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Chegou a hora de os Estados Unidos dizerem as coisas como realmente são

10.08.2008 | Fonte de informações:

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Chegou a hora de os Estados Unidos dizerem as coisas como realmente são
Vem de ser exposta nos Estados Unidos uma nova estratégia de defesa nacional. O Secretário de Defesa Robert Gates referiu-se diretamente a Rússia e China como inimigos em potencial. Entretanto, os Estados Unidos não deflagrarão guerra contra os dois maiores países do mundo.A despeito do fato de o Pentágono não ter ainda publicado oficialmente a Estratégia de Defesa Nacional (o documento foi aprovado em junho), diversas cópias do novo documento já foram mandadas à Câmara dos Deputados e ao Senado.

O secretário de imprensa do Pentágono Geoff Morrell disse que o documento continha o teor dos discursos de Robert Gates pronunciados durante os diversos meses recentes. O ministro escreveu que considerava seu documento uma receita para o sucesso da próxima administração dos Estados Unidos.

A estratégia tem sido uma questão de extrema importância para Robert Gates desde o fim de 2006, quando ele chefiava o Pentágono. O conceito dessa estratégia diz que os Estados Unidos têm que reunir recursos tanto militares quanto "culturais e ideológicos" para derrotar um inimigo complexo e transnacional.

O documento também contém apelos para o desenvolvimento de métodos de guerra não padronizados em vez do foco no poder dos Estados Unidos em conflitos armados convencionais com outros estados. Gates também recomenda o desenvolvimento de parceria com a China e a Rússia para neutralizar a ascensão delas como adversárias em potencial e limitar seus crescentes recursos militares.

Robert Gates destaca a Índia como aliada, a qual, espera ele, reclamará ampla responsabilidade como país interessado no sistema internacional. Entretanto, a autoridade vê a luta com a al-Qaida e outros grupos terroristas como a principal meta dos Estados Unidos no decurso das próximas décadas.

Mesmo vitórias no Iraque e no Afeganistão não porão fim à guerra de longo prazo com grupos extremistas armados, acredita Gates.

"No futuro previsível, vencer a 'Longa Guerra' contra movimentos extremistas violentos será o objetivo central dos Estados Unidos," diz o documento estratégico, acrescentando que o Iraque e o Afeganistão "continuam a ser as principais frentes do combate."

Entretanto, o documento acrescenta que os Estados Unidos "não podem perder de vista as implicações da condução de um conflito de longo prazo, irregular, em frentes múltiplas, e de dimensões múltiplas, mais complexo e diversificado do que o confronto da Guerra Fria com o comunismo."

O documento de 23 páginas afirma: "O sucesso no Iraque e no Afeganistão é crucial para a vitória nesse conflito, mas isso só não trará vitória."

Gates usa a expressão 'longa guerra' introduzida por seu predecessor, Donald Rumsfeld. A autoridade usa essa expressão para assimilar a guerra contra o terrorismo ao comunismo soviético e ao nazismo alemão. Gates desistiu da idéia de atribuir a primeira prioridade ao uso preventivo da força militar. Ele insta para que a administração atual e a futura dos Estados Unidos cooperem com outros países para exterminar o terrorismo e as condições que levam a seu desenvolvimento.

"O uso da força desempenha certo papel, mas pode ser menos importante do que medidas para promover particiipação local no governo e programas econômicos para incentivar o desenvolvimento, bem como esforços para compreender e atender ressentimentos que amiúde situam-se no cerne das insurgências," diz o documento.

Em poucas palavras, Robert Gates acredita que os Estados Unidos devam fazer guerra por procuração.

A estratégia nacional de defesa, que o Secretário de Defesa dos Estados Unidos submete ao Senado e ao presidente dos Estados Unidos cada dois anos, espelha a evolução da decadente capacidade de defesa dos Estados Unidos. Os conceitos prévios expressavam a prontidão do país para combater o terrorismo internacional em qualquer parte do mundo. O "sucesso" de tal combate seguramente vem solapando a reputação da Casa Branca tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos, e bem assim a reputação dos membros da OTAN que mandaram seus contingentes militares ao Iraque e ao Afeganistão. É hora de os Estados Unidos darem o verdadeiro nome às coisas.

Quando um relatório militar menciona um país pelo nome e o define como inimigo em potencial, deve-se ler isso como 'inimigo.' Portanto, os Estados Unidos denominaram oficialmente Rússia e China como inimigas oficiais. Não é preciso dizer que os Estados Unidos não conduzirão guerra contra esses dois países. É difícil imaginar o que aconteceria ao Exército dos Estados Unidos se a administração dos Estados Unidos declarasse guerra contra a China com a população de 1,5 bilião de habitantes que ela tem. Para culminar, a Rússia e a China possuem armas nucleares. Entretanto, um reconhecimento da China e da Rússia como inimigas dos Estados Unidos dará aos Estados Unidos oportunidade de assestar estações de radar e sistemas de defesa contra mísseis em qualquer lugar do mundo. A estratégia de Gates é uma declaração de guerra não oficial.

A situação econômica dos Estados Unidos também deixa muito a desejar. A guerra do ópio, que a nação desencadeou no Afeganistão, pode servir como a melhor prova disso. Washington não tem condições de bancar os gastos militares a expensas de sua própria indústria. A Inglaterra costumava solucionar satisfatoriamente seus problemas financeiros com a ajuda do ópio e das guerras do ópio na China.

 
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