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A Semana Revista

12.03.2005 | Fonte de informações:

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ALBÉRICO CARDOSO: PIONEIRO DA LUSOFONIA

Pai da africanidade nos deixa mais ricos mas tristes

Albérico Cardoso deixou este mundo às 13.00 de Lisboa hoje, dia 8 de Março de 2005. Se bem que em outras culturas se celebra a passagem do espírito para a próxima etapa, na cultura ocidental estas coisas são encaradas com tristeza.

Só que neste caso Albérico Cardoso não nos deixa propriamente. Há muita gente que passa despercebido enquanto vivos, muito mais quando morre mas no caso do Dr. Albérico, nem na morte passa despercebido, nem pode. Deixa o mundo mais rico pela sua passagem entre nós.

Pai da africanidade, pioneiro da lusofonia, dono da revista África Hoje, lançador dos Guias Turísticos, da Revista Gente e Viagens, da Revista Portugal-Brasil, entre muitas outras, Albérico Cardoso já era o precursor da CPLP dez anos antes desta organização existir, já juntava os lusófonos de todo o mundo num clima de amizade, já fazia dos países lusófonos uma comunidade, motivado não pelo dinheiro, mas sim pela causa e pelo amor que sentia pela lusofonia.

Dar dignidade às pessoas, ver o lado bonito de cada um, ver beleza onde os outros viam o lado negativo, amar e respeitar o próximo como igual, seja ele branco ou negro ou azul, seja homem ou mulher, era a prática do dia a dia de Albérico Cardoso.

A sua obra é visível. Durante décadas as revistas da Lucidus Editora faziam pontes culturais, de negócios e políticos entre os vários ramos do mundo lusófono e durante décadas Dr. Albérico viajava incansável entre Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, procurando laços de amizade, procurando cimentar o que depois iria realizar-se no nome da CPLP.

Dizer bem de todos, mostrar o lado positivo das comunidades, tentando ajudá-las a integrar-se nas sociedades onde estavam inseridas foi e continua a ser a obra de Dr. Albérico Cardoso.

Sua obra continua. A Revista África Hoje é hoje África Today, que segue o mesmo padrão editorial, sendo mais internacionalista, acompanhando o desenvolvimento do Continente que Dr. Albérico tanto amava: África. Mas não vamos colocar Albérico Cardoso numa caixa rotulada. Além de amar África, amava Portugal, Brasil…enfim, amava o mundo e suas gentes e dedicou a vida dele a tentar trazer dignidade às pessoas.

Pertence às páginas da PRAVDA.Ru porque um dos seus projectos era editar um jornal bilingue para a comunidade russófona em Portugal “para lhes dar alguma coisa que é deles, para eles se sentirem bem vindos nas terras de cá, longe das suas casas, longe dos seus lares, dar dignidade a eles”, foram as palavras de Dr. Albérico Cardoso na nossa última reunião há poucos meses.

Ensinou muita gente a amar o próximo não só pelas suas palavras, mas sim pelos seus gestos. Que bonito, e quão raro.

Continuaremos a lembrar sua obra nas páginas da PRAVDA.Ru e desejamos o melhor em todos os aspectos para a Revista África Today, cuja equipa coesa e determinada vai estar à altura do desafio de continuar o trabalho e a obra de Dr. Albérico Cardoso.

Enviamos os nos mais sentidos e profundos sentimentos à família do Dr. Albérico, convictos que a sua obra continua e continuará sempre e cientes que pelo menos ele encontrou um alívio para seu sofrimento.

Quem passou a vida a tentar fazer com que os outros não sofressem não mereceu sofrer mais.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Mais do que um Dia dedicada a elas, as mulheres precisam de acção

É um comentário muito deprimente sobre a nossa sociedade, o facto que todos os anos se realiza um Dia Internacional da Mulher que por sua vez nada produz em termos práticos. Uma leitura dos factos faz com que se tem vergonha.

Há sessenta longos anos, a igualdade dos géneros foi cinzelada nas páginas da Carta da ONU, mas o tráfico das mulheres continua, as mulheres são desproporcionalmente representadas nos sectores mais pobres da sociedade e nas populações infectadas com VIH/SIDA, têm menos oportunidades de receberem uma educação do que os homens e a participação em governo e no processo de tomar decisões é menor numa escala mundial.

A Conferência de Beijing em 1995 realçou as áreas em que as mulheres eram mais vulneráveis, colocando as bases para uma igualdade de géneros. Passados dez anos, o quê é que conseguimos?

Noeleen Heyzer, Directora Executiva do Fundo de Desenvolvimento da ONU para as Mulheres, declarou recentemente que “Ainda é a cara duma mulher que se vê quando se fala da pobreza, da VIH/SIDA, de vítimas de conflitos violentos e distúrbios sociais, de tráfico de seres humanos”. Rachel Mayanja, Conselheira Especial de Kofi Annan sobre Assuntos Relacionados com o Género, acrescenta que “a desigualdade dos géneros está profundamente radicada na política, na legislação, nos atitudes, nas tradições e nas instituições das sociedades”.

Porém, a Conferência de Beijing aconteceu vinte anos depois da primeira conferência da mulher na Cidade de México, o mesmo país que hoje é alvo dum relatório especial da ONU sobre a violência contra as mulheres. Assassínios, prostituição forçada, assaltos sexuais, violência doméstica e discriminação sexual são referidos no relatório elaborado por Yakin Erturk, Conselheira Especial da Comissão da ONU de Direitos Humanos sobre a violência contra as mulheres. O relatório declara que “no caso de julgamento, as sentenças são fracas” e acrescenta que “há alegações que os testemunhos às vezes são obtidos sob actos de tortura”.

Recentemente, Kofi Annan revelou que das 100 milhões de crianças de idade escolar fora do sistema educativo, a maioria são moças que são forçadas a desistirem da escola para poderem apoiar o resto da família com dinheiro ou trabalho. Os rapazes é que vão às aulas, saem para a cidade e conseguem construir seu futuro, as moças ficam para trás sem esperanças e sem gozarem de qualquer igualdade de género de facto.

Será que hoje vai marcar qualquer mudança real, que produz resultados tangíveis nas vidas diárias de tantas milhões de mulheres, que mais parecem pesadelos que vidas, ou será mais um dia em que se diz muitas palavras de ocasião e depois se vira o disco e toca a mesma música?

EUA: ATIRAR PRIMEIRO, PERGUNTAR DEPOIS

Depois de assassinar um agente italiano e uma ex-refém, fica claro quem são os verdadeiros terroristas

A jornalista italiana Giuliana Sgrena, do periódico comunista italiano Il Manifesto, foi seqüestrada em Bagdá em 5 de fevereiro deste ano. Era um alvo fácil...

Depois de assassinar um agente italiano e uma ex-refém, fica claro quem são os verdadeiros terroristas.

A jornalista italiana Giuliana Sgrena, do periódico comunista italiano Il Manifesto, foi seqüestrada em Bagdá em 5 de fevereiro deste ano. Era um alvo fácil: diferente da maioria dos jornalistas europeus e norte-americanos, Sgrena não escrevia seus artigos trancada num quarto de hotel fortemente guardado, mas saía para conhecer a situação real iraquiana, conversava com a população e não tinha nenhum tipo de escolta. Depois de um mês de seqüestro, foi libertada pacificamente por seus captores, depois de uma negociação direta com o governo da Itália. O resto é bastante conhecido: depois de libertada, indo de carro com agentes do serviço secreto italiano, tropas estadounidenses abriram fogo, e Sgrena só sobreviveu porque o agente Nicola Calipari a protegeu, cobrindo-a com seu próprio corpo.

Mas na página de “Il Manifesto”, num artigo em inglês, Giuliana Sgrena conta fatos importantes que a imprensa em geral não revela. Segundo ela, os captores a avisaram que seria libertada, mas disseram: “Nós te levaremos, mas não dê nenhum sinal de sua presença, senão os americanos podem intervir.” Ela disse não ter levado a sério essa advertência, até seu automóvel ser metralhado perto do aeroporto. Além do mais, os agentes teriam gritado várias vezes que eram italianos (ou seja, aliados, pois o governo de Silvio Berlusconi é um dos poucos que apoiaram a invasão e mantém tropas). Segundo Sgrena, os EUA não queriam que ela voltasse a Roma com vida.

A invasão e ocupação do Iraque é indubitavelmente um dos crimes mais abomináveis depois da Segunda Guerra Mundial. Quem são os verdadeiros terroristas: seus seqüestradores, que mantiveram Sgrena com dignidade e a libertaram pacificamente, ou as tropas “amigas” dos EUA, que fuzilaram seu automóvel e mataram um agente italiano? Os soldados dos Estados Unidos, sob o pretexto de levar a liberdade e a democracia ao Iraque, mantém a população desse país em um regime de terror muito pior que o de Saddam Hussein: qualquer um pode ser vítima. A qualquer momento uma pessoa comum pode ser metralhada por soldados, presa, torturada, ter sua casa invadida ou bombardeada. E, segundo o decreto 17 da coalizão que invadiu e ocupou o Iraque, nenhum soldado estrangeiro pode ser detido por autoridades iraquianas, não tendo que responder por seus atos, por mais hediondos que sejam. Onde está a soberania do governo “democraticamente eleito”?

Segundo a agência France Presse, um funcionário de um hospital de Bagdá disse que uma média de 50 civis morrem por mês vítimas das tropas da coalizão. As forças armadas simplesmente não admitem a maioria dessas mortes, apenas indenizam uns poucos casos que chegam à imprensa.

Enfim, depois de tudo isso, o governo de George W. Bush tem a cara de pau de fazer uma lista de países onde os direitos humanos não são respeitados, e acusar outros de genocídio, tirania, repressão, ausência de imprensa livre.

Carlo MOIANA

Aslan Maskhadov liquidado

Todas as mães devem chorar a morte dos filhos, mas um monstro desses?

O líder dos terroristas chechenos, os queridos de certos sectores no ocidente que os chamam de “libertadores”, foi eliminado numa operação por tropas especiais.

Assim o homem que planeou o ultraje de Beslan deixa de perpetrar mais actos de maldade.

A Rússia vence a guerra na Chechénia e assim as vidas dos 95% dos cidadãos chechenos que querem viver em paz dentro da Federação Russa têm mais hipóteses de encontrarem algo semelhante à normalidade.

FARC concede entrevista a PRAVDA.Ru

Os contactos entre PRAVDA.Ru e as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia são longos. Não é verdade que as FRARC são um bando de terroristas narco-traficantes e queremos providenciar um espaço a eles de maneira que possam explicar objectivamente quem são.

Assim a entrevista exclusiva esta semana entre PRAVDA.Ru e o Comandante Reyes das FARC está disponível para os nossos leitores na página MUNDO.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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