

Dhlakama quer que Presidente Chissano fique durante mais seis meses, enquanto a Comissão Nacional das Eleições é abolida juntamente com o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral, enquanto toda a população de Moçambique é recenseada.

Mais uma vez, RENAMO dispara em todas as direcções depois de perder uma eleição que foi declarada justa pelos observadores. RENAMO reclama que seus observadores foram expulsos das secções de voto, no entanto, os observadores independentes afirmam que em 94,5% das secções, os oficiais da RENAMO ficaram com as urnas durante a noite e durante a contagem.

Ainda por cima, os observadores da RENAMO não colocaram reclamações junto aos observadores na altura do processo eleitoral, só depois de começaram a saber os resultados.

A verdade é que RENAMO mais uma vez levanta uma série de acusações sem colocar nenhumas provas.

O resultado das eleições, embora ainda não declarado oficialmente, aponta para uma vitória decisiva pelo FRELIMO, com Armando Guebuza ganhando cerca de 60% do voto contra apenas 30% para Afonso Dhlakama.

No entanto, só depois da Comissão Central das Eleições ter pronunciado o resultado final e depois da ratificação da Concelho Constitucional, é que será oficialmente e conclusivamente conhecido o final do processo.

O objectivo da RENAMO é ganhar tempo, pois dia 9 de Dezembro tinha sido apontado para o dia limite para a revelação dos resultados provinciais, e dia 17 para os resultados nacionais, RENAMO esperando que pode reclamar a anulação das eleições porque os resultados não foram divulgados nesses dias.

FRELIMO por sua vez acusa RENAMO de ter impedido o processo eleitoral em várias províncias.

Contudo, nem cabe a FRELIMO nem a RENAMO a decisão final, cabe às instâncias legais e constitucionalmente constituídas.

JOGOS OLÍMPICOS EM MOSCOVO 2012

10 bilhões de USD em investimento

O orçamento da Comissão Olímpica Russa para 2012 é de 1,7 bilhões de USD, no entanto poderá subir a 10 bilhões, caso a candidatura seja aceite.

De acordo com as declarações do Vice-Presidente da Câmara de Moscovo, Valery Shantsev, os Jogos Olímpicos hoje em dia são mais uma questão de benefícios comerciais do que prestígio, na altura da atribuição, como era o caso nos Jogos Olímpicos em Moscovo em 1980.

Valery Shantsev declarou à imprensa na 33ª Assembleia das Comissões Olímpicas na Croácia que a candidatura de Moscovo “é a mais conveniente para os atletas, espectadores e jornalistas”.

Moscovo é a única cidade que reúne todas as facilidades esportivas dentro da cidade, sem que os atletas tenham de se deslocar para fora.

Durante a apresentação de cada candidatura, Moscovo cumpriu os dez minutos do prazo estipulado, enquanto os candidatos de Madrid, Londres e Nova Iorque excederam o limite.

A lei é a lei, as normas são as normas.

SEMANA FANTÁSTICA PARA FC PORTO

Primeiro, CSKA deu o melhor presente ao FC Porto, vencendo em Paris e mantendo o bi-Campeão português e actual Campeão da Europa na Liga dos Campeões e no Domingo, FC Porto venceu a Taça Intercontinental, ganhando a Once Caldas 8-7 em penáltis

FC Porto fica na Liga dos Campeões

FC Porto 2 Chelsea FC 1 Paris Saint Germain 1 CSKA Moskva 3

Com estes resultados, Chelsea e FC Porto continuam nos oitavos de final da Liga dos Campeões, enquanto CSKA MOSKVA vai para a Taça UEFA e PSG sai das competições europeias, provando que tudo é possível até ao último momento.

Com 13 pontos dos anteriores jogos, Chelsea FC entrou no jogo no Estádio do Dragão tranquilo, enquanto FC Porto precisava duma vitória e também que PSG não vencesse em Paris. CSKA foi o melhor amigo de FC Porto, ganhando o jogo fora na França por um expressivo 3-1.

O autor dos três golos foi Semak, aos 28, 64 e 70 minutos, enquanto Pancrate respondeu pelos parisienses aos 37 minutos.

No Porto, Chelsea FC, treinado por José Mourinho, que levou o FC Porto à vitória na Liga dos Campeões, na Taça UEFA e a dois campeonatos nacionais em duas épocas, perdeu com a equipa da casa, num jogo emotivo e muito bem disputado.

Aos 34 minutos, Damien Duff marcou para Chelsea FC, mas FC Porto voltou do intervalo com garra, fixando o marcador com golos por Diego aos 61 minutos e McCarthy aos 86, com um remate magnífico de cabeça.

FC Porto Campeão do Mundo

Perfeita homenagem ao Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa

Ausente no Japão por razões ligadas à investigação sobre alegadas crimes de corrupção e tráfico de influências, o Presidente do FC Porto teve de assistir o jogo na televisão e que perfeita homenagem fez sua equipa por ele, ele que criou e talhou tantas equipas no FC Porto ao longo do seu consulado de 22 anos, que tanta alegria deram aos portistas e aos portugueses em geral.

De facto, na história recente, é difícil ou impossível pensar no nome que qualquer outro português que tanto fez por seu país ao longo de duas décadas: duas Taças Intercontinentais, uma Taça Campeão Europeu, uma Taça da Liga dos Campeões, uma Supertaça da Europa, uma Taça UEFA, uma final na Taça UEFA, além de inúmeros campeonatos e taças nacionais, lançando jogadores portugueses e internacionais para carreiras brilhantes, buscando e criando jogadores para depois os vender para sobreviver e ir buscar outros para preencher o lugar.

Se bem que não fosse Pinto da Costa a jogar em campo, muito fez fora das quatro linhas pela sua gestão e grandes habilidades em gerir pessoas e formar equipas. Lembrando que uma pessoa é inocente até ser provado ao contrário, este incidente com a justiça portuguesa neste momento nada faz para assombrar o muito que este cidadão do Porto fez para sua cidade e seu país.

Penáltis quebram o 0 – 0

Duas equipas cautelosas jogaram uma partida de futebol hoje em Yokohama, Japão, que com o decorrer do jogo deixou claro que o primeiro a marcar seria o vencedor. De facto, embora o FC Porto jogou melhor, no final foi pena que uma das equipas tinha de perder, pois demonstraram ao longo dos 120 minutos sem golo que este duelo entre duas Titãs tinha reunido no mesmo recinto as duas melhores equipas do mundo, o Campeão da Europa, FC Porto (Portugal) e o Campeão Sul-Americano, Once Caldas (Colômbia).

No entanto, FC Porto poderia queixar-se de pouca sorte, tendo enviado três bolas para a trave e tendo tido dois golos anulados contra os vencedores da Taça de Libertadores. FC Porto começou a mostrar sua classe aos 8 minutos, quando Benni McCarthy introduziu a bola na rede, mas o tento foi considerado fora de jogo pelo árbitro. Aos 17 minutos, Fabiano enviou a bola para a trave e aos 23 minutos, Derlei enviou um remate de cabeça por cima da barra.

Aos 40 minutos, FC Porto quase marcou outra vez, quando o livro marcado por Diego acabou batendo contra o poste e logo a seguir, Derlei rematou contra a trave, antes de McCarthy chutar por cima.

Once Caldas passou o jogo em contra-ataque e quase marcou antes do intervalo, quando Fabbro e Viáfara combinaram bem, o último falhando o alvo por centímetros.

FC Porto continuou a dominar na segunda parte, introduzindo a bola na baliza outra vez aos 60 minutos, o tento de McCarthy outra vez anulado por fora de jogo. Aos 66 minutos, McCarthy quase marcou com um belo remate dos 25 metros mas o remate saiu por cima da barra.

O jogo acabou com muita pressão por FC Porto, McCarthy e Ricardo Costa quase quebrando o impasse perto dos 90 minutos. O prolongamento foi jogado num espírito de grande cautela e a fase dos penáltis teve de entrar na segunda série, as equipas empatadas a quatro bolas no final da primeira, até que Pedro Emanuel marcou o golo que deu uma vitória justa ao FC Porto, 8-7.

Parabéns ao FC Porto por mais uma grande vitória.

CARTA ABERTA DE TIMOTHY BANCROFT-HINCHEY AO PRIMEIRO-MINISTRO DR. PEDRO SANTANA LOPES

De facto, chegou ao fim um ciclo político reaccionário e a escola de políticas de laboratório

Em primeiro lugar devo dizer que nestas páginas lhe dei uma folha branca para preencher com as suas acções desde a sua tomada de posse e resisti sempre à tentação de o atacar só por ser um político dum partido de direita.

Excelentíssimo Senhor Primeiro-ministro Dr. Pedro Santana Lopes,

Em primeiro lugar devo dizer que nestas páginas lhe dei uma folha branca para preencher com as suas acções desde a sua tomada de posse e resisti sempre à tentação de o atacar só por ser um político dum partido de direita, o que provocou uma chuva de e-mails todos os dias de leitores perplexos por causa de eu parecer estar a protegê-lo, criticando muitas vezes os políticos à sua volta mas nunca directamente a si.

Não o critiquei directamente até agora porque eu conheço seus pontos positivos, pois já há alguns anos, quando o senhor primeiro-ministro era Presidente do Sporting Clube de Portugal, respondeu positivamente a uma carta minha, pedindo que meu filho mais velho tivesse uma hipótese de fazer um ensaio, pois o futebol era o que restava quanto às esperanças da vida dele. Graças a si, ele entrou nos escalões jovens do clube, onde passou um tempo muito feliz e o que lhe projectou para a sua vida, agora na Inglaterra, e ligado ao futebol. Na altura eu nunca disse que estava ligado ao jornalismo e por isso o seu gesto merece mais destaque ainda, pois julgava que estava a lidar com cidadãos comuns sem quaisquer poderes na comunicação social.

Poucos meses depois, quando o senhor se deslocava para os estúdios da TVI, na ex-Cinema Berna, em Lisboa, eu estava a atravessar a avenida (Marquês de Tomar), sem me aperceber quem estava por perto, e foi o senhor Pedro Santana Lopes que disse: “Olha o pai do David!” e apertou-me a mão.

Por isso para aqueles que o criticam por ser Pedro Santana Lopes, eu digo que o senhor tem qualidades, grandes qualidades. E digo mais: quantos são os políticos em Portugal, ou em qualquer outro país, que teriam tido a astúcia política de se colocarem em posição para serem Primeiro-ministro, como fez o Dr. Pedro Santana Lopes nas circunstâncias em que o fez? Poucos, ou quase nenhuns.

Para ser honesto, tenho muito pena estar a escrever esta carta agora e não daqui a 14 meses, como tinha pensado. E quando digo pena, digo-o com sinceridade, porque reconheço sua grande vontade de deixar marca como Primeiro-ministro e reconheço que as críticas lançadas contra si nem sempre são justas, pois tem muitos mais pontos positivos do que muitas pessoas imaginam e temos de reconhecer que lhe passaram uma batata política, muito grande e muito quente, numa altura péssima, no início do seu consulado.

No entanto, Dr. Pedro Santana Lopes, me sinto obrigado a escrever esta carta aberta agora, longe da fase final do período eleitoral, por causa da pergunta que o senhor lançou ao país no Sábado passado, nomeadamente o quê é que teria provocado a mudança de atitude do Senhor Presidente da República entre a passada segunda e terça-feira.

Eu sei responder, e respondo já a seguir. Foi uma questão duma tentativa de esvaziar o conteúdo de três gamelas em duas. Primeiro, foi a questão da colocação de amigos e companheiros em posições de gestão pública que habitualmente cria grandes polémicas quando o PSD chega ao poder. Segundo, foi aquela cena da censura, que despertou o interesse de qualquer pessoa ainda com uma faísca politicamente activa em Portugal.

Em terceiro lugar, tinha razão quando fez referência à nova política tributária.

O senhor Primeiro-ministro sabe o que aconteceu? Andaram por aí na praça pública ultimamente um exército de oficiais do Ministério das Finanças, que entraram nas firmas, tiraram os livros e a seguir, fecharam as contas bancárias de um número alarmante de empresas portuguesas, sem ter em conta a necessidade de pagar o 13º mês, sem ter em conta a necessidade de pagar salários, sem ter em conta muitas vezes o facto que estas firmas contaram com estas contas bancárias para pagarem o que deviam aos trabalhadores em ordenados retro-activos.

E o que dói mais, senhor Primeiro-ministro, e o que revolta mais, Dr. Pedro Santana Lopes, é que em muitos casos os gerentes destas firmas – não os donos – só sabiam da situação quando o gerente da conta bancária os informou que estava tudo bloqueado.

Dr. Pedro Santana Lopes, Primeiro-ministro de Portugal, acha bem, na época do Natal, que os trabalhadores, que tanto sofreram mais uma vez sob o jugo dum governo PSD, fiquem sem seus subsídios? (Entre nós há muitos que lembram do pesadelo de estarmos aqui sob os governos de Cavaco Silva, em que altura as consultas de psicologia aumentaram três vezes). Acha bem que o recém desempregado espera até sete meses para receber o primeiro subsídio?

Acha bem que os funcionários das Finanças não expliquem às firmas como resolverem os problemas duma maneira civilizada? Acha bem que a alternativa é retirar os bens das firmas sem dar qualquer prazo de tempo para negociar, antes de bloquear as contas? Não acha que teria sido melhor examinar as contas das firmas e depois agendar uma reunião para estipular um regime de pagamento de impostos devidos? Um processo de debate? De Diálogo? De discussão? (Lembre-se daquela palavra, “democracia”?)

PRAVDA.Ru não tem qualquer conta bancária em Portugal mas se tivesse, estaria tudo em ordem. No entanto, em solidariedade com as firmas que conhecemos que sofreram este tipo de insensibilidade durante uma época socialmente delicada, lançamos um aviso ao senhor Primeiro-ministro: na próxima vez, não pratique políticas de laboratório. E não pense que não lançamos já uma alerta às firmas nos países onde Pravda.Ru é lido.

Como pessoa inteligente, resta só a noção que o Senhor primeiro-ministro, Dr. Pedro Santana Lopes não se apercebia daquilo que estava a acontecer, aliás num ministério gerido pelo seu aliado no PP, Paulo Portas.

Se quiser esclarecimentos, Senhor Primeiro-ministro, e não quiser perguntar a nós, pergunte à Caterine Deneuve. Pode ser que aí tenha a resposta à sua pergunta.

ELEIÇÕES A 20 DE FEVEREIRO

Presidente explica aos portugueses a razão por demitir o governo e dissolver a Assembleia da República

Presidente Jorge Sampaio acabou o ano lançando o que alguns chamam uma bomba atómica na cena política portuguesa mas de facto deveria chamar-se uma bomba de neutrões, pois deixou de pé as estruturas políticas mas destruiu por completo a massa humana no governo.

Presidente Jorge Sampaio acabou o ano lançando o que alguns chamam uma bomba atómica na cena política portuguesa mas de facto deveria chamar-se uma bomba de neutrões, pois deixou de pé as estruturas políticas mas destruiu por completo a massa humana no governo.

Mas não é só o governo que leva o cartão vermelho. É o método de governação emocional e emotiva do Primeiro-Ministro Pedro Santana Lopes, que sob o Princípio de Peter, chegou ao seu grau de incompetência no Município relativamente pequeno de Figueira da Foz, onde o tipo de governação suporta decisões do tipo: “É pá! Vamos levantar um teatro neste espaço aí!! Vamos tirar estes edifícios daí!! Vamos transformar esta zona num gigantesco casino!!” e por aí fora, e todos aplaudem.

Quando se trata da administração dum país, e ainda por cima membro da União Europeia, esse tipo de governação “emotiva” e “singular” começa a levantar o sobrolho e fica bastante mais complicado.

A decisão do Presidente Sampaio é também um cartão vermelho para um modelo de governação por políticos profissionais que nunca fizeram nada na vida senão a política, políticos como Santana Lopes e aqueles que o rodeiam, pessoas que vivem numa redoma confortável e cujas vidas são limitadas ao caminho entre suas casas nas melhores zonas de Lisboa e a Assembleia da República, em carros do topo da gama cuja passagem é auxiliada por batedores da polícia.

Tais situações podem passar despercebidas quando o estado económico do país é rosado e risonho, no entanto, quando uma fatia substancial (minimamente 5% em termos reais) da população é desempregada e quando o governo deixa os preços e impostos a chegarem a níveis europeus, quando o salário médio teima em rondar os 610 Euros mensais, o tecido social é esticado até ao ponto da ruptura.

Por isso o governo liderado pelo PSD (Partido Social Democrata), desta vez em coligação com o seu primo da direita PP (Partido Popular, Conservadores), se demonstra mais uma vez como um partido com uma total falta de contacto com a realidade do país, que mais uma vez pratica políticas de laboratório que nada têm a ver com as necessidades da população e que mais uma vez revela características desumanas e desinteressadas relativamente à actualidade do dia a dia do português, que desconhece inteiramente.

Um belo exemplo é o pedido pelo Presidente da Mesa do Congresso do PSD, Manuel Dias Loureiro, que pediu ao ainda Primeiro-Ministro Santana Lopes incluir nas listas das eleições pessoas como Manuela Ferreira Leite, ex-Ministra das Finanças, crítica de Santana Lopes mas também discutivelmente a pessoa política mais odiada em Portugal, devido à sua obcecação com políticas de laboratório que vieram duplicar a taxa de desemprego em dois anos e que viu os desempregados esperarem até sete meses sem qualquer recompensa do estado.

O quê é que as pessoas haviam de fazer? Roubarem? Prostituírem-se? Venderem drogas?

Colocar o nome desta senhora numa lista? Porquê não colocar o nome do Diabo? Demonstra que o PSD continua a estar longe, muito longe, do contacto que precisa ter com o povo português, povo que sofre cada vez mais com cada ano que passa, que trabalha cada vez mais mas que vê a classificação de PIB por capita levar o país gradual e constantemente para o fundo de qualquer tabela.

Primeiro foi 12º lugar dos 12 na U.E., depois 15º dos 15 membros e agora 17º dos 25, descendo sempre. A frustração do Presidente, cujo Partido Socialista também tem estado no poder ao longo dos anos e que também nada fez para contrariar esta tendência, transbordou na sua bomba política aparentemente por um número de razões. Quais são?

“Sucessivos incidentes e declarações, contradições e descoordenações que contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições, em geral”.

Sim, os ministros diziam uma coisa e Santana Lopes dizia outra, depois telefonava aos ministros e dizia por quê é que não faziam as coisas assim ou daquela maneira…uma maneira de governar bonita e eficaz num Município pequeno mas impossível a nível nacional.

“Uma instabilidade substancial que acentuou a crise na relação de confiança entre o estado e a sociedade, com efeitos negativos na posição portuguesa face aos grandes desafios da Europa, no combate pelo crescimento e pela competitividade da economia”.

Sim, a economia portuguesa conseguiu voltar a retrair-se no terceiro trimestre deste ano. O antigo Primeiro-ministro, José Barroso, tinha prometido uma retoma em 2003, depois foi 2004… e agora? Este governo ainda por cima decidiu por na prática uma política fiscal dura, durante as últimas semanas, fechando as portas das firmas que deviam dinheiro ao estado, lançando mais vários milhares de portugueses à rua, sem o subsídio de Natal e sem salários, numa altura em que o tecido social já está à beira da ruptura. Mais uma vez, políticas desumanas e desconectadas com a realidade do país.

O que diz o Presidente Jorge Sampaio é verdade, no entanto há quem o acusa de malabarismos políticos. Por quê é que não convocou uma eleição legislativa quando José Barroso fugiu para Bruxelas, deixando a porcaria que fez nas mãos do seu “amigo” Santana Lopes?

Porque sabia que o então líder do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, seria derrotado pelo mais carismático Santana Lopes e sabia que Santana Lopes mais cedo ou mais tarde estampar-se-ia contra a parede como Primeiro-ministro. Esperou quatro meses, deixou Santana Lopes e Paulo Portas levar a direita à última estação sem comboio de retorno durante muito tempo, e deixou o José Sócrates reorganizar o Partido Socialista.

Resta saber se Sócrates é melhor que Santana ou se é uma espécie de animal político de laboratório sem se aperceber muito bem a realidade da vida quando não é política. A médio prazo, a única alternativa para os politicamente cientes fica nos dois partidos da esquerda, o PCP e o Bloco da Esquerda, ambos com cerca de 6% das intenções de voto neste momento.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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