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Abu Ammar/Yasser Arafat 1929 - 2004: Lutar pela Paz

11.11.2004 | Fonte de informações:

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Mohammed Yasser Abdul-Ra'ouf Qudwa Al-Husseini nasceu em 24 de Agosto de 1929, na Faixa de Gaza, embora outras fontes colocam sua data e local de nascimento em 4 de Agosto no Cairo, Egito, um exemplo típico da controvérsia que seguiu este grande líder através da sua vida até ao momento da sua morte.

Formou-se na Universidade de Rei Fuad em Cairo em 1951 com o curso de engenharia arquitectural. Depois de ter trabalhado no Egito durante sete anos, foi a Kuwait em 1958, onde conheceu Khalil El-Wazir (Abu Jihad), com quem planejou a fundação do movimento FATAH. (Em árabe, Al-Fatah significa "vitória através da Jihad” e é o contrário da sigla HATAF, Harekat at-Tahrir al-Wataniyyeh al-Falastiniyyeh, "Movimento de Libertação da Terra Palestiniana"). De volta em Palestina, Abu Ammar (Yasser Arafat) lançou o movimento da Organização pela Libertação da Palestina em 1 de Janeiro de 1965, colaborando com activistas que viviam em Jerusalém, antes de se deslocar à Jordânia em 1967, depois da Guerra de Seis Dias.

Dois anos mais tarde, foi eleito Presidente da Comissão Executiva da OLP (depois de Ahmad Shuqeri e Yahya Hamoda), o título que reteve até a sua morte. Foi porém esforçado a realojar-se no Líbano em 1969, depois do rei Hussein expulsar os palestinianos que tinham agido contra ele na Guerra de Setembro, ficando em Beirute até 1982, quando a cidade foi cercada pelo exército israelita, cujo comandante Ariel Sharon falhou na tentativa de o assassinar, esforçando Arafat a se deslocar outra vez, para Tunes.

A primeira Intifada eclodiu nos territórios ocupados (roubados) em 1987, durando até 1993, quando Abu Ammar (Yasser Arafat) assinou a Declaração de Princípios sobre os Acordos da Auto-Governação Interina (Acordos de Oslo), em 13 de Setembro, juntamente com o Primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, que preparou o terreno para o Acordo de Gaza-Jericho, ou Acordo de Cairo, com Rabin, em 4 de Maio de 1994. Estes acordos foram o resultado de negociações em secreto entre a OLP e o estado de Israel a seguir à Conferência de Madrid de 1991.

Em Julho de 1994, Arafat voltou à Gaza pela primeira vez em 27 anos e no mesmo ano, recebeu o prémio Nobel da Paz, juntamente com Yitzhak Rabin e Shimon Peres, “pelos seus esforços a promover a paz no Médio Oriente”.

O Acordo de Jericó levou à fundação da Autoridade Nacional Palestiniana e à assunção de responsabilidades e compromissos pelas duas partes, entre os quais a promessa de Israel de conceder territórios ocupados aos palestinianos em troca de paz , o processo “Terra por Paz”.

Este plano visou retirar as tropas israelitas da faixa de Gaza e de Jericó, e acordos adicionais levaram ao plano em que 95% dos Palestinianos que viviam em Gaza, na Judeia e na Samaria, viveriam sob a administração da Autoridade Palestiniana até 1997, embora que Israel só quis conceder menos que 40% do território nestas áreas.

Basicamente, os palestinianos ficariam encurralados em ghettos enquanto os colonos israelitas, roubando terras alheias, ficaram com as suas quintas. Não foi por isso um acordo para 95%, seria um acordo viciado de menos de 40%. Quem iria aceitar este tipo de humilhação?

É precisamente neste ponto em que a história vai julgar o Yasser Arafat (Abu Ammar). Ele foi acusado pelos seus inimigos, principalmente os Israelitas e a administração de Bush nos EUA, de nunca ter cumprido os seus compromissos na área de segurança e não trabalhar com seriedade para o processo da paz.

Contudo, há que frisar que Yasser Arafat ficou firme perante tamanha pressão e não se vendeu, nem vendeu o seu povo, por uma promessa de “95%” do seu território, que de facto era menos que 40% do terreno a que o povo Palestiniano tinha e tem direito sob a lei internacional. Nada de meios termos, no vocabulário de Abu Ammar.

Se o Israel tem-se recusado sistematicamente a cumprir plenamente os acordos que assina e as resoluções da ONU, qualquer aceitação por um líder palestiniano de menos do que 100% dos territórios a que tinha direito, seria um sinal de fraqueza e fraco, Arafat nunca foi.

Sobrevivente nato, Yasser Arafat (Abu Ammar) conseguiu manter-se na liderança da causa palestiniana apesar da existência e rivalidade entre várias facções (13), às vezes em estado de guerra entre elas, conseguiu unir as facções numa causa singular e única, conseguiu o reconhecimento da sua causa pela ONU e conseguiu a legitimação da causa palestiniana no seio da comunidade internacional.

Eleito Presidente da Autoridade Palestiniana por 83% do seu povo, a determinação e as habilidades pessoais consideráveis de Yasser Arafat levaram a noção dum estado palestiniano desde um sonho até uma realidade, tangível. Passou e dedicou seus 75 anos a lutar, para a paz.

Um epitáfio perfeito para Abu Ammar seria a continuação do seu sonho e ideal – a criação dum estado palestiniano, que vive em harmonia e paz nos seus territórios soberanas, que ninguém de boa mente que segue as normas da lei internacional quer negar a esta justa causa.

Abu Ammar fez a diferença entre um sonho e a realidade. É só uma questão de tempo até ser realizado o seu desejo, o desejo dos palestinianos e o desejo da grande maioria da humanidade, que respeita as normas da lei internacional.

Abu Ammar deixa sua esposa, Suha At-Taweel e a filha, Zahwa.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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