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A Semana Revista

11.07.2004 | Fonte de informações:

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SALADA DE LARANJA SEM TOMATES

Sampaio vira à direita na busca da cura dos males de Portugal, provocando a queda do líder do Partido Socialista, seu partido

Jorge Sampaio já decidiu. Levou duas semanas e conseguiu escolher a decisão que vai contra a vontade do povo e todos os sectores políticos, a não ser os dois partidos no governo, o Partido Social Democrata e o Partido Popular, que curiosamente nem actuam de forma democrática, nem têm cariz social nem pelos vistos são muito populares, de acordo com as últimas eleições.

Levando duas semanas para fazer uma escolha destas, Jorge Sampaio confirma o medo sentido por muitos que é uma pessoa sem espinha, cobarde, cinzento, que sobreviveu como presidente porque escolheu a opção de se calar (a não ser quando choramingava em público em eventos importantes, dando azo à frase “Jorge Sampaio emocionou-se” na imprensa).

Ou será? Uma coisa Jorge Sampaio não é, e isso é estúpido. Por isso, o quê é que o levou a convidar Santana Lopes a formar governo e quais as consequências?

Em primeiro lugar, Jorge Sampaio consultou todas as figuras políticas de relevância em Portugal, ponderou e fez uma escolha muito pessoal, que entendeu ser a opção certa em tempo de crise, mesmo que isso contrariasse a vontade popular. Cobarde não é, afinal.

Em segundo lugar, Jorge Sampaio entendeu que há dois anos, foi eleito um governo e um programa, não a figura de José Durão Barroso. Por isso, agora que este aceitou o repto da Presidência da Comissão Europeia, não quer dizer que o resto do governo tem de cair, e pela Constituição portuguesa, uma das opções que causaria menos transtorno seria a escolha da segunda figura no maior partido da coligação, Santana, para formar governo.

Em Pedro Santana Lopes, o governo tem sua melhor arma, pois entende a palavra C: Comunicação. Prometeu concluir o programa da coligação e embora a consistência não tenha sido historicamente seu ponto forte, Jorge Sampaio acredita nele, aparentemente. Terá sido para deixar este governo acabar a porcaria que iniciou, assim abrindo a porta para o Partido Socialista escolher uma opção mais atraente que Ferro Rodrigues (que não seria difícil)?

Talvez não. A economia se encontra numa fase extremamente delicada, dando os primeiros sinais de recuperação. Com o parlamento de férias até Setembro (os deputados precisam de dois meses, o dobro daquilo que goza uma pessoa normal, porque tanto trabalham) uma eleição agora impunha um hiato sobre a economia e a vida diária portuguesa pelo menos até Outubro, o que poderia esmagar os primeiros passos da retoma. Dado que uma eleição nova escolheria um governo diferente, e uma governação diferente, por muito que seja desejável neste momento, levaria pelo menos seis meses para começar a “morder”…e de qualquer modo só faltaria mais um ano para o ciclo normal do governo PSD/PP acabar.

A Pedro Santana Lopes, se deve dar o benefício da dúvida. Passou seis anos a trabalhar nos municípios de Figueira da Foz e de Lisboa, deixou um túnel por fazer mas cortou aquele rabicho, escolhendo um corte de cabelo “a homem”, o que deve ter convencido Jorge Sampaio a pensar que finalmente Santana cresceu e apareceu.

Acusado por muitos por ser emotivo e instável, Pedro Santana Lopes é um político com muita experiência, que remonta à Revolução do 25 de Abril, quando escolheu o PSD (ao contrário de Barroso, que preferiu andar com correntes de bicicleta a impor a vontade dos maoistas do MRPP) e juntamente com suas consideráveis capacidades como orador, com quase cinquenta anos de idade, é agora ou nunca para a única figura do governo com o carisma suficiente para chegar ao final do mandato, eventualmente com alguma popularidade.

Se isso envolveu a queda de Ferro Rodrigues, o líder do Partido Socialista, e se invocou a fúria dos partidos da esquerda, partidos que representam os interesses do povo português (Bloco de Esquerda e a Coligação CDU, Coligação Democrática Unitária, Comunistas e Verdes), Jorge Sampaio entendeu que valeu a pena. Pelo menos os Socialistas podem agora eleger uma figura com uma imagem que não faz com que as pessoas torçam o nariz.

Se bem que a decisão de optar por Santana e excluir as eleições fosse contra a vontade destes partidos, talvez as coisas nem sejam tão más assim. O calendário demonstra que este (des)governo já lá vai há mais do que metade do tempo do mandato (como quem esteja a marcar os dias no calendário se vê com facilidade) e dá uma oportunidade aos partidos da esquerda se prepararem para uma eleição bem participada, que possivelmente eliminará a direita da cena política de Portugal durante os próximos quinze anos.

No entanto, não há que esquecer o ditado português sobre a laranja (cor política do PSD): "de manhã, ouro; a tarde, prata e a noite, mata”. Jorge Sampaio, na penumbra da sua carreira política, talvez pague o último preço: optou por impor um prato indigesto numa altura em que o povo português pedia a ementa.

A história irá julgá-lo como grande estratega com uma coragem de ferro, ou um choramingas simpático mas sem estofo.

A concluir, o Presidente da República actua como o árbitro. Decidiu, e ponto final. Entendeu onde estava o ponto de equilíbrio, e escolheu. Visto que só há uma pessoa que pode decidir, e visto que Jorge Sampaio exerceu o máximo de cuidado em fazer sua escolha, há que aceitar e observar Santana Lopes, em cujos ombros pesa uma enorme pressão.

A ver se ele chegou ao seu ponto de incompetência ou não. Se não, será bom para Portugal. Se sim, é óptimo para a esquerda.

NO RESCALDO DO EURO 2004

Futebol é o grande dinamizador da sociedade

Quais foram os efeitos do EURO 2004 sobre a sociedade portuguesa? Foi um sucesso? Gastaram dinheiro a mais? Exageraram com dez estádios novos? Foi aquele fracasso que todos temiam?

Dizem que este EURO foi o melhor de sempre e não deve haver ninguém que discorda, embora o Ministério de Finanças da Manuela Ferreira Leite tente minimizar os efeitos económicos, prolongando a clima de desespero e calamidade, onda que este governo de direita surfou para se implantar em Portugal.

O EURO 2004, como previsto nesta coluna, providenciou mais uma vez a prova que Portugal e os portugueses conseguem pensar como gente grande quando querem e conseguem organizar grandes eventos como qualquer outro país, e ainda por cima nem precisam de apresentar candidaturas duplas como Bélgica Holanda (EURO 2000), Japão Coreia (FIFA MUNDIAL 2002) ou Suiça Áustria (EURO 2008).

O EURO 2004 veio a uma altura em que o português, pessimamente liderado por um bando de cinzentos incompetentes ou seguidores cegos de políticas de laboratório, já estava deitado no chão na posição fetal a levar ponta-pés do Paulo Portas dia sim, dia não e dos maníacos Ferreira Leite e Durão Barroso todos os dias.

O auto-estima tinha chegado a taxas tão negativas que o português outra vez se sentiu o coitadinho da Europa, um tipo de campino-palhaço desprezado, bem visível no discurso derrotista de Janeiro passado (que provocou o artigo Portugal: Pessimismo e Pedofilia na PRAVDA.Ru) em que as pessoas afirmavam que os estádios não só não estariam prontos a tempo, mas também eram perigosos, que a segurança era nula, que os terroristas iriam rebentar isso tudo, que os hooligans vinham partir as cidades e vomitar a calçada portuguesa, que os aeroportos não tinham capacidade para tanto tráfico.

O EURO 2004 mostrou aos portugueses e a Portugal que têm motivos fortes para sentirem orgulho no seu país. E sentiram. Outra vez, transbordou a alegria e a espontaneidade, visível há cinco anos durante o processo de independência de Timor Leste, em que o coração dos portugueses se tornou tão grande que fez engasgar Jacarta e seus amos em Washington e Londres que lhe vendiam armas.

O nacionalismo durante o EURO não se traduziu em xenofobia, antes sim foi bem direccionado para o foro lúdico, de desporto, em que branco e negro e castanho e amarelo gritavam lado a lado de alegria ou choravam com desapontamento, todos vestidos nas cores nacionais.

No campo, a mistura lusa-brasileira-africana, o coração do Mundo Português, fez as suas magias, levando o desporto português para o ponto mais alto de sempre. A ver agora se aparecer um brasileiro ou um africano no aeroporto de Lisboa, que não vai ser tratado como se fosse o Diabo em carne humana.

Não hajam dúvidas também que o futebol movimenta as pessoas bem melhor que a política, especialmente quando a liderança é paupérrima, como actualmente. Poucos aderiram ao apelo para votar nas eleições para o parlamento europeu em Junho. Não se sentiam motivados pela política nem pela maioria dos políticos. Porém, a magia brasileira, aquela chama chamada Scolari, foi a faísca que incendiou a alma portuguesa, levando os portugueses a sonhar para acordarem do pesadelo que é o governo e a governação PSD/PP, que nem tem preocupação social, nem é democrático, nem popular.

Futebol, o belo desporto, é o verdadeiro dinamizador social, galvanizando as pessoas a interagirem, a assumirem iniciativas e acções que a classe política já não consegue despertar.

Em termos da economia, o Ministério de Finanças torceu o nariz e fez cara de poucos amigos, afirmando que o impacto do EURO foi mínimo. Então, graças a Deus que Manuela Ferreira Leite está de saída.

O EURO 2004 garantiu uma taxa de ocupação hoteleira de 100% em algumas regiões e de 90% em Lisboa, garantindo ao sector da restauração uma alta durante 21 dias. Portugal recebeu, e muito bem, 8.000 jornalistas e organizou sua estadia de forma exemplar. A cada jornalista foi designado um assistente, com quem estava em contacto 24 horas por dia se necessário na eventualidade de qualquer problema.

Portugal estava na mira de 100 estações de televisão, recebeu pelo menos 200.000 e até 500.000 visitantes extras por causa do futebol, criou 36.150 empregos novos e o turismo é estimado a crescer entre 3,5 e 6% por ano até 2010 por causa do investimento.

Se o estado investiu 208 milhões de Euros e já recuperou mais que 70 milhões, em três semanas, em receitas e impostos, e se Portugal conseguiu finalmente libertar-se do jugo que o atava a Espanha, dando uma lição em marketing político, como é que o Ministério de Finanças pode afirmar que o impacto foi mínimo?

Só se fosse liderado por alguém que pode perceber das contas mas que não entende nada da política nem da política económica. Manuela Ferreira Leite, essa também, chegou ao seu ponto de incompetência. Adeus.

O EURO 2004 foi um grande sucesso porque aquela mistura tão especial luso-brasileiro-africano trabalhou e viveu em conjunto e harmonia sem complexos, como irmãos, motivaram-se a deixar uma Obra e deixaram-na. Foi bonito de ver.

Agora cabe a cada um fazer seu balanço. Seria que uma política de imigração que desse a mesma hipótese ao africano e ao brasileiro que vem a Portugal que foi outrora dado ao português no Brasil e na África, seria pedir demais?

ESSE NÃO É SADDAM HUSSEIN

O homem que os norte-americanos têm no tribunal não é o ex-Presidente do Iraque

Quando o mentiroso é inteligente e cuidadoso, ele convence porque é plausível e encobre as pistas da mentira. Contudo, quanto mais tempo a mentira for divulgada, mais pistas são deixadas

O regime de Bush nem foi inteligente, nem cuidadoso nem plausível na conduta da sua política em torno ao Iraque, que culmina agora na exposição ao mundo dum homem num tribunal no Iraque que afirmam ser “Saddam”. Se for, com certeza, não é o Saddam Hussein, ex-Presidente do Iraque.

As primeiras tentativas em justificar o acto ilegal de chacina chamado a Segunda Guerra do Golfo começaram em Dezembro de 2002, quando elementos dos serviços secretos dos EUA e Reino Unido forjaram documentos, tentando criar um elo entre Bagdade e Níger, que supostamente estava a vender urânio “yellowcake” para o “programa nuclear activo “ de Saddam Hussein. Mohammed El Baradei, Director da Agência Internacional para a Energia Atômica, imediatamente viu que os documentos eram falsificados, pois nem o tipo de letra, nem as assinaturas, nem os nomes batiam certo.

O resultado foi um encolher de ombros por Washington e Londres e um silêncio profundo.

De repente, Washington deixou de referir o programa nuclear de Bagdade, concentrando-se no Programa para Desenvolver Armas de Destruição Maciça e posteriormente, as ADM em si, armas químicas e biológicas, que constituíam uma ameaça imediata aos EUA e aos seus aliados.

Colin Powell apresentou “inteligência magnífica” ao Conselho de Segurança da ONU, com maquetes de plástico e fotografias de satélite de “facilidades químicas móveis”. Pouco depois, quando as equipas da UNMOVIC se demonstraram incapazes de encontrar este armamento, Washington declarou que “sabemos onde estão”.

Então se lançou o acto de chacina. Nunca encontraram ADM simplesmente porque nunca havia, nem as facilidades de produção e com certeza, nenhum programa nuclear. No entanto, estas mentiras foram esquecidas e já ninguém fala nelas. Que conveniente.

A seguir veio aquela história sobre o assassínio dos filhos de Saddam, quando uma frota de helicópteros e algumas centenas de tropas especiais travaram uma dura batalha com Ouday, Qusay, outro homem e um rapaz numa quinta no meio duma planície ao Oeste de Bagdade durante várias horas…. Pelo amor de Deus. Os corpos foram levados e só depois de um dia é que vieram as fotografias, mas pouca gente que as viu considerou que eram as fotografias dos filhos de Saddam (sendo quase irreconhecíveis).

Parece a história do rapaz que tenta justificar o facto que se esqueceu de fazer os deveres, dizendo que o cachorro os comeu, houve um incêndio em casa, caiu um helicóptero sobre seu quarto durante a noite e que seu saco escolar foi roubado quando entrou no recinto.

Depois, as fotografias do até então orgulhoso, meticuloso, limpíssimo, articulado Saddam Hussein a sair dum buraco como se fosse um vagabundo qualquer, com uma barba longa, cabelo de maluco e imundo…em Dezembro, mas com as tamareiras carregadas com frutos, que só acontece em Agosto??

Mais uma coincidência estranha.

A seguir, o “Saddam” mostrado ao mundo por Paul Bremer, cuja pausa “Senhoras e senhores….ahhhh….apanhámo-lo” traiu o sinal “vou mentir”.

Depois, sua mulher foi levada a visitá-lo em Qatar e ao vê-lo se riu, declarando que não era o marido dela.

Os norte-americanos conseguiram enganar-se a eles próprios, ou um grupo de norte-americanos estava a enganar os outros?

O “Saddam” do tribunal tem barba, enquanto Saddam Hussein nunca a usou. Por quê? Para tapar as provas? Para encobrir a linha da mandíbula ou outros ossos da face?

Agora, a gralha sagrada foi oferecida por Joe Vialls, que enviou seu artigo “Shaddam Shaddam’s new Vaudeville Scam” (“Falso Saddam e as novas tretas”) à redacção da PRAVDA.Ru, em que afirma que os fotógrafos foram proibidos de tirar imagens de “Saddam” no tribunal mas que pouco depois, uma fotógrafa, Christiane Amanpour da CNN, foi permitida entrar na sala e tirar centenas de metros de filme em vídeo e fazer fotografias a partir desta metragem.

Mas aqui foi o erro principal. Como Vialls aponta, o verdadeiro Saddam Hussein tinha uma dentição perfeita, em que os dentes superiores fecharam sobre os inferiores. A figura no tribunal, no entanto, demonstra os dentes inferiores muito irregulares e uma condição rara, em que os dentes inferiores fecham sobre os superiores.

Parece o Saddam, fala como Saddam. Pois, foi ensinado durante muito tempo.

No entanto, o registo dental não mente como Washington. A dentição do Presidente Saddam Hussein e a dentição do homem naquele tribunal não são iguais. Aquele homem detido pelos norte-americanos naquele tribunal não é Saddam Hussein.

Quanto mais baixo pode o regime de Bush cair?

EDWARDS NÃO QUER RÚSSIA NO G8

Senador John Edwards, nomeado candidato a vice-presidente pelo candidato à Presidência John Kerry, tem posição agressiva contra a Rússia.

De acordo com as declarações dum membro da equipa de apoio de John Edwards, ele declarou em Janeiro que vai lutar contra tendenciais anti-democráticas em países estrangeiros.

Disse ainda que iria pedir ao Departamento de Estado a elaborar uma “lista de liberdade”, que continha os nomes dos presos políticos em todos os países. Depois exigiria do departamento de estado que trabalhasse activamente para conseguir a libertação destes presos.

Incluido nas declarações de Edwards, vinha esta pérola: “Incluirá verificação dos membros das instituições existentes, por exemplo, a continuação da presença da Rússia no G8, dado as tendências anti-democráticas na Rússia”.

Sem comentário.

CRISE? QUE CRISE?

Uma crise no sector bancário seguida por outra no mercado cambial provocaria muita alegria em certos países. No entanto, não vai acontecer

A natureza especulativa e excessivamente negativa na imprensa internacional acerca duma “crise” crescente no sector bancário russo, seguida por rumores sobre um eventual desastre nos mercados cambiais, é no melhor irresponsável e no pior, um acto de intrusão

Não há crise nenhuma na Rússia, nem no sector bancário, nem no sector financeiro, nem nos mercados cambiais.

O colapso económico de 1998, quando o sistema bancário implodiu e as tentativas de manter o nível do RUR (Rublo) provocaram um decréscimo no valor da moeda nacional provocando uma crise cambial, paira em cima dos mercados na Rússia como um fantasma, pronta a atacar outra vez. Os vendedores de estórias começaram a aparecer em força em Maio, quando um banco pequeno perdeu sua licença por causa de praticar lavagem de dinheiro. Em Junho, outro banco pequeno e o médio, Dialog-Option, pararam a sua actividade por falta de liquidez.

Assim iniciou uma crise de confiança, que é sempre fácil de aparecer neste sector, culminando nos bancos maiores recusando a emprestar fundos aos menores, levando por sua vez a uma clima de pânico.

Na semana passada, os clientes retiraram 70 milhões de dólares das contas no Alfa Bank, um dos maiores bancos da Rússia, deixando as caixas automáticas vazias, enquanto Guta Bank, outro banco de dimensão importante, fechou as suas portas. Os observadores internacionais não perderam tempo em noticiar que a agência de ratings Moody estava a considerar a reclassificação de 18 bancos.

Até o conselheiro de Presidente Putin, Andrei Illarionov, deixou-se ficar apanhado na onda de especulação, afirmando que “É evidente que há uma crise no sector bancário” e que isso se devia “às acções das autoridades”.

Contudo, não há crise nenhuma. Uma coisa é uma falta endémica de capital e enquanto é verdade que o sistema bancário da Rússia é um sistema sub-capitalizado, também é justo dizer que o sistema está a trabalhar para encontrar soluções e que o Banco Central tem a situação sob controlo.

Guta Bank afirmou que está a aumentar o activo e que no dia 12 de Julho, Segunda-feira, irá abrir as portas para fazer negócios como normalmente. Entretanto, Alfa diz que tem activo suficiente para sobreviver o retiro de dinheiro em grande escala, impondo uma taxa de 10% sobre levantamentos, enquanto sua classificação permanece igual no rating da agência Fitch.

Gradualmente, as reacções internacionais têm vindo a aceitar que a situação não é tão pessimista como alguns pensaram ou como muitos teriam gostado de pensar. Há turbulência, sim, mas não há crise, como foi afirmado recentemente por Vladimir Putin: “Não há nada que causaria preocupação no sector bancário neste momento”.

Como sempre, o mundo quer ouvir estórias de catástrofes na Rússia. Porém, hoje em dia, há cada vez mais, mais histórias boas que estórias más.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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